Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Como é possível?

Não entendo esta Justiça!

A Justiça que em seis anos não foi capaz de decidir, decide agora que a criança é consciente do seu drama

 

Esta menina, quando tiver 18 anos, devia meter o Estado em tribunal!

E quando falo do Estado, falo de todos os que insistem em decidir-lhe um futuro que ela não quer.

Por toda a razão que possa assistir ao pai biológico, primeiro está o superior interesse da criança.

Hoje, a menina de Torres Novas, recusou-se a sair do carro...

 

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=378772&tema=27

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 20:32
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68 comentários:
De Fatima a 19 de Dezembro de 2008 às 21:12
Que interesses andam por trás deste caso?
Quem nunca quis a Esmeralda, e que só com o teste de ADN ficou a saber que tinha filha, anda agora a querer a criança?
Deixem-na. Ela está bem com os pais adoptivos. São eles que lhes dão há muitos anos amor, carinho, comida, educação.
De Luís Castro a 19 de Dezembro de 2008 às 21:34
Como será violento para aquela menina de sete anos...
Confesso que tenho alguma compreensão pela atitude do pai biológico, mas o lugar da menina será com os pais adoptivos.
Se até hoje a Justiça não resolveu, que tivesse resolvido.
Agora é pior a emenda.
LC
De MrCosmos a 22 de Dezembro de 2008 às 01:58
Caro Luis Castro,
Acompanho o seu blogue desde o início, algum dia deixaria o meu primeiro comentário, acontece-o hoje.

Preocupante para mim, é a criança continuar entregue aquele casal que a manipula a seu bel prazer, que a "adquiriu" por vias ilegais e reprováveis, que a alienou, que são os verdadeiros culpados dos traumas que a criança possa hoje sofrer, que não cumprem ordens do tribunal desde a altura em que a idade da criança ainda se podia contar em meses (não sei se 13 se 14 se 18...) - altura essa em que a entrega mais que legitima ao pai biológico teria sido feita com muito provavelmente bom sucesso e sem traumas que hoje fossem visíveis - troca essa que só não foi, nem nunca tem sido possível porque o casal ilegal e egoisticamente a manteve em sua posse, etc... etc...

E preocupante para mim é que isto tudo seja ignorado pelos formadores de opinião publica como é o seu caso, e defendam ainda assim que "o menos mau" será a criança continuar com os pais afectivos.

Preocupante para mim, é que foram os formadores de opinião pública que fizeram em boa parte, do Baltazar o "monstro" de sociedade como é encarado hoje por uma grande maioria dos Portugueses, por ter tido as suas duvidas legitimas, e desconhecer as atitudes igualmente reprovaveis da mãe, e que todos esquecem.

E preocupante para mim é que tenha de ser a justiça externa, mais uma vez, a repor a ordem na mexoldria de um caso português. Porque é o que vaí acontecer, não haja a minima dúvida. Ela tarda mas não falha.

Está criança a ser entregue com pouco mais de um ano ao seu pai biológico, hoje estaria bem, e sem qualquer trauma. Não sei porque é que os formadores de opinião não querem ver ou evidenciar, o que salta a olhos vistos.

Parabéns pelo seu blogue, e por ser um jornalista que não se acanha de assumir desta forma sua opinião.
Neste concreto, Sobre a Esmeralda, Discordo completamente do seu comentário. Posso Estar a ser eventualmente injusto, pois ainda não lí o que poderão ser os restantes dos seu comentários mais abaixo, mas respondo a este em concreto.


