Terça-feira, 12 de Abril de 2016

10 maiores gastos militares

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Infografia Susana Lopes / Económico

No ano passado, um total superior a 1,7 triliões de dólares foram

aplicados, à escala mundial, em gastos militares, destacando-se os

Estados Unidos com cerca de 600 mil milhões de dólares.

Em contraste com este resultado, as forças de manutenção de paz

das Nações Unidas têm um orçamento de 8,27 mil milhões de dólares.

 

 

publicado por Luís Castro às 09:09
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Sexta-feira, 18 de Março de 2016

Capital Social

The Facets of Social Capital

 

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Mikael Rostilla

In Journal for the Theory of Social Behaviour

2010

 

Indefinição do núcleo do conceito de capital social

 

     Rostilla recorre a Portes (2000) para lembrar que o conceito de Capital Social é a “exportação” de maior sucesso na Sociologia, mas pode também ser um dos mais discutíveis no campo das Ciências Sociais (1998) – muito pela sua imprecisão conceitual –, e coloca-nos perante o surgimento de duas facetas: o capital social coletivo e o capital social individual. Se as normas e confiança, em ação conjunta para alcançar objetivos, tem defensores como Putnam (1993), Berkman (2000), Lochner (1999) ou Kawachi, (2000). Já para autores como Bourdieu (1986), Coleman (1988), Portes (1998) ou Lin (2000; 2001), o capital social é mais resultante das estruturas sociais do que de características agregadas de indivíduos.

 

     As abordagens individuais centram-se nos recursos sociais que, acessíveis através da participação em várias redes, tornam possíveis determinados fins. Ou seja, o capital social é feito de recursos que são originalmente individuais mas que se tornam disponíveis de um para outro indivíduo através da rede, tais como: “money, information, material resources, knowledge, favours, etc.” (Rostilla, p. 3).

 

     Putnam foi um dos proeminentes exportadores do conceito de um indivíduo para um coletivo: “Features of the social organization such as trust, norms and networks that can improve the efficiency of society by facilitating coordinated actins” (Putnam, 1993). Na noção deste filósofo americano de tendência

Democrata, a participação e associação geram capital social. Se a confiança for central, então o grupo vai realizar muito mais.

 

     Em contraponto, o conservadorismo de Fukuyama (2000), associa a ideia de capital social à cultura, pelo que pode ser definido como “an instantiated informal norm that promotes cooperation between two or more individuals.” Para este filósofo americano de tendência Republicana, as redes e a confiança são epifenómenos, pois não constituem o capital social, surgem, sim, em resultado do capital social.

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     Rostilla entende, portanto, que o núcleo do conceito de capital social não está devidamente explicado, pelo que há uma indefinição teórica, já que são valorizadas as estruturas em vez dos indivíduos. Assim, tendo as noções coletivas como ponto de partida, “social capital has remained as a vague and somewhat obscure feature of social structures” (p. 5), é proposto pelo autor que a cooperação seja o resultado de um conjunto variado de recursos sociais, pelo que constituem o núcleo do capital social que será multidimensional. Alguns pesquisadores, como Krishna e Scharader (1999) ou Harpan (2002), sugerem que o capital social tem uma segunda dimensão que se define pela extensão e intensidade da participação em associações e outras atividades cívicas, ou seja, a densidade dos grupos da rede e as medidas de participação social informal e que serão abordadas também na análise ao texto de Scott D. McClurg.

 

     Para além de Rostilla, outros estudiosos já sugeriram que o capital social tem lados escuros, como Portes (1998), Gambetta (1993), Trigilia (2001), Browning (2004), pelo que outra limitação do conceito é o facto das teorias “exclusively accentuate the positive features of social capital while ignoring its possible downsides” (Rostilla, p. 2).

 

Bonding, Bridging e Linking

   

     A teoria do capital social diz que os indivíduos pretendem aumentar as relações e melhorar a condição dentro da comunidade, obtendo acesso, envolvimento e interação individual e coletiva.

 

     À visão negativa de Bordieu, pela iniquidade, desigualdade e individualismo, opõe-se a visão otimista de Coleman, através das relações de cooperação no seio das famílias, das comunidades e do investimento em recursos que possuem valor. Centrado no valor da comunidade, Putnam acredita que o sistema de participação estimula a cooperação. No entanto, todos têm em comum o bem coletivo, o controlo e a moralidade. Para além dos valores e normas que compõem o sistémico, partilham igualmente o relacional, com os recursos e benefícios que resultam das relações e da confiança.

 

     Putnam (2000) classifica várias dimensões estruturais do capital social. Laços fortes entre pessoas que se conhecem bem ou muito bem, com grande confiança mútua e que se vêm como similares ou que partilham valores, como familiares, amigos, vizinhos ou máfias e gangues, designam-se por Bonding. Voltado para o exterior, o Bridging, liga pessoas através de uma clivagem que divide a sociedade, como raça, crenças ou religião. Por fim, o Linking já não acontece entre indivíduos mas entre grupos ou estruturas, ligações de poder entre comunidades e redes distintas.

 

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Deficiências Teóricas do Capital Social

 

     As críticas pela imprecisão do conceito de capital social são, essencialmente, dirigidas aos defensores da noção coletiva. Com a ajuda de Portes (1998, 2000), Rostilla elenca quatro causas: primeiro, porque o conceito tem sido esticado e aplicado a vários tipos de relações, só lhe reconhecendo os efeitos positivos. Segundo, do capital social individual pode retirar-se vantagem pessoal, em oposto ao capital social coletivo, que não pode ser usado individualmente.

     

     Terceiro, enquanto no campo individual é possível separar as fontes de capital dos seus efeitos, muitas vezes não o é a nível coletivo. Por último, a definição coletiva de capital social deixa pouco espaço para outras possíveis definições.

 

     Perante as duas definições, individual e coletiva, o autor escolhe a teoria oposta a Putnam, porque, justifica, a falta de consenso sobre o núcleo de capital é a mais grave limitação da noção coletiva do conceito:

 

     “I believe that the individual approach has a great theoretical advantage, as definitions are distinct and clearly defined, whereas most collective definitions, to a greater extent, suffer from conceptual vagueness, impreciseness and circular reasoning. While individual definitions clearly stress the core of social capital theoretically (social resources), the collective definitions have hitherto not been able to specify the “capital” that is derived from networks, trust and coordinated action.” (Rostilla, p. 8)

 

     Quanto às deficiências nas definições do conceito individual, o autor justifica-as pelo que considera serem as dificuldades em determinar os recursos e quais deverão ser considerados na rede social. No entanto, há uma deficiência e uma fraqueza partilhadas pelas duas teorias: a deficiência, porque geralmente não reconhecem a existência um do outro e Rostilla argumenta que ambas lhe parecem razoáveis, não devendo excluírem-se mutuamente; a fraqueza, porque, contrariamente ao que lhe parece óbvio, muitas vezes, as duas teorias não admitem desvantagens, insistindo e acentuando as características positivas.

 

Capital social negativo

 

     O capital social pode nem sempre ser usado para fins positivos ou socialmente aceitáveis. Um exemplo das complexidades dos efeitos do capital social é a violência organizada ou praticada criminalmente por gangues, cuja atividade é incentivada pelo fortalecimento de relações grupais (Bonding).

