Domingo, 20 de Dezembro de 2009

"intriga mesquinha"; "incómodo"; "desagrado" ...

 

Até hoje evitei escrever sobre mais este episódio entre Belém e S. Bento.
E assim vou continuar, mas não resisto a relembrar Eça de Queiroz, in “Distrito de Évora”, em 1867.
 
«A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.

A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.

À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos (...), insaciáveis dos gozos da vaidade.»
 
Luis Castro
 
*** Este post não tem destinatário específico!
Escrevo isto porque volta e meia vêm ao blogue uns "inteligentes" para interpretar os meus textos à luz das suas conveniências...    
publicado por Luís Castro às 22:55
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18 comentários:
De Maria a 21 de Dezembro de 2009 às 01:29
Eu já disse qualquer coisa no seu twitter.
E pelo sim, pelo não (que eu também não sou saloia de todo), também optei pelas "citações"...
Mas.......
Não reparei (juro), na parte dos asteriscos , mais concretamente dos "inteligentes"!
Bem...Assim sendo e ainda que não me pese algo de muito significativo na consciência, se calhar não será pior ideia eu passar a comentar os assuntos em debate... em forma de "transcrições" de outrem.
Realmente, fica muito mais fácil.
Não temos que puxar pelos neurónios.
Basta citar... que é como quem diz...copiar o que "outros" já disseram.
Só que essa forma de actuar, salvo melhor opinião, poderá entender-se e até se aceita, vinda do (chamemos-lhe assim), moderador do Blogue.
Nisso, Luís Castro tem razão.
Todavia, penso eu, esse não será o papel dos que o visitam e querem opinar...dizer qualquer coisa.
Agora...más interpretações ao que o "dono do Blogue"diz/ lança como tema?...NÃO!!!!! Óbvio!
Mas cada um expressar a sua (própria) opinião ou visão do assunto...SIM!!!
Um abraço.
Maria
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2009 às 13:13
Não tenho qualquer problema em escrever sobre este ou outros assuntos,
mas já estou farto destas "fugas de informação" (in)convenientes.
Só por isso.
Não me interessa quem tem culpa ou quem tem razão, apenas sei que há temas bem mais importantes com os quais nos devemos preocupar.
Quanto a esta troca de acusações, parece-me que Belém não terá aprendido com o que se passou há uns meses.
No entanto, como não acompanhei a fundo a polémica (por opção), não vou tecer comentários.
Bjs
LC


De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2009 às 13:14
Assim,
achei interessante recuperar este texto.
Parece-me bem actual e retrata alguns dos nossos políticos actuais.
Bj
LC
De Maria a 21 de Dezembro de 2009 às 17:36
O tempo provará à saciedade, espero que haja condições aqui no blogue e saúde que a nossa visão da "vida"... tem muito em comum.
Por isso, o entendo tão bem...
Claro que tal não significa...unanimidade em todos os problemas que a sociedade nos apresenta.
...E ainda bem que assim é!
Cá em casa... também é assim e por vezes...de que maneira!!!
Acredite!
Bom Natal para toda a Família.
"A Big Hug ".
Maria
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2009 às 17:48
Obrigado, Maria.
Para si e para todos tb um Natal cheio de coisas boas!
Bjs
LC
De Isabel Silva a 21 de Dezembro de 2009 às 14:19
Caro Luís,


Já tinha saudades que espicaçasse, lamento ter mudado a rota de intervenção do seu blog, por motivos maiores, como todos compreendemos.
Ainda assim não deixo de estar atenta, e de ler todos os seus posts com atenção e reflexão.