Cumprimentos.
Paulo César.
De Luís Castro a 22 de Dezembro de 2008 às 03:39
Paulo,
é, sem dúvida, um dos comentários que me fizeram pensar antes responder.
E explico - não sei se o deva revelar, mas espero que da minha redacção ninguém me leve a mal:
Chamei a atenção de todos os meus colegas (coordenadores, editores e jornalistas) logo no início, quando o caso se tornou mediático. E chamei a atenção para o facto de não nos deixarmos envolver emocionalmente, fazendo, numa das reuniões de alinhamento do Telejornal, uma leitura objectiva sobre a atitude que o pai biológico assumira desde que teve certeza de que a menina era realmente sua filha. Nessa altura já toda a opinião pública vociferava contra ele por só então se interessar pela filha, teria ela quatro anos de idade, o que estava errado.
Mas, como jornalista, trabalho sobre factos. O Telejornal relembrou então os passos que o pai biológico tivera até aí, para que os públicos tivessem todos os dados e para poderem estar totalmente informados.
Sou o "pai" do livro escrito pelas jornalistas Rita Marrafa de Carvalho e Margarida Neves de Sousa.
Tive, ao longo de todo este tempo, uma atitude muito cuidadosa e atenta sobre o caso.
E, repito, como trabalho sobre factos, para mim há um que se tornou importantíssimo para que eu tenha esta opinião: o superior interesse da criança.
Se a Justiça tivesse actuado na altura em que o deveria ter feito, a menina nesta altura estaria a viver com o pai biológico. Não o fez e a menina agora é consciente do seu drama.
Será que a Justiça nesta altura deverá ser cega?
Acho que não!
Agora a menina, com quase sete anos, deve ser arrancada ao seu mundo para ser devolvida a outro que ela não quer?
Não sou especialista nestas situações, mas sou pai, e parece-me de uma violência tremenda.
Se eu tivesse que decidir sobre este caso, não tenho qualquer dúvida: ela ficaria com os pais que a criaram ao longo deste anos, independentemente de todas as asneiras que fizeram e obrigaria o Estado a assumir todas as suas responsabilidade pela forma como não actuou!
Mais:
não posso concordar com esta atitude do tribunal e dos pais de que sejam divulgados todos os passos de ora entrega a um, ora entrega a outro.
Novamente os adultos a portarem-se como prefeitos manipuladores.
Todos!
Ab e Bom Natal.
LC
De Licinio Oliveira a 23 de Dezembro de 2008 às 18:06
Caro Luis, num estado de direito (apesar de as vezes nao parecer) o dito "o superior interesse da criança" deve ser dito LEGITIMO superior interesse da criança. Em qualquer outro caso neste pais a criança teria sido retirada ao casal e entregue à guarda do estado e dai seria encaminhada por decisao do tribunal para onde este achasse do superior interesse da criança e este sim seria legitimo. Nunca em caso algum, a partir do momento em que o caso chega as autoridades, a crinça pode permanecer a guarda do casal. ( alias so esteve porque este agiu de forma criminosa, como alias ficou ja provado e transitado em julgado).
De Luís Castro a 23 de Dezembro de 2008 às 23:22
Não diria criminosa, antes ilegal.
Ab e Bom Natal.
LC
De Luís Castro a 22 de Dezembro de 2008 às 03:42
"perfeito", peço perdão.
De MrCosmos a 22 de Dezembro de 2008 às 10:25
Caro Luís,
No fundo, e como é lógico, o meu comentário, apesar de impulsionado pelo seu anterior, não é que lhe seja dirigido a sí.

Entenda-o como um desabafo de mais um cidadão revoltado com esse caso.
E louvo-lhe a "caridade" de ouvir e trocar iguais desabafos com os leitores por aqui.

Sobre a melhor solução e no maior interesse da criança, a minha solução seria se calhar entendida por radical, Mas passaria por afastar a menina dos pais adoptivos, pois esses são quem sobretudo lhes tem feito mal, e continuarão a fazer, mesmo sem ser a intenção deles, infelizmente para a Esmeralda, eu entendo que essa "dor" lhe faria bem, daqui a meia dúzia de anos.

E lógico que não pode passar directamente para o pai biológico, tem de haver aqui uma intermediação, não me pergunte qual...

O Luis Castro e demais colegas, ainda hão-de dar noticias infelizes, daqui por meia dúzia de anos, de uma jovem adolescente delinquente chamada Esmeralda, pois corre sérios riscos de vir a selo...

