Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Nada de mais errado!

Ontem ouvi comentários que me deixaram verdadeiramente irritado.

Dizer que candidaturas como as de Fernando Nobre e de José Manuel Coelho são más para a democracia porque, dizem “a política faz-se com políticos e com partidos”.

Mais: que quem votou em José Manuel Coelho "merece a democracia que tem".

 

1º – A democracia não é exclusiva dos partidos e dos políticos.

E ainda bem que não é.

Se fizermos as contas, só 20% dos eleitores escolheram candidatos apoiados por partidos.

2º – Votar em Coelho foi uma atitude de protesto de quem não se revia nos restantes.

3º – Entre quem ficou em casa, quem votou em branco e quem anulou os seus votos, encontramos 60% dos eleitores.

4º – Em termos absolutos, Cavaco Silva é o chefe de Estado eleito com o menor número de votos e também com a menor percentagem numa reeleição.

 

Será que alguém vai tirar conclusões?

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 21:18
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17 comentários:
De Sócrates Vicente a 24 de Janeiro de 2011 às 21:36
"Chegou a corrupção dos costumes a tal estado que os poderosos têm ódio a quem repreende suas injustiças" - Padre António Vieira
De Miguel Pedro Araújo a 24 de Janeiro de 2011 às 21:46
Meu caro
Concordo consigo quase, quase, em tudo.
Apenas discordar de dois aspectos.
Tenho alguma dificuldade em entender e classificar os votos nulos, principalmente inclui-los na área do protesto.
Quem passar pela experiência de contagem de votos (mesa eleitoral) sabe que há votos nulos porque a cruz ficou fora do local, está mal feita, ou porque laguém escolheu um candidato, riscou e escolheu outro, bem como o facto de poder haver algum rigor interpretativo da lei por parte dos elementos da mesa. Para além, de facto, das inúmeras (e algumas divertidas) inutilizações propositadas.
Quanto ao facto de Cavaco Silva ter sido eleito com a menor quantidade (valores absolutos e percentuais) de votos, não retira legitimidade. Porque só se abstém quem não quer ou não pode votar. E a esses é que cabe a responsabilidade do facto.
Até porque mais expressivo e interventivo é o voto em branco.
E quanto à abstenção importa referir ainda que a indiferença não visa apenas Cavaco Silva. Visa o governo, visa os partidos, visa os outros candidatos e visa a política em geral.
Só assim se percebe, por exemplo, que o PCP/Francisco Lopes não tenha ganho nos distritos tradicionalmente comunistas: Setúbal e Beja.
Já vai longo... Abraço
De Jorge Soares a 24 de Janeiro de 2011 às 22:12
Luís, haveria muitas conclusões a retirar, mas há algo que para mim é muito claro, o povo está-se a marimbar para quem o governa. Há quem interprete a abstenção como um descontentamento com estes candidatos, a verdade é que a abstenção é um fenómeno que vai crescendo de eleição para eleição.. e transversal a legislativas, autárquicas e presidenciais... não tem a ver com candidatos ou com partidos, tem a ver com cultura politica, ou mais concretamente com a falta dela.

As pessoas não querem saber, estão-se nas tintas para a politica, os partidos ou quem os governa. Quando consultados repetem as frases feitas do costume, são todos iguais, só querem tachos, e coisas pelo estilo... falta a este povo um sentido critico, falta cultura politica .. é isso que leva à abstenção.