Um abraço

Boa quadra,


Isabel Silva





De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2009 às 14:38
Isabel,
não mudei rota coisa nenhuma!
Apenas porque estou farto de uma polémica sem sentido.
mas o post é para voc~es porem cá fora o que sentem e pensam!!!
Bjs
LC
De RUI FERREIRA a 21 de Dezembro de 2009 às 14:41
até ao mais alto nível há polémica o que demonstra pouca qualidade intelectual e não só. um pequeno exemplo de que prevalecem mais os inteesses pessoais doque políticos.
o sr rangel ainda continua por cá. foi ou não eleito para as europeias???
o sr. presidente é fácilmente influênciável....está tudo dito...mais "mexidas" na merda para quê???
um abraço lc
rui
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2009 às 17:22
Os deputados que são eleitos para o Parlamento Europeu nunca desligam da política nacional.
Para o bem e para o mal.
Ab.
LC
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2009 às 18:47
Chamaram-me a atenção (no twitter) para outros textos tb de Eça de Queiroz e que transcrevo:

Todo o jornal destila intolerância, como um alambique destila álcool, e cada manhã a multidão se envenena aos goles com esse veneno capcioso. É pela acção do jornal que se azedam todos os velhos conflitos do mundo—e que as almas, desevangelizadas, se tornam mais rebeldes à indulgência.


A sociabilidade incessantemente, amacia e arredonda as “divergências humanas, como um rio arredonda e alisa todos os seixos que nele rolam: e a humanidade, que uma longa cultura e a velhice tem tornado docemente sociável, tenderia a uma suprema pacificação—se cada manhã o jornal não avivasse os ódios de Princípios, de Classes de Raças, e, com os seus gritos, os acirrasse como se acirram mastins até que se enfureçam e mordam.

O jornal exerce hoje todas as funções malignas do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o Pai da Mentira, mas o Pai da Discórdia. É ele que por um lado inflama as exigências mais vorazes—e por outro fornece pedra e cal às resistências mais iníquas. Vê tu quando se alastra uma greve, ou quando entre duas nações bruscamente se chocam interesses, ou quando, na ordem espiritual, dois credos se confrontam em hostilidade: o instinto primeiro dos homens, que o abuso da Civilização material tem amolecido e desmarcializado, é murmurar paz! juízo! e estenderem as mãos uns para os outros, naquele gesto hereditário que funda os pactos. Mas surge logo o jornal, irritado como a Fúria antiga, que os separa, e lhes sopra na alma a intransigência, e os empurra à batalha, e enche o ar de tumulto e de pó. O jornal matou na terra a paz. E não só atiça as questões já dormentes como borralhos de lareira, até que delas salte novamente uma chama furiosa—mas inventa dissensões novas, como esse anti-semitismo nascente, que repetirá, antes que o século finde, as anacrónicas e brutas perseguições medievais. Depois é o jornal...

Eça de Queirós, in 'A Correspondência de Fradique Mendes'
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2009 às 18:48
E mais:

«Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e já irradicável hábito dos juízos ligeiros. Em todos os séculos se improvisaram estouvadamente opiniões: em nenhum, porém, como no nosso, essa improvisação impudente se tornou a operação corrente e natural do entendimento. Com excepção de alguns filósofos mais metódicos, ou de alguns devotos mais escrupulosos, todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente do penoso trabalho de reflectir. É com impressões que formamos as nossas conclusões. Para louvar ou condenar em política o facto mais complexo, e onde entrem factores múltiplos que mais necessitem de análise, nós largamente nos contentamos com um boato escutado a uma esquina. Para apreciar em literatura o livro mais profundo, apenas nos basta folhear aqui e além uma página, através do fumo ondeante do charuto.

O método do velho Cuvier, de julgar o mastodonte pelo osso, é o que adoptamos, com magnífica inconsciência, para decidir sobre os homens e sobre as obras. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que esplêndida facilidade exclamamos, ou se trate de um estadista, ou se trate de um artista: «É uma besta! É um maroto!» Para exclamar: «É um génio!» ou «É um santo!», oferecemos naturalmente mais resistência. Mas ainda assim, quando uma boa digestão e um fígado livre nos inclinam à benevolência risonha, também concedemos prontamente, e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito, a coroa de louros ou a auréola de luz.