Deus queira que esteja enganado.

Felicidades e Bom 2009 para todos!
De Luís Castro a 22 de Dezembro de 2008 às 18:53
Respondo a todos os comentários, embora por vezes não o consiga fazer com a devida profundidade atendendo à falta de tempo.
Abraço e Bom Natal.
LC
De Filipe Domingos a 19 de Dezembro de 2008 às 21:18
Até as palavras me faltam para comentar esta tragédia.
O que aquela menina não está a sofrer neste momento, até me custa pensar nisso.
Isto é uma barbaridade cometida por quem nunca teve filhos.
De Luís Castro a 19 de Dezembro de 2008 às 21:34
Ele é quem mais sofre, sem dúvida!
LC
De Luís Castro a 19 de Dezembro de 2008 às 21:34
Visto.
LC
De Ludo Rex a 19 de Dezembro de 2008 às 21:25
Amigo,
Não se entende esta situação. Que raio de país é este?
Abraço e Bom Fim de Semana
De Luís Castro a 19 de Dezembro de 2008 às 21:35
Obrigado e igualmente.
LC
De José Fernandes a 19 de Dezembro de 2008 às 22:01
Boa noite Luís,

O que estão a fazer a esta menina é uma barbaridade, é inadmissível, mas é o reflexo do funcionamento da justiça em Portugal, com juízes burros e advogados que querem ser estrelas de televisão.
Nunca entendi a atitude do pai biológico, se ele gostasse mesmo da filha, nem se aproximava dela e deixava que a menina crescesse de forma saudável com os pais adoptivos.

Um abraço
JF
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 00:11
Visto.
LC
De Carlos Alberto a 19 de Dezembro de 2008 às 22:43
Alguém rapta a sua filha quando esta tem um ano de idade. Quando esta atinge os 5 você consegue localizá la e tenta reave-la.
"Por toda a razão que possa assistir ao pai biológico, primeiro está o superior interesse da criança.

Hoje, a menina de Torres Novas, recusou-se a sair do carro..."

O que faria se fosse a sua filha!
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 15:02
Visto.
LC
De António Manuel Dias a 19 de Dezembro de 2008 às 23:33
Custa-me ver que a comunicação social em Portugal continua a tratar os assuntos pela rama (isto acreditando que não há qualquer interesse escondido ou pressão por trás das opiniões veiculadas, o que por vezes se torna difícil). Neste caso, isso é mais que evidente:

1. A criança foi entregue pela mãe, ainda não sabemos em que condições nem por que razão, a este casal, pouco tempo após o seu nascimento. O casal, em vez de se dirigir aos serviços competentes para tratar do caso, a Segurança Social, preferiu nada dizer e tratar a criança como sua filha.

2. O pai da criança luta pela posse do poder paternal desde que teve conhecimento da sua existência, ainda ela não tinha feito um ano. Mesmo vendo a dificuldade do estado em fazer cumprir as decisões judiciais, nunca optou pelo que teria sido o caminho mais fácil, desistir ou resolver o problema por suas próprias mãos.

3. O casal com a guarda ilegal da criança, depois de omitir a sua existência à Segurança Social, optou por desrespeitar as várias decisões judiciais, efectivamente raptando a criança, sujeitando-a a uma vida de foragida, com várias mudanças de local de habitação, sem a possibilidade de se relacionar com outras crianças da sua idade ou ter uma vida normal. E manteve isto durante praticamente toda a vida da criança!

4. Durante toda a sua vida, esta criança foi intoxicada contra o seu pai pelas pessoas que detêm a sua guarda, apesar de saberem que, eventualmente, lhe teriam de entregar a criança. Não surpreendem, por isso, todas as cenas de rejeição nos contactos com a família que um dia será a sua (mas também há relatos de que isso não é sempre assim (http://esmeralda-sim.blogspot.com/), apenas não aparecem na comunicação social).

