Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Caso Maddie arquivado?

Segundo a imprensa de hoje, os responsáveis pela PJ de Portimão e o procurador do MP entendem que não há provas que permitam acusar o casal McCann pelo desaparecimento da filha. O processo deverá ser arquivado até dia 14 deste mês, altura em que termina o segredo de justiça.

 

Há sete meses escrevi um livro sobre o caso “Maddie”. Não pretendia saber se Kate e Gerry eram ou não culpados, antes fazer uma reflexão sobre o fenómeno mediático que se gerou à volta do desaparecimento da menina inglesa.

 

Julgo pertinente recordar algumas das citações que ficaram para a História no livro “Por que adoptámos Maddie”.

 

Alípio Ribeiro – Director Nacional da PJ

“Escreveram-se toneladas de inutilidades”

“Fizeram-se juízos de valor horríveis sobre os pais”.

“As notícias não nos aproximaram da realidade, mas desviaram-nos dela.”

 

Paquete de Oliveira – Provedor da RTP

"Os jornalistas hão-de reconhecer que em muitos casos foram traídos ou enganados”.

 

Simon Jenkins – comentador do “The Guardian”

“Os jornalistas podem ter cozinhado tanto o caso Maddie que ele acabou queimado.”

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publicado por Luís Castro às 15:35
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29 comentários:
De Anónimo a 1 de Julho de 2008 às 15:58
Caro Luís . espero que esteja a ter umas boas férias, mas ja vi que nao sossega.Quanto ao caso Maddie é mais um daqueles que neste pais à beira mar plantado vai ficar por resolver. É triste POIS MUITO SE DISSE, MUITO SE ESCREVEU MAS QUEM CONTINUA DESAPARECIDA SEM DEIXAR RASTO É A MENINA. obg

Top Gun
De Luís Castro a 1 de Julho de 2008 às 20:06
Top Gun,
hoje passei uma tarde fantástica.
Descobri uma pequena praia fluvial no rio Cabril, em Mondim de Basto.
E a tarde este muito boa, contrariamente à chuva prevista.
Sobre a Maddie, pois, a verdade é que a certa altura já ninguém queria saber se a criança estava ou não viva... apenas se os pais eram ou não culpados.
De vítimas passaram rapidamente a culpados apenas porque foram constituidos arguidos e, todos nós, imediatamente lhes apontámos o dedo.
Pelo que agora se conclui, parece não existirem provas suficientes que os apontem nesse sentido.
Previsível, meu amigo. Há muito que eu esperava este desfecho. De resto, o livro aponta nesse sentido.
Abraço
LC
De Marisa Martins a 1 de Julho de 2008 às 16:23
Eu cheguei a ver/ler coisas que me deixaram de boca aberta: assim de repente, estou a recordar-me da manhã que os pais da menina iam voltar para Inglaterra. Tinha a televisão na Sic Notícias (sorry :p) e a reportagem em directo esteve 10/15 minutos à espera que o carro saísse e não se disse absolutamente nada. O repórter enrolava, enrolava, dizia e voltava a dizer as mesmas coisas. Como espectador chegou, realmente, a cansar.

Não li o teu livro, mas concordo com cada uma das citações, podendo até correr o risco de estar a colocar todos os jornalistas no mesmo saco.
E tu, será se pode saber-se, o que achaste do papel da impressa no desenrolar do caso?
De Luís Castro a 1 de Julho de 2008 às 20:08
Marisa,
o livro é isso mesmo: uma reflexão sobre as asneiras que cometemos.
O livro está a ser usado em várias Universidades.
Isso deixa-me muito orgulhoso.
Bjs
LC
De Filipa V. jardim a 1 de Julho de 2008 às 17:35
É verdade, escreveu-se muito, falou-se muito mas de "facto" sabe-se muito pouco sobre este caso.
Tenho muitas dúvidas que a postura dos pais, a mediatizar tanto este caso, tenha contribuido de forma positiva.
Talvez nunca se chegue a saber o que aconteceu.
Mas os jornalistas, no meu entender foram um bocado atrás do sensacionalismo dos ingleses e não acho que tenha sido muito positivo.
Foi neste caso e no caso da ponte de entre os rios, em quase só faltou mostrarem as pessoas mortas.
Jornalismo no meu entender não é isso.
Continuação de boas férias

