Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

A RTP Na Linha de Frente do combate aos Talibãs

O Afeganistão é um cemitério de previsões falhadas.

 

A estratégia até agora foi um fracasso.

Com o general McCrystal

o objectivo passou a ser conquistar a paz e não ganhar a guerra.

 

E porquê?

Porque apesar de ser um dos países mais pobres e inóspitos do mundo,

é aqui que está o ponto geopolítico entre o Oriente e o Ocidente.

O que acontece no Afeganistão tem sempre influência directa ou indirecta no Ocidente.

 

Os Talibãs olham a modernidade como algo que é contra a religião, impondo uma visão medieval do Islão.

Eles dominam o palco e nunca irão para a mesa das negociações enquanto sentirem que estão a ganhar.

 

"Embedded" com as forças especiais americanas na linha da frente.

 

 

Numa aldeia referenciada como abrigo dos Talibãs.

 

 

Com crianças na mesma aldeia.

 

 

Pequena pausa na patrulha de combate.

 

 

Timur Shá, um afegão que gostou de ver os americanos. Diz ele...

 

 

Um soldado afegão que diz estar pronto para combater os Talibãs. Diz ele...

 

 

Num check-point da polícia militar a 20 Km de Kandahar.

 

 

No final da patrulha, o sargento Holmes propôs-me uma troca...

 

 

Luís Castro

 

publicado por Luís Castro às 21:05
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94 comentários:
De bluewater68 a 24 de Fevereiro de 2010 às 09:02
Luis "Rambo" Castro (não resisti a propósito da última foto),
creio que a chegada do general McCrystal terá sido a melhor coisa que aconteceu no desenrolar deste conflito. Além do objectivo ser «conquistar a paz e não ganhar a guerra», até já houve indícios de conversações no sentido de levarem os Talibãs a negociar uma paz desejada por todos. E esta última grande ofensiva terá sido um rude golpe em quaisquer aspirações dos Talibãs que não seja para obter através da negociação. Tiveste conhecimento de valores que estejam a ser dados a Talibãs para desertarem? Ou melhor ainda, tiveste algum contacto com um ex-conbatente Talibã que tenha mudado de lado?
«Um soldado afegão que diz estar pronto para combater os Talibãs» quando? A vontade pode existir, mas e a capacidade para o fazer?
Abraço
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:27
A capacidade é muito pouca.
Não falei com desertores ou "convertidos".
As verbas, não as tenho presentes de memória, mas tenho em casa no meu bloco de notas.
depois respondo.
Ab.
LC
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:56
Afinal tinha comigo.
O fundo de reinserção será de 140 milhões de dólares.
Eles dizem que não é "comprar os talibãs, mas sim compensar financeiramente os que renunciem à violência e às ligações à al-qaeda.
A decisão foi tomada na conferência de Londres.
Ab.
LC
De Genny a 24 de Fevereiro de 2010 às 09:47
Relativamente à última foto, qual das armas é mais fácil de manejar? eh eh
Esse povo não muda mesmo. Como dizes é um país muito pobre e preferem viver à sombra de ideologias fanáticas do que investir no desenvolvimento do país e no bem estar de todos. Costumas conversar com as crianças? O que é que elas te perguntam?
Tudo de bom!
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:30
Prefiro a minha "arma".
Quanto às crianças, elas não t~em consciência do que as rodeia.
Em Kabul, na casa dos 20 e tal anos, os jovens já percebem de política e sabem que não querem o regresso dos Talibãns.
Bj
LC
De maria a 24 de Fevereiro de 2010 às 10:18
Olá Luis

todos os momentos de pausa devem ser aproveitados para descontrair e essa troca de material para a foto bem o prova :)
xi
maria de são pedro
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:30
Isto não é só guerra...
Bj
LC
De Paulo Maia a 25 de Fevereiro de 2010 às 16:33
Quando voltas?

Queria falar contigo.

1 abraço e cuidadinho por ai...

Paulo Maia
De Luís Castro a 3 de Março de 2010 às 15:32
Liga.
Ab.
LC
De bluewater68 a 24 de Fevereiro de 2010 às 10:56
Luis, um artigo de James Bays, que fala do "Pesadelo de McChrystal", a propósito da recente morte de 12 civis na ofensiva de Moshtarak, onde saliento esta parte:
«The effect of civilian casualties is cumulative. Today's awful tragedy just reinforces memories of so many other incidents in the last eight and a half years.
General McChrystal planned Operation Mostarak as a new start for his force. This is a very serious set-back.»
http://blogs.aljazeera.net/2010/02/22/mcchrystals-nightmare
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:44
Obrigado.
Vou ver.
LC
De Anónimo a 24 de Fevereiro de 2010 às 11:09
Quando será a reportagem na RTP?
Abraço.
Neide Barbosa
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:46
Ainda não tem data marcada.
Será na próxima semana ou na seguinte.
Bj
LC
De Cristiano Moreira a 24 de Fevereiro de 2010 às 11:09
A troca não é grande coisa, mas aí deve dar mais jeito a arma. Adorei, mais uma vez, o texto.
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:46
Por aqui as armas são mais úteis... pelo menos no imediato.
Ab.
LC
De Ana Albuquerque Almeida a 24 de Fevereiro de 2010 às 11:15
Bom dia Luís,

“Os Talibãs olham a modernidade como algo que é contra a religião, impondo uma visão medieval do Islão. Eles dominam o palco e nunca irão para a mesa das negociações enquanto sentirem que estão a ganhar”.
Citando estas tuas frases, é precisamente esta a ideia que tenho. E de tudo quanto tenho lido sobre este tema, resulta sempre a mesma conclusão, ou seja, quaisquer tentativas de aproximação (se é que têm sido feitas e de forma adequada, pois também tenho dúvidas), têm-se revelado infrutíferas, aparentemente. Então pergunto: tendo em conta o fanatismo daquela gente e sérias dúvidas quanto à vontade que alguns afegãos mostram em combater os talibãs, o que será feito daqui por diante se tudo o que foi feito até aqui não resultou?