 

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     Sem pontes (Bridging) ou grupos de "ligação", indivíduos ou grupos de pessoas, podem tornar-se isolados e marginalizados do resto da sociedade. Em casos extremos, limpezas étnicas podem resultar de radicalismo ou ruturas inconciliáveis na relação entre diferentes grupos. Nos casos leves, apenas isola certas comunidades, como subúrbios das cidades.

 

     Putnam só encontra características negativas no capital social pela ausência ou fragilidade do mesmo, como, em “A sociedade civil e o colapso da República de Weimar”, em que "era fraca institucionalização política, uma sociedade civil fraca, que era o principal problema da Alemanha durante as eras Wihelmine e Weimar." Mais tarde, Putnam apontaria a imigração ilegal e o racismo como inibidores da construção do capital social nas comunidades e geradores de falta de homogeneidade e heterogeneidade étnica, desafiando as crenças anteriores que a exposição à diversidade fortalecia o capital social.

 

     As externalidades negativas são outra característica negativa do capital social. Quanto mais fechamento tiver a rede – tanto formal como informal – ou seja, quando mais os membros estiverem interligados e interagirem exclusivamente um com o outro/s, mais contribuirá para gerar externalidades negativas.

 

     Se bem que o fechamento da rede também tenha efeitos positivos, como caso da vigilância que os pais exercem sobre os filhos, (Coleman, 1998), Rostilla concorda, mas alerta para as consequências negativas de demasiado fechamento. Se barra ou limita o acesso ao capital social por indivíduos de redes adjacentes, como, por exemplo, membros de grupos sociais e económicos elevados excluírem membros de classes inferiores, também contribui para o mau capital social através de comportamentos socialmente condenáveis pelos seus membros, dentro ou fora da rede, como produzir e manter normas e comportamentos negativos, ou comercialização de drogas ou troca de armas de fogo, respetivamente.

 

     Se adotarmos o pensamento de Putnam poderemos entender que, através do fortalecimento do capital social, por exemplo, o crime é suscetível de ser reduzido, a realização educacional aprimorada e alcançados melhores índices de saúde e bem estar. No entanto, o capital social não se revela um remédio imediato para todos os males da sociedade, por isso será preferível abordar recursos formais e recursos informais como um processo multifacetado, estudado na sua complexidade e não como exemplos de um determinado valor.

 

 

Social Networks and Political Participation:

The Role of Social Interaction in Explaining Political Participation

 

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Scott D. McClurg

In Southern Illinois University Carbondale

2003

 

Participação política: o associativismo

 

     Para Putnam, os membros de associações tendem a ser politica e socialmente mais ativos, ou seja, o grau de confiança e reciprocidade é proporcional ao grau de engajamento cívico e associativo, o mesmo é dizer: valor do capital social.

 

     Analisando a sociedade americana, Putnam detetou que o compromisso dos cidadãos com a política tem sofrido alterações nas últimas décadas, bem como as associações cívicas descritas por Tocqueville. Segundo o pensador francês, é pela ação política dos indivíduos que se torna possível a liberdade e a igualdade: “A igualdade produz, com efeito, duas tendências: uma conduz os homens diretamente à independência e os pode impelir de repente para a anarquia; a outra os conduz por um caminho mais longo, mais secreto, mais seguro, para a servidão” (Tocqueville, 1987).

 

     Em “La Démocratie en Amérique”, percebe-se que para Tocqueville – que analisou igualmente a sociedade norte americana mas um século e meio antes de Putnam, em 1835 –, só é possível construir um Estado democrático e politicamente desenvolvido se se verificar a participação direta dos cidadãos: “É incontestável, na realidade, que, nos Estados Unidos, o gosto e o costume do governo republicano nasceram nas comunas e no seio das assembleias provinciais”. (Idem).

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     “Como se explica que todos se mostrem interessados pelos negócios de sua comuna, de seu cantão, e do Estado inteiro como se fossem deles próprios?” A pergunta de Tocqueville é retórica, pois de imediato apresenta a resposta: “O povo reina sobre o mundo político americano como Deus sobre o universo” (Idem), uma vez que participa da elaboração das leis pela escolha que faz dos legisladores e da sua aplicação, elegendo os agentes do poder executivo.

 

     Tal como depois defendido por Putnam, Tocqueville é claro quando diz que a associação dos norte americanos visa alcançar vários fins e que é essa a causa da união e do progresso: “A associação enfeixa os esforços dos espíritos divergentes e os impele com vigor para uma única finalidade claramente indicada por ela”. (Idem).

 

Participação política: a interação em redes sociais formais e informais

    

     No primeiro texto analisado, Mikael Rostilla lembra vários autores que sugerem que “social capital is a feature of the social structure, not of the individual actors within the social structure” (Lochner (1999), Kawachi e Berkman (2000) para quem o capital social é inerente à estrutura social, ou Woolccock (2001): “is merely the structure of networks and social relations” que levam a benefícios mútuos através da cooperação e não as disposições adjacentes que a acompanham, “such as a trust, reciprocity, honesty and institution quality measures” (idem).

 

     No processo de exportação sociológica, Putnam e seus seguidores (1993, 2000) transportaram o conceito do singular para o plural, do indivíduo para o coletivo, mas Fukyama (2000) abre o conceito a outras reivindicações (tal como já referido no texto em análise ao pensamento Mikael Rostilla): “social capital is an instantiated informal norm that promotes cooperation between to or more individuals”.

 

     Krishna e Scharader (1999) ou Harpan (2002), também já citados no texto anterior, entendem que o capital social tem uma segunda dimensão que se caracteriza pela densidade dos grupos da rede e medidas de participação social informal. Uma componente cognitiva de perceção e confiança interpessoal e de reciprocidade e solidariedade.

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     No artigo em análise, McClurg entende que os investigadores dedicam pouca atenção à influência da interação individual em redes sociais, apresentando duas possíveis explicações: porque existe a ideia de que a interação é “seemingly ubiquitous” e porque os estudos existentes “highlights the importance of formal social interaction” (p. 2), podendo levar a uma tendência em assumir empiricamente que as bases sociais de participação são “´controlled´ for once formal group memberships” (Idem).

 

     Para tentar corrigir esta lacuna, o autor aciona três perguntas: primeiro, quando e como as redes sociais tornam as pessoas politicamente ativas; segundo, se o impacto da interação formal nas redes é diferente da que acontece nas organizações formais; terceiro, em que medida o modelo de envolvimento nas redes sociais contribui para a compreensão teórica e substantiva sobre o envolvimento dos indivíduos na política. Como partida, McClurg declara que vai enfatizar da rede a sua substância e não a forma, delineando as circunstâncias em que a participação é influenciada pela interação informal.

 

     Se, como diz Putnam, a associação estimula a participação coletiva na política, por outro lado, segundo McClurg, está muito por explicar sobre a interação que se desenvolve nas redes e recorre ao pensamento de Huckfeldt (1979), Giles e Dantico (1982), autores que defendem que a participação individual na política varia “as a function of neighborhood education”, como um efeito atribuído à interação social em redes interpessoais. Kenny (1992) diz mesmo que ter amigos que participam, torna os indivíduos mais propensos a participar, mas, como lembra Burns (2001), não há dados sobre a influência da interação familiar, por exemplo.

