Domingo, 23 de Março de 2008

Fim-de-semana em Bagdade

.
Bagdade está a viver um fim-de-semana de calma aparente. Noto que as famílias iraquianas vieram para a rua fazer compras e sigo rumo à zona comercial da cidade. Gastamos dez minutos a fazer imagens e o guia começa a ficar apreensivo. “Estás a abusar da sorte!”, diz-me Bassim. E tem razão. Até os comerciantes começam a ficar inquietos com a nossa presença. Os polícias pedem que abandonemos o local, pois podemo-nos tornar num chamariz para os bombistas suicidas. Obedeço de imediato.

Colunas de soldados americanos passam ao nosso lado e perante a indiferença dos iraquianos. Pego no microfone e pergunto-lhes se ainda sentem necessidade das forças ocupantes. “Pagámos sangue por esta segurança. Não queremos mais tanques dos Estados Unidos nas nossas ruas. Pedimos aos americanos que partam.”, atira de imediato um habitante de Bagdade, opinião confirmada mais ao lado por um oficial do exército iraquiano: “Temos uma civilização de milhares de anos. Sabemos tomar conta de nós.” Na realidade, até há pouco tempo as novas forças de segurança não tinham capacidade para combater a resistência e os insurgentes da Al-Qaeda. Agora já não é assim, os “comandos” do Ministério do Interior vieram dar mais uma demonstração de força, juntando-se ao Exército e à Polícia. É altura de mudar novamente de sítio.

Dou de caras com um parque infantil numa das margens do rio Tigre. Fantástico. É isto mesmo. Uma excelente oportunidade de mostrar lá para Portugal como a vida em Bagdade começa a mudar, embora muito lentamente. Pais com crianças, fazendo piqueniques e guardados por homens com kalashnikovs. Convidam-me para almoçar. Digo que não mas o guia alerta-me para o facto de, uma vez feito o convite, já não poder recusar. E ainda bem, pois a comida é tradicional e muito saborosa: arroz, massa, frango e cebola, tudo num paladar adocicado. Como eu gosto, de resto. Ao lado, as crianças brincam, ignorando na sua inocência a loucura que vai para lá destes seguranças armados. À minha pergunta: que futuro para este Iraque, Rana, de dezasseis anos, diz-me que o Iraque será bom, “porque as flores continuam a abrir todos os dias.” Ninguém conseguiria resumir melhor a esperança deste povo.


 
publicado por Luís Castro às 07:00
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45 comentários:
De wednesday a 23 de Março de 2008 às 11:08
Gostei muito das fotografias. Relatam a paz provavelmente nos intervalos da guerra. Impressionou-me o facto de não se poder fazer algo durante um perído de tempo relativamente longo, sendo isso motivo para acontecer um ataque.

Força!
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 12:13
Obrigado Wednesday.
Para eles o fim-de-semana já acabou, e hoje (Domingo) já é dia de trabalho.
A manhã começou mal. Logo às seis da manhã, várias granadas de morteiro cairam nesta área, junto à Green Zone. Uma explodiu a 300 metros do nosso hotel. Não há notícias de feridos ou mortos, para já. 4 horas depois, repetiram a dose. Enfim, é o dia-a-dia em Bagdade.
LC
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 12:14
Obrigado Wednesday.
Para eles o fim-de-semana já acabou, e hoje (Domingo) já é dia de trabalho.
A manhã começou mal. Logo às seis da manhã, várias granadas de morteiro cairam nesta área, junto à Green Zone. Uma explodiu a 300 metros do nosso hotel. Não há notícias de feridos ou mortos, para já. 4 horas depois, repetiram a dose. Enfim, é o dia-a-dia em Bagdade.
LC
De Patti a 23 de Março de 2008 às 11:21
Olá Luís,

Que espectáculo!

Parece tudo tão normal . . . são cenas de felicidade como essas que deviam circular pelas televisões de todo o mundo.

Estas imagens foram a resposta que eu queria às minhas perguntas de ontem.