Filipa
De Luís Castro a 1 de Julho de 2008 às 20:11
Filipa,
é o exemplo evidente da "estrutura circular da informação", em que o caso "Maddie" foi sendo alimentado pelos próprios jornalistas.
Bjs
LC
De Anónimo a 1 de Julho de 2008 às 19:49
Interessantissimo ! Entao se os telespectadores fazem o programa - já uma ideia muito duvidosa em si: transformar um telejornal numa especie telenovela ! - mas o que vao fazer os jornalistas ? Ler os textos dos telespectadores. Bravo ! Ha que evitar como seja que o publico portugues se informe de qualquer coisa que passe "fora".
De Luís Castro a 1 de Julho de 2008 às 20:14
Peço desculpa mas não percebi a sua ideia.
Pode ser mais clara/o para lhe poder responder?
LC
De Filipa V. Jardim a 1 de Julho de 2008 às 21:45
Bem, acabo de ver a peça na RTP sobre as noticias bombásticas que o Inpector da Judiciária Gonçalo Amaral iria fazer sobre este caso Maddie...e onde estão?O dito senhor além de mostrar a familia, sobre o caso disse aquilo que toda a gente já sabia...que ele acha que a menina foi morta no apartamento e na mesma noite em que morreu...e a reportagem foi então exactamente o quê?Reabilitar a imagem do senhor? Mostrar a familia? É que de novo não disseram absolutamente nada.
Assim, não vale!
Chamar a atenção das pessoas para uma coisa que não existe?
Estar o telejornal todo a avisar que o senhor vai fazer declarações novas sobre o caso e depois isto...não gostei.Pço desculpa, mas não gostei. E já que o tema é mesmo este, aqui fica a minha opinião, desta vez menos positiva.
Uma "não noticia "e uma reportagem que não se percebe para que serviu.
Bem sei que tiveram o cuidado de não a incluir no alinhamento do Telejornal e passaram-ne nos trinta minutos, a seguir ao jornal. Mas usaram-na todo o Telejornal para fixar audiencias para uma coisa que depois foi o que se viu.

Continuação de umas boas e merecidas férias.


Bjs

Filipa
De Luís Castro a 2 de Julho de 2008 às 02:34
Filipa,
não tem que pedir desculpa.
Este espaço serve também para isso mesmo, para as críticas ou elogios que entenderem fazer.
E sobre o seu coment+ário, acredite, ele não caiu em "saco roto".
Eu é que agradeço a vossa sinceridade.
Só assim poderemos evoluir.
Estou pelo Norte.
Bjs
LC
De Anónimo a 1 de Julho de 2008 às 23:19
Boa noite. Caro Luís espero que continue a ter umas boas férias. Eu conheço essa zona mas já agora deixo-lhe uma sugestão tente descobrir uns recantos desse genero na parte de cima das figas do ermelo dentro do parque do Alvão. Quanto ao caso Maddie concordo com a Filipa , isso nao é jornalismo. Tentar agarrar audiências com uma reportagem que em nada acrescenta ao caso. Isso já me faz lembrar as tvs privadas, fazem um alarido tipo vamos dizer tudo sobre tal assunto......... e o que se ve? NADA

Top Gun
De Luís Castro a 2 de Julho de 2008 às 02:36
Top Gun,
conheço as Fisgas do Ermelo, pois já lá realizei várias reportagens quando fazia o programa "Sem Limites", em 1993/94.
É uma zona lindíssima!
Sobre a reportagem do Telejornal, remeto-o para a resposta que dei à Filipa.
Obrigado pela vossa sinceridade!
Ab.
LC
De paranoiasnfm a 2 de Julho de 2008 às 10:06
Simon Jenkins – comentador do “The Guardian”

“Os jornalistas podem ter cozinhado tanto o caso Maddie que ele acabou queimado.”

Esta diz tudo.
Mas também.. é daquele tipo de conversa que me leva a dizer:
"Mas vocês ingleses, foram os principais a fazer novela à custa deste caso."
Ajudaram na "queima" do mesmo.

Bem como os meios de comunicação portugueses.

Eu, ao fim de algum tempo, passei a desligar a TV sempre que começavam a falar do caso.

Não saiu uma única notícia... só boatos.. e para boatos, não tenho pachorra.

E é isso que me mexe com as ideias.. haver meios estúpidos para se vender.


