Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Qual a solução?

O terrorismo existe desde que o Homem se conhece.

 

 

A maçã dada a Adão e Eva foi o primeiro “acto terrorista” da história da humanidade.

Depois disso, o mundo encheu-se de serpentes.

 

Se é compreensível que o mais fraco lute com o mais forte com as armas da surpresa, já não o entendo quando se mata em nome de Deus.

 

Se olharmos para o nosso passado, facilmente chegaremos à conclusão de que grande parte – ou mesmo a grande maioria – das guerras foram travadas com fundamentos religiosos.

 

Agora há um novo princípio: matar ocidentais!

Até aqui eram os americanos o alvo, hoje são todos aqueles que forem seus amigos.

 

E como alguém o disse:

“os cemitérios do mundo começam a ficar cheios de amigos dos americanos!”

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 15:53
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45 comentários:
De salvoconduto a 27 de Novembro de 2008 às 16:20
Matar ocidentais? Não estará a ser demasiado redutor?
Será que os que tombam diariamente no Iraque, Afeganistão, Paquistão etc, são ocidentais?
De Luís Castro a 27 de Novembro de 2008 às 19:25
Salvoconduto,
talvez não saiba mas conheço bem o Iraque pós Saddam e tudo o que lá se passa.
Basta dar uma vista de olhos nas tags do blog e que se referem ao Iraque ou Afeganistão.
No post não falo apenas nos Ocidentais, mas em todos aqueles que se não são pelos terroristas, então são pró-ocidentais e, por tal, visados pelos atentados.
Claro, há muitas vítimas civis que morrem sem culpa nestes atentados. Mais uma vez remeto as minhas opiniões sobre a matéria para os posts anteriores ou para o livro "Repórter de Guerra".
Quando falei que o grande objectivo agora é matar Ocidentais, refiro-me ao que aconteceu ontem na Índia, quando os terroristas procuravam cidadãos estrangerios, principalmente britânicos ou americanos.
Isso revela muito dos objectivos das actuais redes terroristas.
LC