E o Bassim, que óptima cara tinha ele nestas fotos.

Obrigada, nunca um blog fez tanto sentido como o seu.

Parabéns!
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 12:17
Patti,
sinto que estás em sintonia connosco. E isso é bom. Dá-nos força.
Ainda bem que respondi desta forma à tua pergunta.
Quanto ao Bassim, o homem é um máquina. Está sempre bem disposto, por isso é que me preocupou vê-lo tão assuatado, ontem.
LC
De Patti a 24 de Março de 2008 às 15:36
... e o meu post de hoje veio encontrar inspiração nestas imagens...
De Luís Castro a 24 de Março de 2008 às 16:47
Patti,
e onde o posso encontrar?
LC
De patti a 24 de Março de 2008 às 16:52
Simples. É só picar no meu nome, que vais lá parar.

E espero que hoje o dia por aí esteja mais calmo.
De Luís Castro a 24 de Março de 2008 às 16:56
Ok.
Como estou a responder pela caixa de mensagens, por aqui não tem link. Mas vou ao blog.
Sim, um pouco menos violento, até agora...
LC
De Luís Castro a 24 de Março de 2008 às 17:39
Patti,
queria responder no teu post, mas, não sei por que razão, aparece-me tudo em árabe. Estranho.
Mas seja como for, gostei do desabafo da tua alma.
Na verdade, andamos neste Mundo à procura da felicidade. Alguns nunca a encontram...
Por vezes está ali mesmo ao lado, basta reposicionar as nossas prioridades.
LC
De Patti a 24 de Março de 2008 às 18:24
Não tem importância, mas não deixava de ter piada um comentário escrito em árabe!

Os "vigias" americanos da net mergulhavam logo de cabeça no meu sitemeter.

Ficamos todos a aguardar a próxima reportagem e até lá muito cuidado.
De Luís Castro a 24 de Março de 2008 às 20:29
Patti,
estive a ver a origem das entradas no meu blog e descobri uma de "Forte Wayne".
Curisoso. Ou será algum português que anda por lá?
LC
De Patti a 24 de Março de 2008 às 22:29
Aconteceu-me a mesma coisa nos primeiros tempos de blog.

São os "mirones" da net em acção sempre que, segundo critérios deles, se escrevem palavras "suspeitas".

Passado uma ou duas semanas, depois de verem que não se passa nada, volta tudo ao normal e deixam de "espiar".
De Luís Castro a 24 de Março de 2008 às 22:54
Patti,
andam "passarinhos" na rede.
Quanto a mim desconfio de outra coisa, mas amanhã tirarei as dúvidas.
LC
De J.C. a 23 de Março de 2008 às 12:17
Não só nesta guerra mas em todas as outras a capacidade de adaptação do ser humano é espantosa, estou a lembrar-me por exemplo do blitz em Londres na 2ª guerra mundial ... acaba tudo por ser normal, porque a vida essa tem que continuar.

obrigado e continua

jmack
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 12:25
Interessante...
ainda hoje pensei escrever sobre isso.
esta manhã cairam várias granadas de morteiro nesta área e, minutos depois, as pessoas já tinham voltado ao seu ritmo normal: sobreviver.
Abraço
LC
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 12:25
Interessante...
ainda hoje pensei escrever sobre isso.
esta manhã cairam várias granadas de morteiro nesta área e, minutos depois, as pessoas já tinham voltado ao seu ritmo normal: sobreviver.
Abraço
LC
De Sara RM a 23 de Março de 2008 às 16:22
Luís,