 

     Acreditar que as interações sociais, formais e informais, podem ser agrupadas na rubrica do capital social, pode justificar a falta de investigação, mas o autor tem outra suspeita: que a interação informal seja, teoricamente, considerada uma ferramenta fraca. Para a primeira, o autor contrapõe com a importãncia dos estímulos que são de origem social e distintos do desenvolvimento pessoal, para a segunda, o facto da interação social informal permanecer omnipresente.

 

     A abordagem de McClurg pressupõe como principio que “informal conversations between network partners expose people to political information from the surrounding social environment” (p. 6), ou seja, que a interação social pode tornar as pessoas mais interventivas na política quando são expostas a informações politicamente relevantes, uma vez que lhes permite acumular recursos que reduzem as barreiras à participação.

 

     Neste modelo, que colca a ênfase na substância e não na forma, não são contraditadas as teorias anteriores, entre as quais a de Putnam, que explicam a relação entre associativismo e participação. Outra vantagem apresentada é que a sua flexibilidade permite a existência de muitas e diferentes formas sociais para influenciar o comportamento, bem como o modelo poder ser explorado para desenvolver outras hipóteses.

 

Importância substantiva da Interação social

 

     Indivíduos com maior estatuto social são mais propensos a atitudes participativas do que aqueles que têm menor estatuto. No entanto, estes últimos, podem tornar-se politicamente mais ativos se acumularem recursos sociais, reduzindo ou anulando a diferença verificada entre os estratos sociais. Esses recursos não devem ser pensados em termos de “quanto”, mas sim “de que tipo”, para que a junção de recursos sociais e individuais não desnivelem ainda mais.

 

     A justificação anterior, pode, no entanto, ser perniciosa, pois verifica-se ausência de participação política, tanto em estratos sociais mais baixos, como em estratos sociais mais altos. Por exemplo, no caso da população de South Bend, cidade no condado de St. Joseph, no estado americano do Indiana, que foi estudada nas eleições presidenciais americanas de 1984 e sobre a qual o autor baseia a sua análise, para indivíduos de classes mais baixas, McClurg diz que deverá verificar-se uma maior atitude participativa se eles discutirem assuntos de política.

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     Entende o autor do texto que a interação social deve ser substancialmente importante para pessoas com ou sem recursos pessoais e que, pelos resultados encontrados, recursos pessoais devem ser combinados com recursos sociais para incentivar a participação política e tornar os indivíduos politicamente mais ativos.

 

     Como conclusões, McClurg salienta que “Overemphasizing the importance of such group memberships without acknowledging more informal social processes may undervalue the impact of social forces on participation” (p. 23), apoiando a sua argumentação em Putnam (2000), quando este lembra que a adesão de indivíduos a organizações sociais formais tem diminuído nos últimos cinquenta anos. Outra razão são as oportunidades para desenvolver competências cívicas individuais.

 

     Como mensagem final, o autor desafia-nos a olharmos para lá dos recursos, isto se quisermos melhorar a compreensão sobre como as pessoas se poderão tornar politicamente ativas, não desmentindo os proponentes da teoria do capital social que defendem que o envolvimento social expõe os indivíduos a normas e promove a confiança, “there is evidence that not all forms of social interaction are important” (p. 24).

 

     A interação social é importante para incrementar níveis individuais de informação e participação política, pois, como dizia o realizador português Manuel de Oliveira, “A política é uma coisa que tem de interessar às pessoas, porque nós vivemos debaixo dela, portanto estamos interessados na ação dela” (Público, 2008).

 

 

Bibliografia (conjunta)

Berkman, L. and Glass, T. 2000. Social Integration, Social Networks, Social Support, and Health, New York: Oxford University Press

Bourdieu, P. 1986. The Forms of Capital. New York: Greenwood Press

Browning, C. R., Feinberg, S. L., and Dietz, R. 2004. The Paradox of Social Organi- zation: Networks, Collective Efficacy, and Violent Crime in Urban Neighborhoods, Social Forces

Burns, Nancy, Kay L. Schlozman, and Sidney Verba. 2001. The Private Roots of Public Action: Gender, Equality, and Political Participation. Cambridge, MA: Harvard University Press.

Coleman, J. 1988. Social Capital in the Creation of Human Capital, American Journal of Sociology

Coleman, J. 1990. Foundations of Social Theory. Cambridge: Harvard University Press.

Fukuyama, F. 2000. Social Capital and Civil Society. IMF working paper N. 00/74: Washington D.C.

Gambetta, D. 1993. The Sicilian Mafia. Cambridge, Harvard University Press.

Granovetter, M. 1973. The Strength of Weak Ties, American Journal of Sociology

Giles, Michael W., and M. K. Dantico. 1982. Political Participation and Neighborhood Social Context Revisited. American Journal of Political Science

Harpham, T., Grant, E. and Thomas, E. 2002. Measuring Social Capital Within Health Surveys: Key Issues, Health Policy and Planning

Huckfeldt, Robert, Paul A. Beck, Russell J. Dalton, and Jeffrey Levine. 1995. Political Environments, Cohesive Social Groups, and the Communication of Public Opinion. American Journal of Political Science

Kenny, Chris B. 1992. Political Participation and Effects from the Social Environment. American Journal of Political Science.

Krishna, A. and Shrader, E. 1999. Social Capital Assessment Tool. Conference paper prepared for the conference on Social Capital and Poverty Reduction: The World Bank,

Lin, N. 2000. Inequality in Social Capital”, Contemporary Sociology

Lin, N. 2001. Social Capital: A Theory of Structure and Action. London: Cambridge University

Andrade, Sérgio. 2008, dezembro 7. Ninguém tem medo da morte. É a entrada para o absoluto. Público online. Disponível em: http://www.publico.pt/sup-publica/jornal/ninguem-tem-medo-da-morte-e-a-entrada-para-o-absoluto-287077

Portes, A. 1998. Social Capital: Its Origins and Application in Modern Sociology, Annual Reviews of Sociology

Portes, A. 2000. The Two Meanings of Social Capital, Sociological Forum

Putnam, R. 1993. Making Democracy Work - Civic Traditions in Modern Italy. New Jersey: Princeton University Press.

Putnam, R. 2000. Bowling Alone: the Collapse and Revival of American Community. New York: Simon and Schuster.

Putnam, R. Civil Society and the Collapse of the Weimar Republic Author(s): Sheri Berman Source: World Politics, (Apr., 1997) Cambridge University Press Stable URL: http://www.jstor.org/stable/25054008

Szreter, S. and Woolcock, M. 2004. Health by Association? Social Capital, Social Theory, and the Political Economy of Public Health, International Journal of Epidemiology.

Tocqueville, Alexis. 1987. A democracia na América. (3. Ed). Belo Horizonte: Itatiaia.