Jorge Soares
De filha do administrador a 25 de Janeiro de 2011 às 00:54
eu então fiquei feliz por essas duas candidaturas e pelos resultados alcançados.
FNobre dá-me a esperança que afinal os Portugueses sabem pensar para além das organizações politicas
e Coelho ao Poleiro, serviu para dar uma "estalada sem mão" à plotica de fantuchada que está instituída
gostei, sinceramente gostei, queria só que FNobre tivesse ficado em segundo
De António a 25 de Janeiro de 2011 às 12:16
É desconcertante mas a verdade é que os políticos só tiram as conclusões que lhes convém! Esse tipo de discurso vem com certeza do lado de algum candidato que se sentiu prejudicado pelas candidaturas independentes e já agora... Que interessa ao Cavaco ou a quem o apoia se ganhou com o menor numero e percentagem de votos até hoje numa reeleição? NADA! o que interessa é que ele lá está!!
Todos estes dados deviam de facto, merecer uma aprofundada reflexão mas enquanto esses senhores não virem os seus lugares em risco tal nunca acontecerá!!
De Andesman a 25 de Janeiro de 2011 às 15:01
Concordo com a sua opinião. Os partidos e os seus políticos de carreira, acham que cidadãos independentes não lhes devem fazer concorrência. Depois, dizem que são democratas e mais: acham que não tem culpa da abstenção, de grupos de cidadãos intervirem na política e independentes concorrerem a cargos políticos como a Presidência da Republica e do apoio popular que estes recebem. Se não conseguem perceber isto...
De J R a 26 de Janeiro de 2011 às 00:14
Concordo com as tuas observações
As candidaturas independentes são necessárias para a democracia porque não estão subjugadas a vontades de partidos e "põem a boca no trombone" acabando por dizer muitas verdades incómodas ao poder.
Ainda há muito a fazer pela democracia o sistema eleitoral inglês onde todos sabem quem é o seu deputado é uma necessidade para se responsabilizar os políticos por cá os deputados são uma escolha do partido uma maneira de manter o poder e dividir o bolo por boys e girls.
Ahh e que raio de democracia é esta onde os candidatos que não atingiram os 5% de votos não têm direito á subvenção do Estado destinado a financiar os gastos com a campanha eleitoral.
Isto só se endireita se os cortes começarem por cima e não por baixo como se está a fazer e não me parece que a receita seja difícil podem começar por reduzir: os deputados para metade (e ainda ficam muitos);as fundações;institutos públicos;direcções e repartições inúteis;e os pareceres pagos a peso de ouro aos escritórios de advogados amigos do sistema etc etc e vão ver que o dinheiro abunda como diz o Malato.

Cumprimentos

J R

De mcmoura@netcabo.pt a 26 de Janeiro de 2011 às 19:06
Olá Luis

Como alguém já disse, falta cultura politica, daí tanto desinteresse pelo dever cívico.

bj
mmoura
De Kok a 26 de Janeiro de 2011 às 23:07
Se as pessoas sentissem da parte dos políticos o apoio e a vontade de desempenhar bem as funções para que foram eleitos, talvez que a abstenção e os votos brancos não tivessem o peso que têm.
Mas o que vem à tona não sugere nada disso.
Penso que aquelas razões justificam de algum modo, alguns dos votos que os independentes receberam, pois traduzem uma forma de protesto, independentemente do valor desses candidatos.
E se dizem que esse tipo de candidaturas são más para a democracia, cabe perguntar: democracia de quem?

1 abraço!
De Peace_Terrorist a 27 de Janeiro de 2011 às 07:50
Quanto a este assunto faço destas as minhas palavras:


Luís Campos e Cunha in jornal Público:

"(...) o voto em branco (ou deliberadamente nulo) é, do meu ponto de vista, um voto que me merece a maior consideração. É de alguém que se deu ao trabalho de não ir à praia, que participa na democracia mas que não se revê nos partidos e nas pessoas que se apresentam a votos. O voto em branco é um voto de protesto contra essas pessoas e esses partidos, em concreto. Mas não é um voto contra a democracia ou contra os partidos, em geral, como é a abstenção. Infelizmente, o nosso sistema eleitoral não distingue as duas situações. (...) O voto em branco (não a abstenção) é um voto politicamente consciente e deveria estar parlamentarmente representado por ninguém."

Talvez assim fosse possível os portugueses fazerem as pazes com os políticos , e os políticos realmente se preocuparem com os portugueses, visto terem o seu lugar ou vulgo "tacho" em risco.

"Sem mais de momento me despeço com amizade."

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Luís Castro
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Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
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Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
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Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
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RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
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