E o que vemos na comunicação social sobre tudo isto? Programas completamente parciais de apoio a este casal, campanhas de pressão perante a justiça e branqueamento de todo o seu comportamento de confronto à justiça. A reportagem de hoje no tribunal é um perfeito exemplo disso mesmo. Assim, não compreendo frases como estas:

"A Justiça que em seis anos não foi capaz de decidir, decide agora que a criança é consciente do seu drama"

Não foi capaz? Foi! O que se passa é que as suas decisões nunca foram cumpridas.

"Esta menina, quando tiver 18 anos, devia meter o Estado em tribunal!"

Concordo. E devia aproveitar para processar todos os que pactuaram com o incumprimento da lei e das decisões dos tribunais.

"Por toda a razão que possa assistir ao pai biológico, primeiro está o superior interesse da criança."

Quanto a isto, lembro-me de há já mais de um ano ter escrito o que se segue numa lista de correio que frequento:

O que muita gente não percebe -- mesmo esposas de antigos presidentes e até pessoas de lei, como juízes, promotores públicos e advogados -- é que a lei existe também para a protecção do superior interesse das crianças. De todas as crianças e não apenas de uma ou outra cujo caso chegou à comunicação social.

Por absurdo, a jurisprudência de casos tipo Esmeralda, tal como essas pessoas gostavam que fosse decidido, implicaria que bastaria a alguém roubar uma criança aos seus pais à nascença (ou pagar por ela) para quatro ou cinco anos depois se apresentar à justiça dizendo que, no superior interesse da criança roubada, ela deveria ficar com eles.


(aqui: http://maracuja.homeip.net/blog/comentarios?art=424)

Finalmente, chamar pais adoptivos a este casal é uma afronta a todos os que, como eu, adoptaram uma criança legalmente neste país.
De Maria Araújo a 20 de Dezembro de 2008 às 00:02
Muito bem relatado.
Conheço alguém que esteve 3 anos á espera da adopção. Conseguiu. É um casal feliz, a criança também.
Luís, será que a comunicação social mostra só aquilo que lhe interessa? (não estou a referir-me a si, mas a toda a comunicação em geral).
Bom fim de semana.
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 00:22
Sou dos poucos que defende que a criança deveria ter sido entregue ao pai biológico, mas agora há que ter em conta a sua vontade.
E quanto à Procuradora tirar a criança à força do carro, nem vou comentar.
Bjs
LC
De Maria Araújo a 21 de Dezembro de 2008 às 23:41
Pois, detesto isso, a força.
Faz-me lembrar algo do passado(...) . A criança ficou com a mãe, no fim de semana que seria do pai.
Hoje é um adulto, que se dá bem com toda a família.
Beijinho
De Luís Castro a 22 de Dezembro de 2008 às 02:59
Bjs e as festas.
LC
De EU a 20 de Dezembro de 2008 às 19:34
O senhor desculpe, mas a diferença entre "adoptado legalmente" e "criado como filho" está num miserável papel!
O amor não se quantifica nem é comprado.... ama-se uma criança porque...se ama.
E o casal Gomes deu todo o amor a esta menina que lhe foi confiada pela mãe. Foi uma escolha maravilhosa!
Porque é que o "pai biológico" não a aceitou quando a mãe lhe foi pedir ajuda? Só valeu o papel do ADN? Isso é que lhe deu amor e instintos paternais?
O "pai biológico" deveria ter vergonha; está a viver à custa da filha... isso não é exploração infantil?. Que propósito é o dele? Ter a filha "a render"?
Espero que quando ela tiver 18 anos, meta o Estado em tribunal e exija ao pai o dinheiro que ele "ganhou" à custa dela.
De António Manuel Dias a 21 de Dezembro de 2008 às 01:09
Tens razão, a diferença entre adoptar legalmente ou não é um mísero papel. Só que esse papel é também a diferença entre adopção e tráfico de crianças.

