Depois digam-me lá que não há guerras justas!
No Afeganistão havia - e ainda há - situações piores do que a que vão ver nestas imagens gravadas no Sudão.
Mas, para que não fiquem dúvidas,
considero que o que se passa no Afeganistão é uma questão civilizacional.
No entanto, nem todas as guerras se travam apenas pelas armas.
Luís Castro
«Não sei se lhe salvei a vida. Talvez. Mas não é o mais importante.
Dele pouco sei, apenas que se chama António e que não é de Lisboa.
O acidente aconteceu à minha frente, pelo que fui o primeiro a sair do carro e a prestar os primeiros socorros. Quem ia parando no IC 2 tinha dificuldade em se aproximar. É das imagens que nunca mais esquecemos: alguém com a garganta aberta e a jorrar sangue.
Ao fim de 19 guerras, aquele momento não me impressionou. Encher as mãos de sangue para lhe estancar a hemorragia foi um impulso natural. Enquanto esperava pela chegada da ambulância, agarrei-o nos meus braços e temi perdê-lo antes da chegada do INEM. Dei por mim a reviver uma situação semelhante há dez anos, em Angola, durante os combates no planalto central. A sirene trouxe-me de volta.
Quando o António foi levado para o Hospital S. José, entrei no meu carro a pensar nas pessoas à minha volta que deviam passar por um momento destes. Sentir o que é estar na fronteira entre a vida e a morte.
Talvez se apercebessem de como são frágeis as suas vidas.
Talvez percebessem como está errado o ranking das suas prioridades.
Talvez perdessem muita da sua arrogância.»
«NÃO SOU HERÓI
Ontem fui visitar o António ao S. José.
Só me reconheceu pela voz. Recorda-se de me ouvir falar, mas não guarda imagens do momento. Estava em estado de choque.
Foi operado e saiu dos cuidados intensivos. Não fala, mas há-de recuperar a voz. Reconstituíram as vias danificadas e nos próximos tempos o organismo terá de regenerar, só então lhe retiram o tubo. Ficará internado mais dez a quinze dias.
Durante os trinta minutos que estive com ele, o António fez um desenho dos cortes que tinha no pescoço. Arrepiou-se enquanto riscava no papel.
Felizmente não guardará a imagem de como estava quando cheguei ao pé dele.»
«A SEGUNDA VIDA DO ANTÓNIO
Recordam-se do condutor que socorri após um acidente no IC2,
no final do ano passado?
Pois bem, fui convidado a ir à Guarda pela família Amaro.
Quiseram recordar o que aconteceu naquela tarde de 30 de Novembro.»
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Luís Castro
"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]
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