De Si a 27 de Novembro de 2008 às 18:32
Se fossemos contar apenas os 'ocidentais', muito bem andaria o mundo. Parece controverso, mas o que é facto é que o ser humano, por mais pensante que seja, nunca deixou de ser animal e está nos seus instintos matar. A justificação oficial varia conforme a década ou o século, ou até mesmo a época, mas a motivação oficial é sempre a mesma: a conquista. Do poder, do território, do petróleo, dos diamantes, do reconhecimento, enfim, do mais variado nr de coisas e conceitos tão complexos como a liberdade ou tão redutores como a carteira da velhinha. O que interessa é que mata, e pior ainda, tortura, apresentando requintes de malvadez que só um ser pensante consegue imaginar.
E todas estas características se aplicam a QUALQUER ser humano, de qualquer raça, crença ou ponto do planeta, bastando, para isso, apelar aos seus instintos mais básicos, que, para mais, se podem bestializar se devidamente doutrinados.
Dizia eu, que muito bem andaria o mundo se só contássemos os tais 'ocidentais', porque nesta perspectiva, e perante o nr. de habitantes por m2 no Médio Oriente, África e América Latina, estes, seguramente que se destacam na ranking.
De Luís Castro a 27 de Novembro de 2008 às 19:49
Um esclarecimento:
quando escrevo que é um "princípio", não digho que é o único, apenas que começa a ganhar relevância em relação aos outros já conhecidos: criar impacto, ganhar mediatismo, a tal conquista de poder, entre outros.
Sobre os "amigos dos americanos", são todos aqueles que não lutam contra o grande satã que é o inimigo ocidente.
Aos olhos dos terroristas, ou lutamos com eles ou seremos também visados, sejam portugueses, francdeses e espanhóis, ou paquistaneses, indianos, afegãos e iraquianos.
Todos esses são os tais "amigos dos americanos".
LC
LC
De Si a 27 de Novembro de 2008 às 21:39
Luís,
Concordo consigo, dentro dessa perspectiva mais lata.
Mas o que me aterroriza verdadeiramente ainda é a noção de que, quer pelo cada vez maior isolamento e dessocialização dos indivíduos, quer pela cada vez maior máquina de doutrinação maciça, rapidamente o mais pacato dos seres humanos se transforma num 'pitbull' terrorista. Daí a minha referência à bestialização do ser humano, ao apelo incessante aos seus instintos mais primitivos, enfim, à violência que gera cada vez mais violência, num ciclo que muito sinceramente não sei onde irá parar.
De Luís Castro a 27 de Novembro de 2008 às 22:35
Si,
nas minhas permanências no Pquistão, Iraque e Afeganistão, e mesmo na Jordânia ou no kuweit, quando me detinha a olhar para determinadas pessoas (não pela imagem mas pela forma como fora educada e pela revolta que manifestava) sentia que estava ali um potencial terrorista com bilhete de passagem para o mundo ocidental.
Bjs
LC
De Ludo Rex a 27 de Novembro de 2008 às 19:20
Complicado este termo terrorismo... Estamos a pagar séculos de subjugação de povos, infelizmente. O pior dos terrorismos, Terrorismo de Estado.
Abraço
De Luís Castro a 27 de Novembro de 2008 às 19:52
Concordo.
E que também é praticado por vários Estados do Ocidente.
Devemos olhar para a nossa própria casa antes de criticar os outros.
LC
De Maria Araújo a 27 de Novembro de 2008 às 22:17
Olá. Gostei da introdução deste post. Bem pensado!
Concordo com o que disse a Si, e também penso que Luís temrazão...devemos olhar para a nossa casa, primeiro...
Hoje há insegurança em qualquer lado.
De Luís Castro a 27 de Novembro de 2008 às 22:41
Parte da culpa do que está acontecer também é nossa.
Bjs
LC
De Luís Castro a 27 de Novembro de 2008 às 22:42
Sobre este assunto, recomendo o filme que está em exibição e que se chama "Corpo da Mentira".
A certa altura alguém diz que a situação poderá mudar se tirarmos o pé do pescoço deles.
Bjs
LC
De Raquel Silva a 28 de Novembro de 2008 às 14:16
Luís,
Também recomendo esse filme, pela actualidade que representa e pela correspondência com a realidade. Para um maior aprofundamento acerca de terrorismo, e essencialmente acerca da Al-Qaeda e a luta contra o Ocidente, aconselho "A Torre do Desassossego", de Lawrence Wright, um dos livros mais completos que já li.
Como dizia Cavaco Silva ontem, o terrorismo é uma ameaça presente em qualquer parte do mundo, a qualquer momento, e uma ameaça real, que continua a aterrorizar todas as pessoas. Não sabemos como solucionar o problema.
Bjs
Raquel
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 17:09
Raquel,
muito bem!
"A Torre do Desassossego" é muito importante para se poder perceber as actuais redes terroristas e porque lutam contra o ocidente.
Foi dos livros que mqais me marcaram nos últimos meses.
Bjs
LC
De Ana Cristina Brizida a 28 de Novembro de 2008 às 21:41
Olá Luís,
Também já vi o filme "Body of Lies" do Ridley Scott e adorei o filme. Estive em "stress" todo o tempo.
Também já vi o "War, Inc" que o Luís recomendou há uns meses e fiquei um pouco desiludida, tem muito pouca acção.
Finalmente este fim-de-semana vou começar o livro "Blackwater" do Jeremy Scahill. Quer dizer.... eu tenho o péssimo hábito de ler o primeiro parágrafo e o ultimo de cada livro que compro hehehe... Pelo que li, aquele livro podia ter sido escrito pelo Luís... a mensagem é a mesma, tive a sensação que já tinha lido aquilo aqui no blog.
Bjs e um óptimo fim de semana (ainda que seja de trabalho)
Cris
De Luís Castro a 29 de Novembro de 2008 às 15:19
Ainda bem que me fala do livro.
Vou comprara e tentar ler quando tiver tempo.
Bjs
LC
De enfermeiro_de_serviço a 27 de Novembro de 2008 às 23:51
Infelizmente mais importante que tudo são as pessoas e famílias que ficam destroçadas e que perdem aqueles que lhes são mais queridos por uma guerra que não é a sua.

