Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

A guerra que Obama escolheu

O presidente americano diz que a guerra do Afeganistão “vale a pena” e pede paciência.

 

 

Os generais querem um reforço de 40 mil homens no país para evitar o fracasso das operações militares e Obama concorda em enviar mais soldados para fazer a paz. Ingleses e espanhóis já prometeram um maior empenho na guerra.

 

O conflito do Afeganistão é cada vez mais impopular, só que para Obama “esta guerra não é uma escolha, mas sim uma guerra necessária”. Recentemente, em entrevista ao apresentador David Letterman, admitiu que a solução está longe de ser encontrada: “Uma coisa aprendi como presidente: se as soluções fossem fáceis, os problemas não chegariam à minha mesa”, acrescentou o presidente dos EUA.

 

Quem tem ideias para ajudar o Nobel da Paz a justificar o prémio que lhe foi atribuido recentemente?

 

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 13:20
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18 comentários:
De Filipa Pereira a 14 de Outubro de 2009 às 14:19
Olá Luís,

De facto, é difícil compreender como é que existem tão grandes "males" necessários. Mas esta ideia fez-me lembrar uma outra exposta no seu livro "Repórter de Guerra" relativa à necessidade da guerra (infelizmente!) para a obtenção da liberdade e desenvolvimento em Angola. E a verdade é que Angola cresce a olhos vistos. Esperemos, que (pelo menos) no final, o povo afegão possa ter a mesma, ou ainda melhor, sorte!

Abraço,
FP

PS: Acabei à poucas semanas de ler esse seu livro e achei-o simplesmente fantástico: uma escrita sem qualquer floreado, mas de uma leitura capaz de nos fazer abstrair da nossa realidade e entrar quase que corporalmente num outro "mundo". Parabéns por todo o seu trabalho como jornalista. Bem haja!
De Luís Castro a 14 de Outubro de 2009 às 14:43
Obrigado.

Sim, é verdade, o que Obama está a querer fazer no Afeganistão é o mesmo que José Eduardo dos Santos fez em Angola.
Em Angola, eram todos angolanos.
No Afeganistão já não é assim.

Bj
LC
De Socrates a 14 de Outubro de 2009 às 15:32
A verdade e' que Obama sabe do que fala e esta Guerra, apesar de ter comecado por outras razoes (Al-Qaeda, petroleo, gas, etc), e' neste momento o campo de batalha entre aqueles que, apesar de diferencas no modo de governar apoiam uma sociedade onde ambos os sexos deve ter direitos e deveres iguais e as pessoas no geral devem ser dotadas de liberdades fundamentais e uma sociedade onde as mulheres sao discriminadas e tem menos direitos que os homens.

Os EUA estao a pagar o erro de, por motivos meramente ideologicos, nao terem apoiado os Sovieticos quando estes invadiram o Afeganistao a pedido do entao governo progressista, que tinha acabado com um regime feudal e religioso para dar lugar a um regime pro-ocidental socialmente, onde as mulheres podiam andar de calcas de ganga e receber educacao superior (ainda hoje restam algumas das sortudas desses anos).

O problema e' que esse governo afegao era pro-sovietico, algo inaceitavel para os EUA.

Com o combate aos sovieticos (que cometeram bastantes crimes de guerra na altura a partir do momento em que comecaram a ver-se apertados), os EUA cavaram o buraco em que se encontram e o qual tentam agora tapar. A verdade e' que e' escolher entre isto e deixar uma sociedade voltar a reprimir as suas mulheres e outros que nao se identificam com a lei religiosa mas que chamam aquele pais o seu tambem.