Trigilia, C. 2001. Social Capital and Local Development, European Journal of Social Theory.

publicado por Luís Castro às 08:28
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Quinta-feira, 17 de Março de 2016

Capital Social e Televisão

 

 

Recensão Crítica

Cadeira de Teoria da Comunicação e das Redes

Doutoramento em Ciências da Comunicação e da Cultura

Universidade Lusófona

 

Steven Maras

Social Capital Theory, Television, and Participation

In Continuum Journal of Media and Cultural Studies

Vol. 20, No. 1, March 2006, pp. 87-109

 

Introdução

     Nos anos cinquenta, quando a Televisão surgiu na América, havia a expectativa de que o novo media iria fazer crescer o envolvimento cívico e dar consciência política aos cidadãos. No entanto, na viragem para o século XXI, a tendência mudou e a “caixa mágica” começou a ser apontada como causa do declínio da vida pública e da coesão social.

 

     A Televisão tornou-se um dos principais epicentros culturais, educacionais e sociais, tendendo a impor o seu ritmo ao conjunto da vida social. Se, por um lado, seduz, simula a realidade e é de fácil comunicabilidade, por outro, combina com o lazer e os modos de vida familiar, alcançando uma abrangência nunca antes vista e que provavelmente nunca se irá repetir no futuro.

 

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Teoria do Capital Social

     Bordieu foi o primeiro a sistematizar o conceito de capital social, definindo-o como “(…) the sum of the resources, actual or virtual, that accrue to an individual or a group by virtue of possessing a durable network of more or less institutionalized relationships of mutual acquaintance and recognition” (Bourdieu, in Bourdieu & Wacquant, 1992).

 

     Nesta perspetiva, a existência de uma rede de relações não é um dado natural, antes um investimento, individual ou coletivo, consciente ou inconsciente, que visa estabelecer ou reproduzir relações sociais utilizáveis, necessárias e seletivas e que implicam obrigações duradouras.

 

   Coleman está perto da teoria de Bourdieu, afirmando que o capital social pode ser um recurso disponível nas redes que os indivíduos podem utilizar para alcançarem os seus objetivos ou interesses:

 

     “(...) the concept of social capital constitutes both an aid in accounting for different outcomes at the level of individual actors and an aid toward making the micro-to-macro transitions without elaborating the social structural details through which this occurs” (Coleman, 1988).

 

     Se Bourdieu e Coleman pensavam o capital social como um atributo do indivíduo num contexto social, outros autores entenderam-no como uma componente da ação coletiva. Segundo Portes, para possuir capital social, um indivíduo precisa se relacionar com outros, e são estes – não o próprio – a verdadeira fonte dos seus benefícios” (2000). Ou seja, o volume de capital social seria proporcional ao nível do envolvimento com a comunidade e a sua participação em variadas redes de interação.

 

     Tal como defendiam Bourdieu e Coleman, também para Portes as redes grandes e densas são as mais eficientes nas expetativas e reciprocidades:

     “Dependendo das características das suas redes e das posições sociais no interior delas, os indivíduos podem ser capazes de mobilizar uma quantidade significativa de recursos, de evitar um controlo apertado do seu comportamento egoísta ou, pelo contrário, podem encontrar-se estreitamente condicionados pelas expectativas impostas pelo grupo.” (Portes, 1999)

 

     As análises sociológicas do capital social têm sido sustentadas nas relações entre atores individuais e um grupo, bem como nos potenciais benefícios para os atores em virtude da sua inserção em redes ou estruturas sociais mais amplas. Putnam é o mais proeminente defensor desta abordagem, pois, para ele, capital social significa “características de organizações sociais, como as redes, as normas e a confiança, que facilitam a ação e a cooperação com vista a um mútuo benefício”, onde o carácter coletivo fica evidente: “trabalhar em conjunto é mais fácil numa comunidade abençoada por um volume substancial de capital social” (1996).

 

O Capital Social nas Comunidades e nas Nações

     O artigo de Putnam “Bowling Alone: America´s declining social capital”, publicado em 1995, no Journal of Democracy, chamou a atenção da opinião pública e dos políticos. Bill Clinton, então presidente dos EUA, convidou-o para um encontro na Casa Branca e as opiniões do cientista político chegaram a influenciar passagens do seu discurso do State of the Union desse ano. (Pollitt, 1996). Mais tarde, seria ouvido e condecorado por outro presidente, Barack Obama, também eleito pelo Partido Democrata.

 

 

     Putnam apontava a deterioração do capital social – suportada em números que comprovavam o decréscimo de votantes e de participante em grupos, como a Cruz Vermelha ou a Liga das Mulheres Votantes – e apontava como causa a substituição da “long civic generation”, a geração das décadas de vinte e trinta do século XX, por uma de nascidos e criados depois da II guerra mundial, os “baby boomers”:

     “(…) o domínio numérico de uma geração confiante e cívica foi substituído pelo domínio de coortes post-cívicas... Desta forma, uma análise geracional leva quase inevitavelmente à conclusão de que é provável que continue essa quebra nacional da confiança e do comprometimento. (Putnam,1996)

 

     Críticos de Putnam, como Pollitt e Skocpol, atacaram o que consideraram o tom elitista da argumentação em que a responsabilidade do declínio do capital social era atribuída diretamente aos comportamentos de lazer das massas, e não às alterações económicas e políticas do establishment político e empresarial:

 

     “Quão irónico seria se, depois de deixarem as associações de cariz local, as mesmas elites empresariais e profissionais, que traçaram o caminho para o descomprometimento cívico local, se virassem agora para trás e argumentassem com sucesso que deveriam ser os americanos menos privilegiados, que elas abandonaram, a restaurar a interligação social da nação.” (Skocpol, 1996)

 

A Televisão na Teoria do Capital Social

     Segundo Putnam, o volume de capital social é determinado pelas práticas sociais, normas e relações de confiança que existem numa dada sociedade – sistema de participação que estimula a cooperação. Ou seja, quanto maior for a confiança dos cidadãos confiarem uns nos outros, além dos seus familiares, e quanto maior for a capacidade e o grau de envolvimento associativo num determinado grupo, maior será o volume do capital social.

 

     Para Norris, citando Putnam, a confiança social capacita os participantes a cooperar na busca de objetivos partilhados, pelo que “quanto mais nos interligarmos com outras pessoas, em interação face a face com a comunidade, mais confiaremos nelas.” (1996).

 

     Putnam centra o capital social no valor da comunidade e é muito claro quando afirma que essa capacidade associativa está a diminuir, assim como as atividades sociais e de lazer fora de casa. Por isso, as redes associativas de confiança e solidariedade podem combater os efeitos nefastos da mobilidade social e territorial, bem como as transformações demográficas e tecnológicas.

 

     É notória a evolução no pensamento de Putnam. Se no artigo “Bowling Alone: America’s Declining Social Capital”, o filósofo norte americano refere que, na revolução tecnológica, a Televisão é, provavelmente, a tecnologia mais poderosa, mas que privatizou o tempo de lazer: “(…) enable individual tastes to be satisfied more fully, but at the cost of the positive social externalities” (1995a), em “The Strange Disappearance of Civic America”, aponta a TV – embora ainda não certo de ter resolvido o problema –, como o principal suspeito do declínio do capital social na América: “TV watching ‘seems’ to inhibit  participation outside  the home”. (1995b), o que aconteceria em todas as idades, a par de um aumento do pessimismo sobre a natureza humana e consequências para as crianças.

