Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Como entender a crise

Alguém pediu que eu explicasse a crise americana e o que está a contecer por arrasto.

Pois bem, recebi um mail engraçado que pode ajudar a perceber o que se está a passar no mundo.

Ora leiam:

 

O Ti Joaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos "fiados"aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol e da branquinha (a diferença é o preço que os pinguços pagam pelo crédito).
 

O gerente do banco do Ti Joaquim, um ousado administrador formado em curso muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o "fiado" dos pinguços como garantia.

 

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Joaquim).

 

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e a tasca do Ti Joaquim vai à falência. E toda a cadeia pifou! 

Viu... é muito simples...!!!

 

O burro somos nós!

 

Luís Castro

Editor Executivo RTP

publicado por Luís Castro às 02:14
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29 comentários:
De Artur a 8 de Outubro de 2008 às 08:36
Felizmente alguém conseguiu fazer-me entender a "crise americana" em poucas palavras deu para decifrar um rolo de ruídos que fui ouvindo nas últimas semanas. Oiço nas rádios, assisto na TV e leio jornais mas nunca consegui entender a alma da "coisa". Obrigado Luís, pois nem todos entendemos de economia. Obrigado mesmo…
Luanda/Angola
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 21:07
Um exemplo simples para entender algo tão complexo.
Ab.
LC
De Pedro Oliveira a 8 de Outubro de 2008 às 08:45
Moral da história, andámos todos bêbados durante muito tempo...A ressaca está á vista.
abraço
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 21:07
Sorte a minha que só bebo água e não tenho poupanças...
Ab.
LC
De Ana Cristina Brizida a 8 de Outubro de 2008 às 11:54
Olá Luís,

Este seu mail está simples e objectivo. Eu também não entendia muito bem, principalmente o que se passava nos States e também recebi um mail do género, só que o "actor" era o Paul.
Uma coisa é comum, há muita gente a querer viver muiiiito acima das suas possibilidades. Pensam que isso lhes dá status.
Ele é contas ordenado, ele é pedir créditos para ir fazer umas férias a um paraíso tropical, comprar plasmas, playstations, sobreavaliarem casas para comprarem carros mais potentes... (estas 3 ultimas situações foram pessoas que estão próximas de mim que o fizeram).... claro depois existe o efeito bola de neve, e infelizmente não existe nenhuma árvore das patacas em que nós possamos ir lá e tirar umas notas de vez em quando.
Culpam a subida das taxas de juro... mas se não me engano (corrija-me se eu estiver enganada) há mais ou menos 20 anos atrás os bancos cobravam quase 20% !!!!!! A diferença é que o crédito pedido era só para a casa. Agora não.
Nestas situações os bancos têm a sua parcela de culpa, mas para mim os maiores culpados são as pessoas, não sabem gerir o dinheiro que têm e não pensam no futuro.
Há quase 7 anos deixei de fazer férias no estrangiero (destinos de praia baratos), faço em Portugal que também é muito bom (também tenho a sorte de viver onde vivo) e claro que tive de apertar o cinto como toda a gente e não morro por isso e muito menos me sinto inferior a outras pessoas que têm mais posses do que eu.
Os meus pais sempre me ensinaram a gerir muito bem o meu dinheiro desde miuda dão-do me uma mesada e sempre pensar sempre no futuro e estou-lhes muito agradecida por isso.
Mas hoje em dia a maior parte dos pais não transmitem esses valores aos filhos e depois admiram-se

Bjs
Cris

** Sorry se me alonguei
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 21:15
É bom que todos nós possamos aprender com o que está a acontecer.
E transmitir esses valores aos nossos filhos será de uma extrema importãncia para eles no futuro.
Bjs
LC
De Filipa Jardim a 9 de Outubro de 2008 às 00:55
Eu lembro-me muito bem. !989, os juros estavam a 21% e não havia praticamente empréstimos bancários. Quando havia era para a casa e mesmo assim, pedia-se a entrada, ou seja as pessoas pediam uma parte de empréstimo e o resto adiantavam. Quem não tinha, fazia como a maioria das pessoas: vivia numa casa alugada.
O consumo fazia-se de acordo com as possibilidades e juntava-se dinheiro para pagar o que se comprava, ou então, não se comprava.
A culpa do que se está a passar é dos bancos em parte, porque facilitaram demasiado o crédito. E, das pessoas que se endividaram excessivamente.
Só se ouve falar de crise e entretanto não há gato sapato que não tenha telemóvel topo de gama e plasma na sala. Eu não tenho, nem um nem outro.