Qualquer cidadão de bem, quando uma mulher lhe viesse oferecer uma criança (e vamos supor, para bem da conversa, que foi apenas isso que aconteceu), contactaria de imediato as autoridades competentes, neste caso a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, ou mesmo a polícia, se não estivesse bem ciente do que fazer. Este casal optou por não fazer isso, de início. Depois, quando confrontado com a vontade do pai em ficar com a guarda da rapariga, optou por fugir à justiça, obrigando-a a uma vida de fugitiva. Acho que estamos conversados quanto à sua ética e moral e ao que entendem por zelo pelos melhores interesses desta criança -- é bom lembrar que, por esta altura, ela não tinha ainda um ano de idade.

Quanto à afirmação de que o pai está a viver à custa da filha, sinceramente não percebi o que queres dizer.

Eu sou da opinião que a adopção deve passar por todo um processo, quer na parte das crianças quer pelos candidatos à adopção. Pode ser burocrático e, eu sei-o bem demais, tem muito que melhorar, no nosso país, mas é o único obstáculo à frente do negócio da adopção. Pelos vistos, tu preferes o ajuste directo entre as partes interessadas. São pontos de vista...
De EU a 21 de Dezembro de 2008 às 09:55
O pai está a viver às custas da filha.... não entende? O biológico recebeu 30.000 Euros, a dividir por seis anos dá 5.000 Euros por ano. É um bom rendimento não é? E ainda falta o resto...
Espero que a Esmeralda, quando fizer 18 anos, peça contas ao biológico, que não a acolheu enquanto pequenina e indefesa e, agora, até vai à 'estranja´para reaver o que deitou fora.
Tenha um Santo Natal e parabéns por ser PAI.
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 14:56
Visto.
LC
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 14:46
Visto.
LC
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 00:20
António,
remeto a resposta ao seu comentário para um deixado ao Carlos Alberto.
Obrigado.
LC
De Antonio a 22 de Dezembro de 2008 às 00:40
Faço minhas as suas palavras.
De Luís Castro a 22 de Dezembro de 2008 às 03:00
Visto.
LC
De enfermeiro_de_serviço a 20 de Dezembro de 2008 às 00:36
Por muita razão que tenham o pai biologico e o sargento e a mulher...PAREM de usar a esmeralda como pingpong.

Ela é uma criança e toda a gente insistem falar do baltazar e do sargento e esquecem que há uma criança no meio disto tudo que sente certamente que querem ver quem aparece mais vezes na tv do que se ela está bem.

Não me interessa minimamente quem tem razão, preocupem se com a criança e deixem se de guerras estupidas. Tanto o baltazar como o sargento como a mãe biológica PAREM um pouco para pensar na Esmeralda.
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 00:25
POR MIM, O CASO DA MENINA JÁ TINHA SAÍDO DAS NOTÍCIAS HÁ MUITO TEMPO!
Mas reconheço que sou minoria.
LC
De carvalho leite a 20 de Dezembro de 2008 às 03:04
Este caso desde o inicio que teve contornos muito pouco esclarecedores, desde o envolvimento de figuras públicas no processo, até ao tratamento primário e de senso comum por parte dos jornalistas...Custa-me saber que este movimento teve o ênfase que teve pelo facto de vivermos numa sociedade, dada ao materialismo que julga este caso a pensar que um operário da construção civil quer reaver a filha a um sargento, que tem melhores condições monetárias para a criar, e todas as outras questões lançadas a debate parece secundarizadas.
Compreendo e sou sensível ao facto de o Sargento Luís Gomes e a esposa A. Lagarto ter construído laços afectivos com a pequena Esmeralda, mas temos que ver que só os desenvolveu, privando o próprio pai de os construir...