 

     Mais: a Televisão, meio pouco capacitado para lidar com os aspetos mais complexos da política (Cappella & Jamieson, 1997; Patterson, 1998), segundo Putnam, poderá ter produzido uma visão mais cínica do mundo, fomentando a desconfiança entres os telespetadores, privilegiando notícias negativas no campo da política.

     Adorno já havia chamado a atenção para os efeitos da massificação da TV ainda na década de cinquenta:

     “Mass media also consist of various layers of meaning superimposed on one another, all of which contribute to the effect. [...] As a matter of fact, the hidden message may be more important than the overt since this hidden message will escape the controls of consciousness, will not be "looked through," will not be warded off by sales resistance, but is likely to sink into the spectator's mind.” (Adorno, 1954).

 

     Refletindo, não sobre a Democracia mas sobre o Totalitarismo, o filósofo e um dos expoentes da chamada “Escola de Frankfurt” – escola de cientistas sociais marxistas, mas que tanto criticavam o socialismo como o capitalismo, defendendo um caminho alternativo para o desenvolvimento social –, aponta no sentido contrário a Putnam. Para Adorno, nem chega a haver “cinismo” dos telespetadores, antes a crescente passividade e credulidade:

 “(…) suspeito muito do uso que se faz em grande escala da televisão, na medida em que creio que em grande parte das formas em que se apresenta, ela seguramente contribui para divulgar ideologias e dirigir de maneira equivocada a consciência dos espectadores”. (Adorno, 1995).

   

     Em “Social Capital Theory Television and Participation”, publicado no Journal of Media and Culture Studies, em março de 2006, o autor australiano, Steven Maras, usa um outro artigo, este do também australiano Alan McKee, para, como diz, “bring to light some of the prejudices surrounding television”. (Maras: 1)

    

     O texto de McKee é motivado pela campanha “Turn off a TV Week”, uma ideia da Associação norte americana TV Turnoff Network, e que iria acontecer no mês seguinte em diversos países, entre os quais a Austrália. Os ativistas incentivavam as pessoas a redescobrir as suas próprias vidas, porque “é mais interessante o que faz do que o que os outros fazem”, diziam. Em Portugal, o movimento foi promovido pelo Grupo de Ação e Intervenção Ambiental (GAIA), onde os organizadores, pela voz de Pedro Pereira, apontaram como objetivo “questionar o estilo de vida” dos “teledependentes” e onde “mais do que dar resposta, é colocar a questão e fazer com que o indivíduo reflita sobre o papel da TV no quotidiano” (Público, 2006). Em troca da Televisão, eram sugeridas atividades de enriquecimento pessoal ou em comunidade, voluntariado, leitura e desporto.

 

     McKee lança a pergunta: porquê só a Televisão e não os Livros? 

     “When I first heard about the campaign ‘turn off TV’, I tried to work out the logic behind it – but any reason you come up with for encouraging people to turn off TV works just as well for books, or many other parts of our everyday culture lives.” (McKee, 2002)

 

     Putnam já havia dado a resposta:  

     “Newspaper reading is associated with height social capital, TV viewing with low social capital. (…) In fact, more detailed analyses suggests that heavy TV watching is one important reason why less educated people are less engaged in the life of their communities.” (Putnam, 1996)

 

    Maras lança nova crítica a Putnam, pois entende que os estudos em Televisão têm pouco a dizer sobre a forma como Putnam a relaciona com o Capital Social: “And, to be fair, Putnam has little to say on those areas of popular television studies that not support his argument”. (Maras: 2), Por isso, o autor pretende demonstrar que é possível estabelecer um diálogo interessante entre os estudiosos da cultura popular e os teóricos do capital social. Daqui, Maras recorre a Scanlon, mas podemos citar Morin, que combinou o pessimismo da escola de Frankfurt com o otimismo dos teóricos americanos:

     “(...)um conjunto dos ‘dispositivos de intercâmbio cotidiano entre o real e o imaginário, dispositivos que proporcionam apoios imaginários’ à vida prática e pontos de apoio prático a vida imaginária”. (Morin, 1962)

 

     O filósofo francês apresenta a cultura de massas como um espetáculo e é pelo espetáculo que o imaginário se revela. Nem a cultura de massas, nem a teoria do capital social são monolíticas ou estáticas, como refere Maras, pelo que não devem conflituar, mas serem pontos de partilha para uma encruzilhada.

 

Bowling Alone – suspeitas confirmadas

     Se antes, Putnam indiciava a Televisão como “one prominent suspect against whom circumstantial evidence can be mounted” (1995b), pouco depois as dúvidas estavam desfeitas e de forma mais enfática anunciava: “I want to illustrate the sort of evidence that justifies the indictment. The culprits is television” (1996). A Televisão acabara de passar de suspeito a culpado.

 

     Em “Bowling Alone” (2000), Putnam faz uma abordagem diferenciada, separando a Informação e o Entretenimento, tratando os dois campos de forma diferente, embora, adiante, a distinção entre ambos esteja algo turva. Na obra que o tornou conhecido, discutido e polémico, Putnam insiste que a leitura de jornais reforça o engajamento cívico porque, diz, ler e assistir a notícias são atos complementares: “watching the news is not harmful to your civic health”. (Putman, 2000).

 

 

     Outros autores não concordam com tantas críticas à Televisão e apresentam provas em sua defesa. O norte americano Woolcock (2001), chama a atenção para o facto das teorias do capital social estarem a usar ideias velhas sobre roupagens novas e Hooghe (2002), o belga que estudou a sociedade holandesa, garante ter chegado à conclusão que “ver TV tem efeitos positivos” e que essa atitude estará associada positivamente – e não negativamente como insiste Putnam – com o interesse sobre a política.

     

Se, como Maras entende das palavras de Putnam, por um lado a Televisão é culpada porque compete pelo tempo disponível, tem efeitos que inibem a participação social e os conteúdos minam as motivações cívicas, por outro, as muitas horas passadas em frente ao ecrã estão associadas à solidão e às dificuldades emocionais e aqui já não é responsável por esses sentimentos negativos. No entanto, Putnam volta a apontar o dedo à Televisão, pois considera existir uma relação deste meio, enquanto principal forma de entretenimento, e a dependência que provocou o aumento dos relatos de dor de cabeça, ingestão e insónia. Putnam avisa ainda que a TV pode dar aos telespetadores uma falsa sensação de companhia e companheirismo. Por fim, se a Informação e o Entretenimento deverão ser separados, os assuntos públicos estarão no topo da escala pró cívica, mas a proliferação de canais segmenta, fragmenta e individualiza ainda mais, criando uma cultura de “water-cooler”.

 

     Putnam é taxativo: ver mais Televisão é proporcional à redução de qualquer forma de participação cívica e social. Na relação, o cientista e filósofo norte americano faz as contas: “cada hora adicional de TV significa uma redução de 10% aproximadamente na maioria das formas de ativismo cívico.” (2002)

 

     Mesmo considerando contextos sociais ou históricos e variáveis como a idade, a escolaridade ou a pobreza, para Putnam nada está mais associado ao abandono do compromisso cívico e a desvinculação social como o entretenimento em Televisão, pois, como diz Maras: ”In the end however, he is most interested in how either fosters social capital or not” (Comunicação Pessoal via email, janeiro 6, 2016).