Olhando bem, acho que esta guerra deveria ter uma base solida junto do publico feminino, pois apesar de todas as outras razoes, aquela que inicialmente desenvolvi e' uma realidade.
De Luís Castro a 15 de Outubro de 2009 às 21:00
Sócrates,
a questão não é o que foi,
mas sim o que será.
E será com mais soldados que a guerra irá acabar?
Ab.
LC
De lionce a 14 de Outubro de 2009 às 15:55
Olhem so o que esta porca fez
http://www.youtube.com/watch?v=QnrVZkKOOt0
De Luís Castro a 15 de Outubro de 2009 às 21:00
Visto.
LC
De A Mona Lisa tinha Gases a 14 de Outubro de 2009 às 18:17
Ahah! O cartoon está muito bom!
De Luís Castro a 15 de Outubro de 2009 às 21:02
Pois está!!!
LC
De azoth a 15 de Outubro de 2009 às 04:59
Por vezes, dou por mim a pensar que as guerras além de ser um bom negócio para os fabricantes de armas também são uma boa maneira de limpar as ruas dos States de jovens indesejáveis. São só pensamentos.
De Luís Castro a 15 de Outubro de 2009 às 21:03
Encontrei uns quantos desses no deserto do Iraque em 2003.
Ab.
LC
De Virgínia a 15 de Outubro de 2009 às 08:37
Bom dia Luís
Todas as guerras causam sofrimentos terríveis.
As populações dos paises em guerra são as que mais sofrem.
Os rapazes, quase uns miúdos, são mandados defender/atacar um país desconhecido e longínquo.
As famílias desses jovens ficam destroçadas, e mais destroçadas ainda quando os recebem, de volta, envoltos numa bandeira.
Tive um primo, o mais jovem piloto aviador de sempre da nossa Força Aérea, que morreu no dia 30 de Setembro de 1972, em Moçambique.
Andava a lançar mantimentos para as tropas e o avião foi abatido.
Passados mais de trinta anos, é ver o desespero e sofrimento da mãe.
E para quê as guerras?
Os bandidos nunca acabam... e os grandes interesses também não.
E os rapazes continuam a morrer...
Eu sou do tempo da horrorosa guerra do Vietname e pergunto: o que foram lá fazer os Americanos?!
E os rapazes da minha geração que morreram em Angola, em Moçambique, na Guiné e em Timor?
Tudo em vão! Foi só a vontade de políticos e o acordo dos Generais e afins que recebiam chorudas quantias e só beneficiavam com a guerra.
Também sou do tempo do Woodstock: Peace and Love!
Beijo
De Luís Castro a 15 de Outubro de 2009 às 21:05
Os americanos travam no Afeganistão a segunda guerra mais longa da sua história.
Bj
LC
De Pedro Oliveira a 15 de Outubro de 2009 às 09:00
Com a Alqaeda sem dinheiro como lemos estes dias é fundamental que se tente acabar rapidamente com essa gente.Não sou propriamente contra a guerra do afeganistão pois penso que pode estar ali muito dos problemas do terrorismo.Mas quanto a ele ser o nóbel da paz...
abr
De Luís Castro a 15 de Outubro de 2009 às 21:06
Pode faltar dinheiro à al-Qaeda, mas definitivamente não falta dinheiro aos Talibãs.
O controlo e o tráfico de ópio dá para sustentar uma longa e violenta guerra contra os "invasores".
Ab.
LC
De Pedro Oliveira a 16 de Outubro de 2009 às 12:06
Não haverá forma de fechar a "torneira" também aos talibãs? Ou será que não dá jeito a "alguéns"?.
abr
De Luís Castro a 16 de Outubro de 2009 às 14:06
É difícil.
Mas há sempre alguém a lucrar com as mortes dos outros.
Ab.
LC
De Ana Paula Albuquerque Almeida a 16 de Outubro de 2009 às 18:09
Olá Luís,

Não me parece que a guerra no Afeganistão possa considerar-se tão simplesmente uma "escolha" de Obama. O que está a passar-se naquele país é demasiado grave para eu poder admitir que foi apenas uma questão de escolha.
Quanto a ter ideias sobre o prémio que lhe foi atribuído recentemente, não as tenho, a menos que as dúvidas possam ser consideradas ideias. Será que a votação é assim tão secreta? Hum!!! Não terá havido umas fugazitas entre os votantes com a intenção de exercer alguma pressão?
Fiquei baralhada, confesso! Acho que Obama tem muita vontade de mudança mas ainda não avançou muito para além do campo das intenções, pelo que considero que ou houve precipitação ou foi, de facto, intencional.

Bjs
De Luís Castro a 21 de Outubro de 2009 às 16:32
Ana,
as razões manifestadas para manter e reforçar a guerra no Afeganistão são muito duvidosas.
Bj
LC

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Reportagem Guiné - 2008


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Luís Castro
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Jornalista desde 1988
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- Colaborações em Rádio:
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- Colaborações Imprensa:
Expresso
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RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
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Obras publicadas:
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