Eça de Queirós, in 'Cartas de Paris'»
De Arlindo Ferreira a 21 de Dezembro de 2009 às 21:48
Olá Luís Castro.
entre coimas, já lhe arrangei mais um(cliente).
Meu caro Luís castro, este folhetim criado por alguns comunicadores, com todo o respeito ,que os que o merecem me perdoem, mas a politica é tudo na vida, na latitude da palavra, mas estes comunicadores, que mais não sabem fazer que é intoxicar as mentes mais debeis, esploram e porque tem (clientes ) para esse fim mais não fazem que é explorar o que existe de mais mesquinho e, réles, nas sociadades,INFELIZMENTE, porque (toda esta polémica) não passa de feitores de fraca intelectualidade, (venderem) suas ideias fracas e preversas ao Zé povinho. abs Arlindo (que me perdoem os mais atentos por algum erro, e´que tenho pouco tempo para construir boas frases e sem erros)
De Luís Castro a 22 de Dezembro de 2009 às 00:40
Nao se preocupe com isso.
Ab.
LC
De Márcia a 22 de Dezembro de 2009 às 16:13
Olá Luís, já vi que o post é para colocarmos cá fora o que "nos vai na alma", mas garanto-lhe, neste momento estou com um asco tal à nossa classe dirigente, às designadas elites portuguesas, sejam estas intelectuais, económicas, políticas ou o que quer que seja, que só me ocorrem impropérios de fazer jus à fama que tem a linguagem dos nortenhos! A sério... parecemos uma sociedade esquizofrénica, vemos fantasmas em todo o lado, criamos casos a propósito de tudo e nada e continuamos sem resolver imensos problemas que não irão desaparecer por obra da "divina graça". A ajudar à festa, não chegasse a incompetência de quem nos dirige (não o governo em particular, mas toda a classe politica) e a nossa própria inépcia enquanto sociedade para exigir e contribuir para encontrar soluções, julgo que se está mesmo a "esticar a corda" ao limite. Não conseguimos respeitar as instituições e começamos a não nos conseguir respeitar enquanto "todo", basta ver o centralismo que nos dirige e o rancor, mais ou menos expresso que este está a criar em determinados sectores. Já tenho dito em conversa com amigos que as coisas estão a azedar de tal forma enquanto a corda continua a ser esticada, que quando em Lisboa (em Lisboa apenas por ser onde se concentra a "elite" que comanda o país) se derem conta disso vai ser tarde. Parece que não é politicamente correcto dizer isso e ainda há muito quem pense que isto são apenas ódios semeados pelo futebol...preferia que fosse só mesmo isso, mas na minha opinião as coisas já passaram há muito essa fronteira e estamos já a viver o "nível seguinte". Tenho muitas dúvidas do que resultará para o país depois disto...mas eu hoje estou mesmo amarga, tenho-me irritado nos últimos dias sempre que vejo os jornais ou telejornais, seja com as atitudes do governo, como da oposição, Presidente, e até com a inaptidão do próprio poder local para mandar fazer coisas tão simples como limpar cursos de água, sarjetas e obrigar a cumprir as normas de construção de forma a evitar que sempre que haja temporal imensas pessoas fiquem com a casa destruída...Arre...mas será possível que ultimamente não façamos mesmo nada de jeito? Ou simplesmente não há vontade de divulgar o que se faz bem?
Valha-nos ao menos que hoje, de acordo com notícia da do telejornal das 13h da RTP, já saiu o Pai-Natal da Lapónia para começar os trabalhos...
Mudando se registo, um excelente Natal para si e para todas as pessoas que visitam e/ou comentam no seu Blog.
Bjinhos
De Luís Castro a 22 de Dezembro de 2009 às 20:51
Márcia,
obrigado e igualmente!
Bjs
LC
De Luís Castro a 25 de Dezembro de 2009 às 22:35
O Natal, foi bom?
Bj
LC
De MAVC a 26 de Dezembro de 2009 às 23:48
À deriva...

Quando gastam, gastam o que não é deles, mas sim daqueles que efectivamente produzem, e que com o seu labor diário sustentam o estado e todos os dependentes, sejam ricos ou pobres, pois todos eles pedem, uns de uma maneira, uns de outra, e assim lá vai o dito estado que para dar a estes dois grupos de dependentes, tira a quem mais precisa...
De Luís Castro a 27 de Dezembro de 2009 às 02:16
Visto.
LC

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Reportagem Angola - 1999



Reportagem Iraque - 2005


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Afeganistão - 2010

Livros

"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


Sugestões para reportagem



Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
"10 Anos de Microcrédito" - colaboração

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