 

Conclusões

     Quando se afirma que a Televisão serve o entretenimento, a informação e a educação, então pressupomos que entretenimento, informação e educação participam na formação do desenvolvimento humano. Como muitos outros inventos, a Televisão não é boa nem é má, reflete a sociedade que lhe é contemporânea. Quem faz a Televisão é a sociedade, pois a sua sobrevivência não seria possível sem uma resposta positiva da audiência. As pessoas que a programam e os interesses comerciais é que são responsáveis pela deturpação da sua finalidade original: cultura, utilidade pública e entretenimento saudável. A Televisão tem de ser levada a sério, mas não pode ser responsabilizada por tudo o que acontece de mal na sociedade e no mundo e pagar a conta sozinha.

 

     Para Norris, “assistir a programas de atualidade não parece ser prejudicial para a saúde de democracia e pode até ser benéfico”, pelo que “não devemos culpar a TV, por si só, para o desengajamento, mas sim pelo conteúdo” (2004).

 

     A Televisão é um meio omnipresente no quotidiano, pelo que não há qualquer área da vida em que não exerça a sua forte influência, seja pela relação causal e unidirecional da teoria de Putnam, seja pela visão de Tarrow, onde os níveis de confiança estarão mais relacionados às avaliações da população pelo que percecionam da ação dos atores políticos. De resto, Tarrow aponta um grave erro a Putnam: “a falta da agência Estado no livro Comunidade Democracia é uma das maiores falhas do seu modelo explicativo” (1996).

 

 

     Se Wolton reconhece a Televisão como um instrumento de informação democrático e igualitário, pois é “uma formidável janela aberta para o mundo” (1994), já para Popper e Coundry (1999) a Televisão é um perigo para a Democracia, pois tanto pode ser informativa, formativa, pedagógica, ética e solidária, como também facilmente se pode tornar desinformativa, inibidora de atitudes sociais e de participação política.

 

     Missika, um dos famosos profetas do fim da Televisão, anuncia que depois de ter sido “deslumbrante” e “mensageira”, a terceira fase da sua vida, aquela em que cada um necessita de reinventar a sua singularidade, pode ditar o desaparecimento do “velho” meio de comunicação, absorvido pela Internet e pela panóplia de dispositivos digitais. Também Putnan se congratula com a previsão que fez no final do século passado: “TV is being rapidly overtaken by the Internet, which barely existed when I wrote my book nearly 20 years ago”. (Comunicação Pessoal via email, janeiro 7, 2016).

 

     No entanto, Livingstone levanta a dúvida sobre se os meios tradicionais estão a ser ultrapassados, ou se as alegadas mudanças estão a ser exageradas. “If some say that the days of television are over, that the concept of the audience is becoming obsolete, others warn against getting carried away by the hyperbolic discourse of ‘the new’ neglecting significant historical continuities” (2004), até porque, e chama a atenção, para o fato da Internet facilitar tanto o “um-para-um”, como o “um-para-muitos” e tal não significar, necessariamente, a convergência ou a indefinição dos tipos de comunicação.

 

   Recentemente, lembrou Damásio num programa de televisão, que “os fabricantes de equipamentos foram os autores do discurso: ´bem, isto está a mudar tão rapidamente que vai ser uma transformação tremenda e a Televisão que nós conhecemos vai desaparecer´”. Não desapareceu e, hoje, a ubiquidade nos acessos, permite aos consumidores acederem a muitos dos conteúdos, onde e quando quiserem; “media are now used anyhow, anyplace, anytime” (Livingstone, 2004)

 

     Os media tradicionais não morreram, existem é, lado a lado com o não tradicional, interligados de uma forma que só agora começamos a perceber. A emergência dos self media e das plataformas móveis gerou um novo ecossistema mediático que engloba um complexo sistema de relações entre os velhos e os novos meios. Na perspetiva evolucionista mcluhaniana, há uma relação de continuidade entre os vários media e cada meio melhora o anterior, graças à assimilação de novas potencialidades tecnológicas: “o conteúdo de qualquer meio ou veículo é sempre outro meio ou veículo” (Mcluahn, 1996). Não se trata, portanto, de terminar o que já existe ou apenas de acrescentar algo ao que já existe, antes utilizar tudo o que já existe mas de formas diferentes que variam em função do ambiente.

 

 

 

     Tal como a Rádio não matou os jornais e a Televisão não acabou com a Rádio, as Televisões adaptam-se ao novo advento digital, como é o caso da BBC, o Serviço Público de Televisão britânico:

 

     “No longer is the elite and powerful and powerful mass broadcaster seeking to inform, entertain and educate the nation. Instead the BBC hopes to be ‘connecting communities’, ‘a facilitator of communities of interest online’, seeking to address and – significantly – to invite or ‘mediate user generated content’ from a diversity of audiences, local and global,  according to their specific interested and across a range of platforms including broadcasting and the Internet (Childs, 2003).

 

     A Televisão, com a evolução tecnológica e ligada a outras tecnologias de comunicação (rádio, computador, dispositivos móveis, etc.), penetrou ainda mais nas nossas vidas, disponibilizando desde o acesso à Internet e compras online, passando pelos jogos, teletexto e pesquisa, até às votações em concursos. Mais recentemente, convergindo com um segundo ou terceiro ecrãs, como foi o caso em Portugal com a RTP, a Televisão Pública, a lançar o “second screen”, segundo ecrã, através da aplicação “5i”.

 

     “A nova maneira de ver televisão chama-se 5i. RTP, é a 5.ª dimensão da caixa que mudou o mundo, que lhe traz aplicações móveis verdadeiramente interativas para instalar no seu telemóvel ou tablet e poder participar nos seus programas preferidos.” (Media RTP, 2014)

 

    

     O século XXI vive uma revolução tão profunda que fez com que a reflexão sobre a tecnologia voltasse, agora revigorada.

 

     “As disputas entre correntes sociológicas sobre quanto influenciam a família, a escola, os media, os empreendimentos culturais comerciais e não comerciais, são hoje reformuladas porque todos esses atores mudaram a sua capacidade de aproximar-nos ou distanciar-nos das experiências. Condicionamentos parecidos não geram gostos nem comportamentos semelhantes em pessoas que se socializaram na leitura durante a época da Televisão ou na da Internet” (Garcia-Canclini, 2008).

 

     Putnam lembra que quando a Internet entrou nas vidas dos americanos, o declínio dos vínculos sociais e a diminuição do engajamento cívico já tinha, pelo menos, vinte e cinco anos, pelo que as relações sociais simplesmente se tinham deslocado do espaço físico para o espaço virtual e, assim, “a Internet poderia fazer parte da solução do problema cívico ou ainda exacerbá-lo, mas a revolução cibernética não o provocou” (1996). Mais tarde, arremata: “É muito pouco o que se pode dizer, com segurança, sobre a vinculação entre capital social e a tecnologia da Internet” (2002).