O seu blog passou para a pasta das minhas visitas diárias. Obrigada por esta outra perspectiva do que é ser jornalista. Admiro a sua coragem, mas (penso que) ainda admiro mais a paciência da sua mulher...
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 17:40
Sara RM,
obrigado e espero corresponder.
Sim, a minha mulher é uma santa...
LC
De Adelino Gomes a 23 de Março de 2008 às 16:39
Lisboa tem céu azul, vento frio e pouca gente nas ruas. A maioria terá ido à terra ou para as Caraíbas, a fazer fé nos agentes de viagem.
Gostei de saber, por ti, que , apesar de tudo, as crianças ainda não perderam a alegria de brincar e as flores continuam a abrir todos os dias no Iraque.
Não abuses da sorte, como te anda a avisar o teu (e já também nosso) guia e amigo, Bassim.
Bom resto de Páscoa
Adelino
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 17:45
Adelino,
também por aqui a esperança é a última a morrer.
Vou entrar em directo na RTPN daqui a vinte minutos.
Acabaram de cair mais umas "bombocas" entre o nosso hotel e a green zone.
Abraço
LC
De Raquel Silva a 23 de Março de 2008 às 17:35
Caro Luís Castro,

Antes de mais nada, Boa Páscoa! É sempre difícil estar longe da família, mas o bom trabalho serve decerto de recompensa.
Soube através do meu pai que tinha regressado ao Iraque. Não deixo de acreditar que, apesar de já não ser a primeira vez, é preciso muita coragem e vontade para enfrentar uma decisão dessas. A realidade que aí se vê não pode, nunca, ser imaginada pelos que ficam por cá... e quaisquer suposições são falsas descrições da verdade. Não imagino, confesso, o que siginifica ver o que você vê em Bagdade, todos os dias... E muitas vezes prefiro não o imaginar. É preciso muita coragem...
Depois de ler "Repórter de Guerra" (com a sua dedicatória bastante confiante e personalizada), este blog parece uma continuação, e talvez uma antecipação do que pode ainda acontecer numa guerra que parece não ter fim. É positivo saber que ainda há esperança, mas quem sofre mais são sempre os inocentes, indefesos, que não são mais do que meros espectadores de uma realidade que também eles preferiam não presenciar.
Pode ser uma questão de hábito, mas é como Bassim diz: não se pode confiar em ninguém. E é preferível não o fazer, antes que algo corra mal. Consigo imaginar a adrenalina a subir nas veias, a tensão a acumular-se, o medo a apoderar-se da mente... Mas não o consigo sentir. Conformo-me com saber que o sente na pele, e que nos consegue transmitir tudo isso através dos relatos do blog e das reportagens na RTP.
Está a fazer um óptimo trabalho, como sempre, e merece todos estes comentários, todo este apoio, toda esta força... As pessoas acreditam em si e no seu trabalho, não só como jornalista mas, e acima de tudo, como pessoa... Parabéns pelo blog.
Espero que corra tudo bem aí pelo Iraque. Quanto tempo vai ficar? 2 semanas...? Tenha cuidado consigo. A coragem não é tudo. Mas já sabe disso tudo, de certeza... :D
Boa sorte.

Abraços

Raquel Silva
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 17:51
Raquel,
são palavras como as tuas que nos fazem continuar.
Mas também é verdade que nunca conseguimos transmitir a a realidade no seu todo, principalmente aqui, uma vez que não podemos estar muito tempo em cada local de reportagem.
vou entrar em directo na RTPN, acabaram de cair mais umas granadas de morteiro entre o nosso hotel e a green zone, a 300 metros daqui.
Bjs e obriigado pelo teu comentário.
LC
De Raquel Silva a 23 de Março de 2008 às 18:19
Azar o meu que as televisões dos hotéis no Algarve não transmitem a RTP N... mas vou tentar ver no site da RTP.
Esse vosso Hotel parece estar sempre debaixo de fogo... na reportagem "Guerra Sem Fim", estão todos os telespectadores a tremer com medo de serem atingidos... A sério.
Boa sorte, e continue com o bom trabalho.