Bjs

Filipa
De Luís Castro a 9 de Outubro de 2008 às 12:58
Consumo e mais consumo!
A febre se não é atacada pode subir ainda mais e ultrapassar os 40ºc.
Depois, por vezes, é mortal...
Bjs
LC
De Augusto Silva a 8 de Outubro de 2008 às 15:33
Peço perdão, mas a minha intervenção sobre a actual crise mundial foi parar incompreensivelmente a outro sítio. Maldita PDI!.. Permitam-me que a transcreva para aqui, o local apropriado.
---------------------------------------------------------------
Para compreender as Bolsas de Valores, mais concretamente o valor das acções e o seu permanente sobe e desce...

"A Bolsa e os Macacos"


Um certo dia, num lugarejo do interior, de um qualquer país africano, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos --obviamente, macacos africanos, pois na Europa e nos States os ditos “macacos” têm o seu “habitat” nas grandes cidades ( nos Walls-Streets financeiros) , oferecendo € 10 por cada um.

Os aldeões, sabendo que havia muitos macacos na região, foram à floresta e iniciaram a caça aos ditos. O homem comprou centenas de macacos a € 10, levando os aldeões a diminuir o seu esforço na caça.

Aí, o homem anunciou que doravante pagaria € 20 por cada macaco, e então os aldeões renovaram os seus esforços e foram novamente à caça.

Como é óbvio, os macacos foram escasseando cada vez mais e os aldeões iam desistindo da busca. A oferta aumentou para € 25, e os macacos foram rareando ainda mais, levando os aldeões a perder o interesse na caça. O trabalho não compensava….

Perante o crescente desinteresse daqueles, o homem anunciou que começaria a pagar 50 Euros por cada macaco. Todavia, como teria de se ausentar para a cidade, deixaria um seu assistente para tratar do negócio.

Mal aquele se ausentou, o seu assistente disse aos aldeões: "Olhem todos estes macacos na jaula que o meu chefe vos comprou! Eu posso vender-vos a € 35 e quando ele regressar da cidade vocês podem vender-lhos por € 50 cada um. Já viram quanto ganhariam?!...

Espertos, os aldeões pegaram em todas as suas economias e compraram todos os macacos do assistente.

Obviamente que os infelizes não voltaram a ver, nem o homem nem o seu assistente, somente macacos e mais macacos a saltar por todos os lados.

Agora, você já entendeu como funciona o mercado de acções?...
------------------------------------------

Meu caro Luís, espero que esta estória " dos macacos aproveite a Angola, mormente aos futuros investidores, quando aquele país se prepara para dinamizar a sua Bolsa de Valores.

É que ele há para aí uns macacões, para não dizer vampiros, como se pode verificar pela actual crise mundial.

Eu falo baseado na minha experiência, pois nos anos 90, acabadinho de chegar de Angola (ainda "uma donzela virgem" na selva das acções), ajudei os “Belmiros de Azevedo" com uns cem ou duzentos contos, quando o homem que recusou uma pensão à viúva de Salgueiro Maia era o "nosso primeiro". Resta acrescentar que nessa altura (por volta de 1988/89) era generalizada a opinião de que as acções estavam sobrevalorizadas (houve acções da Caima transaccionadas a 100 e 200 contos!...), enquanto o "Homem de Boliqueime" tapava os ouvidos, os ouvidos e os olhos, os mesmos olhos que fuzilaram o autor do "Evangelho Segundo Jesus Cristo"

Macacos os mordam!...

Luís, um abraço para ti, e vai assomando a esta varanda que abriste para nós, uma varanda franqueada diariamente por muita gente que gosta dos teus artigos, e de ti, como se pode constatar pelas suas intervenções.