 

     O capital social das redes é, justamente, a possibilidade de fazer parte dessa redes. Em contraponto à Televisão, o uso dos novos media é marcado pelo predomínio dos conteúdos sobre a forma (Livingstone, 2004). Se antes se falava de consumo dos media, de mensagens, de eventos e de informação, agora, com os novos media, o espectro abre-se para o seu uso, para consumo e produção. O utilizador pode ser isso mesmo: utilizador, mas pode constituir-se também como produtor e consumidor, dando corpo à expressão utilizada por Jenkins quando fala de “viewusers”, numa mistura premente de “viewers” e “users”, telespetadores e utilizadores (2002).

 

     Não partilhamos o pessimismo e nostalgia de Katz, quando avisa que: “ainda teremos saudades dos dias em que a Televisão juntava as pessoas (...) em que a Televisão criava uma espécie de Comunidade” (2000). A Televisão mantém centralidade e adaptação, pelo não vai desaparecer, antes “significa hoje ecrãs diferentes com conteúdos semelhantes”, podendo ser definida “pelos seus múltiplos ecrãs, por onde, na generalidade, se difundem conteúdos idênticos mas em graus de qualidade e facilidade de acesso diferentes” (Obercom, 2011).

 

 

     Segundo o estudo “Consumos de Media – 2015”, da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social, recentemente divulgado, “Cerca de 70% dos portugueses são consumidores de notícias, sobretudo através da televisão, a que se seguem os jornais impressos e as redes sociais”. Na análise “As novas dinâmicas de consumo televisivo em Portugal” (2015), as redes sociais desempenham também um papel relevante no consumo de notícias: ”80% dos que têm acesso à internet usam as redes sociais e 35% fazem-no também para consultarem aqui as notícias” (Idem). Nos mais jovens as redes sociais são mesmo a segunda fonte de notícias, depois da Televisão.

 

Bibliografia

Adorno, T. W. (1995), Televisão e formação. In Educação e emancipação. Janeiro: Paz e Terra. (Texto de debate na Radio de Hessen, transmitido em 1 de Junho de 1963 e publicado posteriormente em Volkshochschule im Westen, vol. 3, 1963).

 

Adorno, T. (1954), How to look at television. The Quarterly of Film, Radio and Television, Spring. Republicado em T. W. Adorno & J. M. Bernstein (1991), The culture industry. New York: Routledge.

 

Bourdieu, Pierre, and Wacquant, Loic J. D. (1992), An Invitation to Reflexive Sociology, Chicago: University of Chicago Press.

 

Childs, Greg. (head of Future TV, CBBC, BBC). (2003), Cell-phones and Mobile opportunities and Challenges: A broadcaster´s perspective. Paper presented to the Experts’ Meeting, Children, Mobile Phones and Internet, Mitsubishi Research Institute, Tokyo, 6-7 March.

 

Cappella, JosephN.; Jamieson, Kathleen Hall (1997), Spiral of Cynism. express and the public good. New York/Oxford: Oxord University Press.

 

Coleman, James. (1988), Social Capital in the Creation of Human Capital, American Journal of Sociology, Volume 94.

 

ERC, Entidade Reguladora Comunicação Social. (2016, fevereiro, 2), Consumos de Media 2015. Disponível em: http://www.erc.pt/pt/noticias/consumos-de-media-2015

 

Garcia-Canclini, N. (2008), Leitores, espectadores e internautas. São Paulo: Iluminuras.

 

Hooghe, Marc. (2002), Television and civic attitudes - the effect of television time, programmes and stations. In: Ethical Perspectives,Volume 9, issue 4, December.

 

Jenkins, Henry. (2006), Convergence Culture. Where Old and New Media Collide. New York and London. New York University Press.

 

Katz, J. (2000), Birth of a digital nation. Wired Magazine, Abril/Junho.

 

Livingstone, S. (1998), Making Sense of Television: The Psychology of Audience Interpretation, 2nd end. London: Routledge

 

Livingstone, S. (2003), The Changing Nature of Audiences: From the Mass Audience to the Interactive Media User. A. Valdivia (ed.) The Blackwell Companion to Media Research. Oxford: Blackwell 

 

Livingstone, S. (2004), The challenge of changing audiences: or, what is the researcher to do in the age of the internet? (online). London: LSE Research online.

 

Miranda, L. (2006,), Uma Semana para desligar a televisão e ligar a vida. Público (online). Disponível em: http://www.publico.pt/media/jornal/uma-semana-para-desligar-a-televisao-e-ligar-a-vida-75181

 

Missika, Jean-Louis (2006), La fin de la télévision. Paris: Éditions du Seuil et La République des Idées.

 

Morin, Edgar. (1962), L’Esprit du Temps I. Névrose. Paris: Grasset

 

Norris, Pippa; Davis, James. (2003), A transatlantic divide? Social capital in the United States and Europe. In: European Social Survey Launch Conference, brussels, november. Did television erode social capital? A reply to Putnam. In: PS: Political Science and Politics. XXIX (3) September 1996.

 

Obercom (2011b), Ecrãs em rede. Televisão: tendências e perspectivas. Lisboa: Autor.

 

Patterson, Thomas. (1980), The Mass Media Election: how Americans choose their President. New York: Praeger. “Time and News: the media’s limitations as an instrument of Democracy”. International Political Science Review (1).

 

Pollitt, K. (1996), “For whom the ball rolls”, The Nation.

 

Popper, Karl & Condry, Jonh (1999), Televisão: um perigo para a democracia. Gradiva. Lisboa

 

Portes, Alejandro (1999), Migrações Internacionais: Origens, Tipo e Modelos de Incorporação, Celta Editora, Oeiras.

 

Portes, Alejandro (2000), Capital Social: Origens e Aplicações na Sociologia Contemporânea, Sociologia, Problemas e Práticas, no 33, Oeiras, Setembro.

 

Putnam, R.D. (1993). Making Democracy Work. Civic traditions in modern Italy, Princeton NJ: Princeton University Press.

 

Putnam, R.D. (1995), Bowling Alone: America's Declining Social Capital,

Journal of Democracy, 6 (1), 65-78.

 

Putnam, R.D. (2000), Bowling Alone. The collapse and revival of American

community, New York: Simon and Schuster.

 

Putnam, R.D. (ed.) (2002), Democracies in Flux: The Evolution of Social Capital in Contemporary Society, Oxford: Oxford University Press.

 

Putnam, R.D. (1996), The Strange Disappearance of Civic America.

The American Prospect 7/24

 

Skocpol, T. (1996), Unravelling from above, Am. Prospect, 25.

 

Wolton, Dominique. (1994), Elogio do Grande Público. Uma Teoria Crítica da Televisão, Edições ASA, Porto.

 

Woolcock, Michael. (2001,. La importancia del capital social para comprender los resultados económicos y sociales. Disponível em: http://www.preval.org/documentos/00489.pdf

 

publicado por Luís Castro às 10:08
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Vendilhões do Templo

Temos vendilhões no Templo, aqueles que trocam o sagrado de bem governar e defender valores por um punhado de negócios.
 
Jesus expulsando os vendilhões – Wikipédia, a enciclopédia livre
 
Estamos assim tão desesperados?