Bjs

Raquel Silva
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 19:58
Raquel,
podes ver uma reportagem no local onde hoje explodiu uma das granadas de morteiro no Telejornal, às 20H, ou na página da RTP depois disso.
Por isso é que eu vim para o Hotel Palestina. estamos mais perto de onde as coisas acontecm. E eu gosto de ver de perto!
Bjs e boas férias.
LC
De ARMANDO SEIXAS FERREIRA a 23 de Março de 2008 às 18:56
Grande Luís,

Fico feliz por saber que tu e o Paulo estão bem. Tenho acompanhado o vosso trabalho com admiração. Fiquei impressionado por saber que algumas famílias já fazem piqueniques em Bagdade como antigamente, apesar do risco de atentados.
No outro dia estive a ver e a ouvir uns telediscos em CD-Rom com música árabe do tempo em que Saddam Hussein ainda estava no poder (foi um guia que me ofereceu em 2003). As canções são harmoniosas e as imagens mostram iraquianos sorrindo e dançando com paisagens magníficas de um país que já não existe. Deve ser difícil nos dias de hoje trabalhar e viver assim.
Muitos parabéns pelo blog e pela excelente cobertura noticiosa que estás a fazer para a RTP. Boa Páscoa e regressa depressa.

Um forte abraço,
Armando Seixas Ferreira
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 20:02
Armando, amigo e colega.
E esse é um dos problemas: é que as pessoas não estão contentes com o rumo que as coisas levaram. Assim, lembram-se de como era a vida no tempo do Sddam e fazem constantes comparações. Não tinham liberdade, mas havia segurança. E essa foi uma lição que eu aprendi no Iraque: a segurança é mais importanto do que aliberdade ou a democracia.
Abração
LC
De Grupo Europa a 23 de Março de 2008 às 19:14
Amigo L.C os teus m. da europa estão a beber e a brindar à tua pessoa aqui no bunker de campo de ourique Lisboa, desejando que voltes rápidamente, porque aqui a guerra é outra, com uma diferença, aqui ninguém sabe as regras do jogo. O teu trabalho no Iraque tem sido brilhante. Um abraço amigo deste teu grupo da Europa.
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 20:05
Amigos,
e aqui está quente... para além das granadas de morteiro, o dia chegou a rondar os 40 graus. Por cá, a regra do jogo é só uma: matar!
Abraço fraterno
Lc
De Loureiro dos Santos a 23 de Março de 2008 às 19:27
Só com a sua serenidade é possível transmitir o que nos transmite. Obrigado. Respeito e admiro um repórter de guerra como um camarada meu em operações.
De Luís Castro a 23 de Março de 2008 às 20:07
Meu caro amigo e General Loureiro dos Santos.
As suas palavras dão-nos ainda mais força para não desistir.
Posso mostrar serenidade por fora, mas nem imagina a revolta que me vai por dentro.
Abraço
LC
De Alves Mateus a 23 de Março de 2008 às 22:40
Meu amigo... é, acima de tudo, muito bom poder ler-te aqui e ver-te de quando em vez na TV e que estás bem.
Que essa coragem e vontade de dar a conhecer se mantenham por muitos anos.
Como é hábito, cá vai... nada de maluquices e muito cuidado ok? Aquele abraço.
De Luís Castro a 24 de Março de 2008 às 05:19
Meu amigo,
assim também fico mais próximo de vocês.
E também sabes que eu não fico a ver a guerra do quarto do meu hotel... Vou lá, onde as coisas acontecem. É um risco que temos de correr.
Abração
LC
De Alves Mateus a 24 de Março de 2008 às 13:48
Pois não... daí os conselhos de segurança. Que a frustração pela insegurança na rua não se transforme em actos desatinados para mostrar o que por aí vai. Mesmo sabendo que não te acomodas nunca... cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Por falar em caldos... a paparoca por aí parece-me bem, pelo menos a fruta na foto é. Umas barritas nunca substituírão um folar transmontano ou uma posta à mirandesa... as brasas estão prontas não podes demorar muito.
Abração companheiro.
De Luís Castro a 24 de Março de 2008 às 16:41
Promessas são dívidas...
e prometo que sairei daqui vivo, pois este Verão, vais "pagá-las!", ai vais.
Abraço
e tudo de bom para a família.
LC

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Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
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Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
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Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
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Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
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