Bjs
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:48
Dar educação/conhecimento e melhores condições de vida.
É a única solução.
A via militar não poderá nem deve ser a única.
Bjs
LC
De Ana Albuquerque Almeida a 24 de Fevereiro de 2010 às 15:31
Obviamente que concordo contigo mas penso que tal só será possível se, como dizes num comentário anterior, os jovens de 20 e poucos anos que rejeitam os talibãs não se limitarem a rejeitar essa seita e estiverem também dispostos a abdicarem de fundamentalismos, religiosos e sociais, que os têm impedido de desenvolver a todos os níveis. E há outras questões que não te coloco, porque senão não fazes mais nada, mas que mantém as minhas dúvidas quanto a quaisquer mudanças naquela região.
Francamente, ao fim de cerca de 40 anos em conflito permanente, se não me engano, achas que há alguém interessado numa solução como aquela que apresentas? Como se justifica que ao longo de todos estes anos tenham intervindo diferentes forças militares e vermos, no séc. XXI, aquele povo a viver quase como se estivesse na Idade Média?

Bjs
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 22:04
Porque o poder das armas dos invasores e dos grupos armados que se defrontaram ao longo das últimas décadas destruiram todas as infraestruturas (poucas) do país.
O radicalismo, fundamentalismo e regimes ditadura nascem do caos.
É assim em todo o mundo, também quando apareceu a ditadura em Portugal
Bj
LC
De Ana Albuquerque Almeida a 25 de Fevereiro de 2010 às 16:11
É evidente que assim é, Luís, e é de lamentar que assim vá continuar porque não acredito no contrário. O caos é muito mais rentável do que a ordem!
Obrigada pela troca de opiniões/informações. É sempre útil e agradável a troca de idéias e de conhecimentos, sobretudo quando vêm de quem sabe tanto ou ainda mais do que eu.

Um beijinho

De Luís Castro a 3 de Março de 2010 às 15:31
Bjs
LC
De susy costa a 24 de Fevereiro de 2010 às 11:53
Bom dia,
como sempre o L.C. é comunicador exemplar, por isso obrigado, e espero que seja para breve a exibição da reportagem.
As fotos estão muito bonitas.

Bjs, Susana
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:48
Obrigado.
Bjs
LC
De RUI FERREIRA a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:29
os talibans como muitos povos ainda em desenvolvimento considera a religião mais avançada,mas não deixa de ser oprimente como pretexto para subjugar tudo e todos, até mesmo o próprio povo. isso passa de geração em geração e nenhuma força conseguemodificar. talvez inicindo uma negociação no sentido de tentar modificar os hábitos de vida alterando aldeias, dando-lhes condições para viver aos poucos a mentalidade mudava.....
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 13:50
Como disse no comentário anterior,
a solução passa por dar conhecimento, educação e melhores condições de vida.
Ab.
LC
De RUI FERREIRA a 25 de Fevereiro de 2010 às 12:27
estou de acordoconsigo só desta forma se consegue mudar....mas vai levar algumtempo prevejopelomenos uns 1o anos.... começando agora com a geraçãodos 20 anos....tive essa experiência em áfrica chamada acção psicológica lançando planfletos nas zonas mais críticas no dakota a no final de dois anos 68/70, os frutos iam aparecendo....
De Luís Castro a 3 de Março de 2010 às 15:31
Abraço
LC
De maria moura a 24 de Fevereiro de 2010 às 14:03
Mas se Talibã é um movimento islamista extremista nacionalista que só governou o Afeganistão entre 1996 e 2001 com apenas reconhecimento de 3 países: Emirados Arabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão, como podem ainda ter tanta influência, actualmente? Religião! Parece que ser talibã é uma forma de estar na vida, e vai levar anos e anos aos Afegãos conseguirem libertar-se desta opressão (fundamentalismo). Mas será que o povo Afegão quer libertar-se? Se sim, então o Ocidente tem que fornecer armas para TODA a população combater tal movimento. E aí sim os talibãs serão banidos. Se em Portugal a ditadura salazarista durou 48 anos, até que se conseguisse uma revolução com sucesso (democracia), para não falar da maçonaria desde o sec. XVIII, penso que o Afeganistão, não é um caso perdido, mas demorará uma eterna eternidade, conseguir que toda a população tenha acesso à educação, tenha liberdade de opinião e opção e que acima de tudo tenham acesso e adoptem a civilização. E se a Russia e os EUA se mudarsem para o Afeganistão, na integra e não só uns milhares de soldados, como se fosse uma invasão ET. Mas e que fazemos a todas as outras questões... que estão por trás de tudo isto..., nem me vou alongar mais...
bj
mmoura
De Luís Castro a 24 de Fevereiro de 2010 às 21:58
Claro que há interesses.
Insisto:
o general McChrystal trouxe uma visão séria, realista e possível à guerra do Afeganistão:
o engajamento da componente civil como pilar fundamental.
Não é apenas com armas que se combate naquele país.
Quem o fez perdeu.
Bjs
LC
De maria moura a 25 de Fevereiro de 2010 às 00:29
Claro que sim Luis, faz todo o sentido. Parece ser uma alternativa bastante inteligente. Obrigada pela sua paciência!
bj
mmoura
De Luís Castro a 3 de Março de 2010 às 15:26
Bjs
LC

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Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
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RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
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Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
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Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
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"Os Dias de Bagdade" - colaboração
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