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Nus mandados tapados

 

Governo italiano tapa estátuas de nus durante visita do Presidente do Irão - Mundo - RTP Notícias

O primeiro-ministro Matteo Renzi acedeu a um pedido expresso do líder iraniano, Hassan Rouhani. Mesmo assim, não se livrou de críticas muito duras da oposição.
 
http://www.rtp.pt/noticias/mundo/governo-italiano-tapa-estatuas-de-nus-durante-visita-do-presidente-do-irao_v891663#sthash.1fSGpHoN.dpuf
Luís Castro
 
 
publicado por Luís Castro às 17:37
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016

Síria: 5 anos em 60 segundos

Apelo hoje emitido por quase 100 organizações humanitárias e agências da ONU pelo fim da guerra na Síria.

A UNICEF, em comunicado, reforça o "apelo urgente" que já havia sido feito há 3 anos.

 

 

 “O derramamento de sangue continua. O sofrimento agrava-se”, por isso o apelo é agora reforçado, desta vez não dirigido aos governos mas sim aos cidadãos de todo o mundo.

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 16:35
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

Jornalistas não apareceram

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O general Loureiro dos Santos lançou      "A Guerra no meio de Nós" e nenhum jornalista lá foi, muito menos as Televisões.

 

Cheguei a casa e fui ver os Telejornais: todos atiraram a notícia do atentado do ISIS na Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, para o final.

 

Se nas redações não entendem a importância do que se passa para lá da nossa rua, dificilmente poderiam medir a importância do que esta tarde aconteceu na FNAC do Chiado.

O coronel Lemos Pires, um dos melhores oficiais que servem no Exército, apresentou o livro do general Loureiro dos Santos e chamou-lhe "um dos Senadores de Portugal".

 

O também filho do último governador de Timor Leste, relembrou o que ambos há muito partilhamos:

"Os mais novos precisam de referências e de quem lhes dê memória e contexto".

 

Os jornalistas não quiseram saber.

 

Luís Castro

 

 

 

 

publicado por Luís Castro às 22:48
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2015

Terminei o direto e chorei

Durante toda a tarde ouvi-lhe histórias e as enormes saudades que tinha da mulher e dos filhos. Até já lhes tinha comprado bicicletas para o Natal.

Recusei-lhe o convite para entrar no helicóptero e despedi-me. Segui de carro.

 

Quando cheguei a Dili… o sargento Fernandes estava morto.

Ele, de Penafiel, e o soldado Lopes, de Valpaços.

O Alouette da Força Aérea Portuguesa tivera um acidente minutos depois de eu ter desistido.

 

Quando terminei o direto no Telejornal, chorei. Muito.

 

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 18:48
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Terça-feira, 9 de Junho de 2015

Mais de 230 mil mortos na Síria

Entre os civis mortos, encontram-se pelo menos 11.493 menores e 7.371 mulheres.

 

Síria criançassssssssssssssssss.jpg

 

Do lado dos rebeldes, registaram-se no mínimo 72.363 baixas, entre as quais as de 31.247 combatentes estrangeiros que integravam grupos radicais como o 'jihadista' Estado Islâmico (EI) e a Frente al-Nusra, braço sírio da Al-Qaida.
 
Da parte governamental, contam-se 85.570 mortos: 49.106 membros das forças regulares, 32.533 milicianos pró-regime, 838 elementos do movimento xiita libanês Hezbollah e 3.093 milicianos xiitas de outras nacionalidades.
 

Síria soldados.jpg

 

O OSDH indica ainda a existência de 3.191 mortos de identidade desconhecida.
 
Durante os quatro anos de conflito, mais de 1,6 milhões de pessoas ficaram feridas e 11 milhões tiveram de abandonar as suas casas.
 

Síria pai.png

Síria 1.png

 
 
A organização ressalva que o referido balanço não inclui os mais de 20.000 desaparecidos nas prisões do regime, nem os 5.000 sequestrados pelo EI ou os 1.500 combatentes desta organização, da Frente al-Nusra e das forças curdas capturados durante os combates.
 
Ficam igualmente de fora os 7.000 prisioneiros do regime nas mãos dos rebeldes e os 2.000 raptados por fações islamitas acusadas de colaborar com as autoridades sírias.
 

Síria pistola.jpg

 

O OSDH, com sede no Reino Unido, conta com dados recolhidos por uma ampla rede de ativistas, combatentes e médicos espalhada por todo o país devastado pela guerra.
Notícia Lusa
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publicado por Luís Castro às 14:28
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2015

As mulheres na Arábia Saudita

O Reino saudita está a pressionar o sector privado, principalmente lojas e estabelecimentos frequentados  por mulheres que acabam por lhes negar o direito ao trabalho.

 

Hoje, os ministérios do Trabalho e do Comércio quiseram mostrar que as recomendações são para tomar a sério e fecharam 90 estabelecimentos num shopping com lojas maioritariamente para noivas.

 

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Nos próximos dois anos, todas as lojas que vendam roupas e perfumes femininos, sapatos e bolsas para mulheres devem ter mulheres a trabalhar.

 

Na Arábia Saudita o desemprego entre os homens é de apenas 6%.

Dos 1,2 milões de funcionários públicos, 38% já são mulheres.

 

O recentemente falecido rei Abdullah concedeu há 4 anos o direito de voto às mulheres, o que acontecerá pela primeira vez em agosto, nas eleições municipais.

 

mulheres

 

 

A Arábia Saudita continua a ser uma das ditaduras mais fechadas do mundo e com maiores desigualdades entre homens e mulheres. Publicamente, elas terão de estar acompanhadas por um homem - uma espécie de guardião.

 

Alguns líderes religiosos defendem que as mulheres não podem conduzir, pois tal propícia o convívio das mulheres com os homens que não seus maridos.

 

 

O reino saudita é o único no mundo que proibe as mulhesr de conduzir e estão igualmente probidas de entrar nos estádios de futebol. Recentemente uma fã de futebol vestiu roupas masculinas e cobriu a cabeça para que não fosse detetada pela segurança. Já na bancada foi denunciada e presa.

 

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Luís Castro

publicado por Luís Castro às 16:49
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Sábado, 6 de Junho de 2015

João Rendeiro absolvido

Sabemos que há duas Justiças: a dos Tribunais, lenta,

e a da Opinião Pública, rápida, em que os jornalistas são juizes e carrascos.

 

Mais uma lição a tirar por uma classe que continua a não refletir e prefere não discutir a necessidade de uma "Ordem dos Jornalistas".

 

Em 2009 escrevi sobre o "Não nos metam na Ordem"!

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/105552.html

 

"Esta decisão prova que a Justiça se faz nos Tribunais e não na comunicação social. Todos os que apostaram – e foram muitos – no populismo mediático e no julgamento em praça pública perderam. Venceu a prova produzida em Audiência de Julgamento, a Lei e o Direito e a convicção de que o julgamento se não faria nos Media mas sim no Tribunal", afirmou João Rendeiro em comunicado.

 

aaaaa

http://expresso.sapo.pt/economia/2015-06-05-BPP.-E-todos-o-tribunal-absolveu

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 01:05
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Reportagem Angola - 1999



Reportagem Iraque - 2005


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Afeganistão - 2010

Livros

"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


Sugestões para reportagem



Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
"10 Anos de Microcrédito" - colaboração

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