Augusto Silva





De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 21:20
Visto
LC
De brunomiguel a 8 de Outubro de 2008 às 15:48
E, no final do colapso, quando um governo injecta capital, os zécutivos vão todos para um resort à custa desse dinheiro.
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 21:21
Espero que paguem bem caro pelo que fizeram aqueles senhores!!!
Ab.
LC
De patti a 8 de Outubro de 2008 às 16:05
Olá Luís,

Tem o mail do Bush?
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 21:22
Se tivesse tb eu já lhe tinha enviado um mail...
rs...rs...rs...
Bjs
LC
De Hernani a 8 de Outubro de 2008 às 17:19
Pois, os pais do antes 25 de Abril, leram no livro da 4ª classe do tempo do Salazar e do Marcelo Caetano, uma lição que apelava para que nunca se devia gastar mais do que o que se ganhava. Uns assimilaram a lição e souberam-na transmitir aos filhos, outros os "progressistas" nem a assimilaram nem souberam transmiti-la e agora estamos neste impasse.

Minha gente, nunca se deve gastar mais do que o que se ganha, mesmo a credito.

Hernani
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 21:24
E mesmo assim, deixem sempre um pedacinho de lado para se safarem nas crises...
Ab.
LC
De Anónimo a 8 de Outubro de 2008 às 20:21
É só para ajudar a entender o nível de chupismo do capitalismo financeiro.

http://www.aquisomerda.blogspot.com/

Anda tudo a mamar ... e à grande!!!!!
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 21:25
vou ver.
LC
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 23:45
É forte!
LC
De Fatima a 8 de Outubro de 2008 às 23:46
Boa noite Luís.
Eu já conhecia esta descrição, e acho-a fantástica!
De Luís Castro a 8 de Outubro de 2008 às 23:48
É boa para entender o que se passa.
Bjs
LC
De marco.cardoso@cco-consulting.com a 9 de Outubro de 2008 às 06:31
Parabéns pela iniciativa da explicação.
Gostei da história da Vila Carrapato e dos macacos.
Gostaria apenas de partilhar convosco algo que não sei fará sentido:
. O dinheiro transacionado tem que estar em algum lado... possivelmente em praças OFFSHORE
. Porque razão tem que ser as praças ONSHORE a pagar?
. As instituições financeiras só caem porque não se altera as condições iniciais dos contratos (baixar a dívida, baixar os juros, aumentar os prazos de pagamento) e os governos não deixam quem tem dinheiro (China, Japão, Rússia , OPEPs , etc ) entrarem nos mercados como compradores... apenas autorizaram o Príncipe da Arábia Saudita salvar o Citigroup porque já era accionista...
. Esta crise tem muito PÉSSIMA GESTÃO e INFANTILIDADE e CRIME
. A tristeza é que quem vai pagar isto são os ONSHOREs você e eu que pagamos imposto e estamos no ONSHORE
. Talvez com menos Keynes e mais Schumpeter isto nem tivesse começado...
Desculpem o tamanho.
Um abraço
Marco a viver na Finlândia
De Luís Castro a 9 de Outubro de 2008 às 12:59
Concordo.
E o meu amigo que faz na Finlândia?
Ab.
LC
De marco.cardoso@cco-consulting.com a 15 de Outubro de 2008 às 20:03
Caro Luís Castro,
Respondendo à pergunta "o que faz na Finlândia?" aqui vai:

. A minha Deusa (minha esposa) é finlandesa e felizmente a vida tem-me permitido ter saúde e ser feliz onde deseje daí que estejamos a viver na Finlândia... mas eu vá mensalmente a Portugal.

A minha actividade é assessoria financeira... identificar financiamentos (debt e/ou equity) para investimentos.

Um abraço,

Marco
De Luís Castro a 15 de Outubro de 2008 às 23:05
Tudo de bom!
Andamos nesta vida à procura de felicidade, não é assim?
Abraço
LC

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Reportagem Angola - 1999



Reportagem Iraque - 2005


Reportagem Guiné - 2008


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Reportagem Afeganistão - 2010

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"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



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Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
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