Ainda há pouco comentava noutro blog que o dinheiro move este mundo e esta guerra, mais que outra coisa qualquer é baseada em questões económicas e de poderio financeiro.
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 16:39
O Pentágono já receonheceu que daqui em diante as guerras a travar serão pelos últimos recurssos à face da Terra.
Ab.
LC
De Nando a 27 de Novembro de 2008 às 23:53
A solução esta no fundo do túnel mas a lâmpada que ilumina a solução esta fundida ou sofreu um ataque terrorista.
Devia ter sido a Eva mas o Adão também é menino para o fazer.
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A solução esta no fundo do túnel mas a lâmpada que ilumina a solução esta fundida ou sofreu um ataque terrorista. <BR>Devia ter sido a Eva mas o Adão também é menino para o fazer. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>bricadeiras</A> a parte nada justifica as mortes de inocentes seja qual for a razão para tal. <BR><BR><BR>
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 16:38
E as maçãs?
Anda por aí tanta maçã do pecado...
rs,...rs...rs...
Ab.
LC
De MP a 28 de Novembro de 2008 às 00:21
Luís,

O terrorismo existe precisamente porque o Homem não se conhece.

Se o Homem se conhecesse não haveria lugar a terrorismo.

A base do terrorismo está na incapacidade de, primeiro, compreender e respeitar a existência do demais - da pluralidade, da diversidade, de seguida estão todos os tipos de problemas mundanos: desde questões políticas, a económicas, religiosas e um sem número de desculpas para matar pessoas.

A redução do terrorismo a questões de ordem geopolítica e geoestratégica é limitadora; assim como foi o pós Guerra Fria. O terrorismo é um despudorado arsenal de interesses, principalmente, económicos.

Bjs
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 16:46
MP,
quando digo "desde que o Homem se conhece", é no sentido "desde que existe".
Bjs
LC
De MP a 28 de Novembro de 2008 às 18:34
Eu percebi!

Mas eu refiro-me à Consciência de si mesmo e dos demais.

Quanto a soluções, não há. Infelizmente, a "coisa" tende a piorar.

Bjs
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 21:18
Tende a piorar porque continuamos todos com o pé no pescoço uns dos outros.
Um destes dias vou escrever sobre isto.
Bjs
LC
De filha do administrador a 28 de Novembro de 2008 às 02:34
o "em nome de Deus" é só uma fachada que as pessoas utilizam quando querem disfarçar o mal que fazem.
por acaso já alguém fez o bem dizendo que o fazia em nome de Deus?
Não, porque não é preciso disfarçar nada.
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 16:50
Olhe que sim.
Há muita gente a praticar o Bem em nome de Deus.
Por exemplo: os missionários.
Bjs
LC
De Peace_Terrorist a 28 de Novembro de 2008 às 04:58
Foi com muita pena que nao vi nenhum post acerca do golpe de estado ou tentativa de assassinato na Guiné Bissau.
Como sei k tem la amigos era interessante um ponto de vista de um Africano guineense, acerca dos acontecimentos, visto k a unica fonte existente no local era uma jornalista da Lusa se nao me engano.
Quanto aos acontecimentos na India so tenho a dizer:
"Hj vivemos num mundo onde nos temos que esconder para fazer amor, enqto q a violencia e praticada em plena luz do dia!"

De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 16:53
Meu caro/a
cheguei a pensar em fazer um post, mas achei que era mais do mesmo.
Fiz um texto sobre a tentativa anterior onde dizia que a Guiné não tinha emenda. Concluí que teria de me repetir. Só por isso.
Mas fica a ideia para um destes dias voltar ao asunto.
obrigado.
LC
De Pedro Oliveira a 28 de Novembro de 2008 às 09:20
Não sei qual é a soluçã, se vai haver solução e se não estamos perante um problema de sempre, que só é diferente porque somos nós que os estamos a ver via televisão.
Individualmente podemos começar por nos preocupar como os nossos filhos, Homens de amanhã.Ontem estive numa conferência sobre bullying, e em vez de nos preocuparmos com os outros, é chegada a hora de olharmos para nós e vermos que pessoas estamos a (des)educar e formar como cidadãos. A prevenção tem que começar em casa e na escola.Não é a solução para o terrorismo,mas pode ser a solução para a tolerância para as diferenças.
bom fds
De Maria Araújo a 28 de Novembro de 2008 às 12:54
Olá Pedro.
Eu faço-o, todos os dias na escola, em casa, na rua, desde que me permita a mim mesma intervir.
O respeito e valores vêm de casa.
Gostei do seu comentário.
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 17:01
Visto.
LC
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 16:54
Antes ainda da escola, tudo tem começar em casa.
Ab.
LC
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2008 às 16:55
melhor:
"ainda antes"
LC

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Reportagem Angola - 1999



Reportagem Iraque - 2005


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Afeganistão - 2010

Livros

"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


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Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
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Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
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RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
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