Abraço,

Nuno F.
De Luís Castro a 2 de Julho de 2008 às 11:47
Nuno,
como dizia Alípio Ribeiro, então Director da PJ, a imaginação de um concorria com a imaginação do vizinho...
Depois os pais alimentavam a imprensa inglesa, a PJ alimentava os jornalistas portugueses.
Ab.
LC
De Raquel Silva a 2 de Julho de 2008 às 12:56
Luís,
O mediatismo foi exagerado, tanto o que foi dado pelos jornalistas como pelas polícias dos dois países, Inglaterra e Portugal. Já tivemos oportunidade de discutir isso. Mas as pessoas começaram a tirar conclusões precipitadas, a fazer juízos de valor, a inventar factos. Já se esperava um desfecho destes. Nunca é fácil arranjar provas para acusar um suspeito ou ilibá-lo. E o casal McCann ficou mal na fotografia, pois nem foi uma coisa nem outra.
Sempre que via algo sobre o caso Maddie na comunicação social, especialmente quando as pessoas começavam a afirmar convictamente que os pais são culpados, ou que a rapariga está morta... só apetecia dizer: esperem para ver o resultado, não vale a pena estar a inventar, um dia vamos saber a verdade, e não serve de nada estarmos a discutir algo de que não temos provas, nem sequer argumentos fortes. Agora já não é bem assim. Está arquivado. Será que continuam as suposições?
De qualquer forma, o fenómeno mediático ficará na hstória, e esperemos que o caso se resolva, embora seja cada vez mais difícil, a cada dia que passa.
Bjs
Raquel
De Luís Castro a 2 de Julho de 2008 às 19:17
Raquel,
porque todos nós adoptámos aquela criança quase como se fosse nossa filha, primeiro partilhámos a dor dos pais, depois que eles foram constutuidos arguidos, passámos a acusá-los de uma forma desumana, independentemente do que tenha acontecido, pois serão inocentes até prova em contrário.
Foi como se nos tivessem traído... mas, na verdade, nós é que pusemos "o carro à frente dos bois", como se diz aqui pelo Minho.
Bjs
LC
De tex a 4 de Julho de 2008 às 10:33
Um abraço, de quem o acompanhou em algumas saídas do Sem Limites. Ainda tenho fotos suas, na descida à gruta da Serra de Sicó. Chovia muito e as câmaras molharam-se e não funcionavam com a humidade da gruta...
De Luís Castro a 5 de Julho de 2008 às 12:23
Tex,
não estou a conseguir descobrir quem és, mas gostava de saber...
Podes escrever para o mail "cheiroapolvora@sapo.pt".
Gostava tb de ver essas fotografias e, acredita, foram dos melhores tempos que eu passei no jornalismo.
Era editor de política durante a semana na Antena1 e radical aos fins-de-semana na RTP, no tal programa chamado "Sem Limites".
Ainda tenho saudades desses tempos. E muitas!
Mas quem és tu?
LC
De Tex a 7 de Julho de 2008 às 14:46
Oi.
Eu era um dos colaboradores assíduos do Pedro Pacheco, da empresa Trilhos, do Porto.
Vou procurar as fotos e mandar-tas por mail.OK?
De Luís Castro a 7 de Julho de 2008 às 22:57
Tex,
Já me recordo do vosso grupo e desses momentos, mas não estou a ligar à cara.
Manda as fotos, pf.
Abraço
LC
* e que é feito do Pedro Pachgco?
De Tex a 8 de Julho de 2008 às 09:02
O Pedro continua no mesmo ramo, eu é que saí da actividade. Assim que encontrar as fotos, envio-tas por mail.
De Luís Castro a 8 de Julho de 2008 às 12:53
Ok.
Fico a aguardar.
E que fazes agora?
LC
De paranoiasnfm a 7 de Julho de 2008 às 08:29
O caso foi "queimado" logo à nascença.
Só o facto de ter sido em Portugal, foi razão suficiente para tal.

Queremos novelas, lixamos as coisas. Está tudo à vista.

Quanto aos pais... esses, continuam a parecer-me pouco normais.. devem ter uma palavra a mais para dizer.

Abraço
De Luís Castro a 7 de Julho de 2008 às 13:59
Nuno,
quero acreditar que um dia algo mais se saberá.
Só então ficaremos a saber o que se passou naquela noite.
Quanto ao que se escreveu e disse, também concordo com o então Director Nacional da PJ.
Ab.
LC
De jts a 9 de Julho de 2008 às 17:13
Amigo "Luis Castro", entreguei à sua mãe, dois livros que tenho o maior gosto em lhe oferecer. Um sobre os 83 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mondim de Basto, e outro sobre velhas histórias, que eu fui ouvindo desde a minha infância, aos velhos an ciãos da minha terra.
Ofereci também à "D. Dina", um livro de poemas, que publiquei no ano passado.
Gostaria de lhe pedir, que um dia se debruçasse sobre a situação dos Bombeiros na nossa região.
Um abraço,
Teixeira da Silva.
De Luís Castro a 9 de Julho de 2008 às 18:09
Jts,
nem de propósito.
Estou de férias em Mondim de Basto, no "ÁguaHotels" e trouxe como leitura o livro dos contos que me ofereceu. Muito obrigado!
No Domingo passado falaram-me deste novo hotel, no mesmo dia vim dar uma vista de olhos e decidi imediatamente trocar uns dias férias na Ericeira por este fantástico espaço.
Estou agora mesmo, aqui na piscina com vista para o Tâmega, a responder ao seu comentário.
Mande mail para o "cheiroapolvora@sapo.pt" sobre o que se passa com os Bombeiros cá da terra.
Ab.
LC
De Luís Castro a 9 de Julho de 2008 às 18:11
Jts,
nem de propósito.
Estou de férias em Mondim de Basto, no "ÁguaHotels" e trouxe como leitura o livro dos contos que me ofereceu. Muito obrigado!
No Domingo passado falaram-me deste novo hotel, no mesmo dia vim dar uma vista de olhos e decidi imediatamente trocar uns dias férias na Ericeira por este fantástico espaço.
Estou agora mesmo, aqui na piscina com vista para o Tâmega, a responder ao seu comentário.
Mande mail para o "cheiroapolvora@sapo.pt" sobre o que se passa com os Bombeiros cá da terra.
Ab.
LC

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"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



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Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
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RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
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Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
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RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
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"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
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