Estranhamente assemelho este caso á novela que se desenrolou á uns anos, entre cuba e Estados unidos pela luta de um menino vítima de um naufrágio numa embarcação clandestina em águas dos EUA, onde perdeu a mãe, e não queriam deportar o miúdo para Cuba, onde ficou o pai, por dizerem que nos Estados Unidos iria ter melhores condições para viver...
E dizerem que a menina deveria ter capacidade de escolha, é o mesmo que estarmos a dar aval a possíveis lavagens cerebrais que lhe poderão ter feito...
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 00:28
Se estivesse no lugar da criança, como se sentiria neste momento?
A culpa é de uma Justiça que não existe e que há muito deveria ter decidido.
E não decidiu!
LC
De Sónia Pessoa a 20 de Dezembro de 2008 às 14:32
Vou fazer se calhar um comentário parvo, mas vou fazê-lo na mesma... há coisas que me irritam, que me irritam mesmo... e há coisas que me apetece resolver com dois pares de estalos, apetece mesmo!!
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 14:30
Calma, Sónia!
rs...rs...
Bjs
LC
De Carla a 20 de Dezembro de 2008 às 14:52
Sei que pode ser um caso polémico de avaliar e julgar, sobretudo se tivermos como cerne da discussão o interesse dos Pais (afectivos e biológicos). No entanto, se focarmos o problema pelo ângulo da menina (que até a identidade confunde entre Esmeralda e Ana Filipa) acho que as coisas se tornam mais simples de resolver.
É certo que os Pais afectivos deveriam ter enveredado por um caminho normalizado, com a segurança social, mas também é certo que o Pai biológico deveria ter aceite desde logo a menina, ainda até em desenvolvimento no ventre da mãe. E não se diga que ele antes não sabia que era filha dele, pois quando a Aidida porto lhe comunicou o nascimento da menina (mesmo depois dele a ter enjeitado quando a soube em estado de (des)graça para ele) ele exigiu que o nome fosse Esmeralda, o nome da avó Paterna. No entanto, nunca lhe reconheceu mais nenhum direito - nem sobrenome nem pensão de alimentos. Quando a Mãe biológica exigiu o teste de ADN não foi para ele ter a certeza da sua "culpa" no caso, mas tão só para fazer valer o direito à menina a um sobrenome (sem a carga psicológica do tradicional "filha de pai incógnito").
Claro que o Pai biológico diz que sempre a tentou reaver, mas as pessoas não são objectos - até com animais não se deve promover a troca de donos - e como tal os pais afectivos só tentaram proteger a menina emocionalmente, pois quem garante que esse desejo iria ser permanente?!!! Já os pais afectivos tinham demonstrado desde o primeiro momento que a queriam como filha ainda que não tenham contribuído com qualquer gene.
O engraçado de tudo isto é, depois de todo o sofrimento que pais afectivos e criança passaram, é que o "abandonante" pai biológico ainda ter direito a uma indemnização de 30 mil Euros do Sargento ( e vamos lá ver quanto ele irá usufruir com a A. Lagarto...) e a Mãe Aidida Porto, por a ter entregue quando não tinha outras alternativas, deixa de ter o direito de a reinvidicar.
E volto ao início... é um assunto polémico se visto na perspectiva dos adultos envolvidos, mas tão fácil de resolver se se usar o bom senso.
E para o senhor que diz que "se o pai biológico não desenvolveu laços afectivos com a criança foi por a família afectiva não lhe ter permitido", só dá razão ao argumento "do real interesse da criança", pois manifesta que o envolvimento social é muito mais importante que qualquer relação biológica. Que o digam as Joanas, as Vanessas, as Saras, os Fábios e infelizmente muitos outros que já cá não estão para contar a história deles no seio das suas famílias biológicas.

Carla
(mãe biológica).
De António Manuel Dias a 20 de Dezembro de 2008 às 16:22
O interesse desta criança é que a telenovela à sua volta acabe o mais depressa possível, o que só acontecerá quando aqueles que chamas pais afectivos (que não o são) passarem a cumprir a lei e as decisões dos tribunais e entregarem finalmente a criança ao detentor do poder parental, o pai de nascimento.

O interesse de todas as outras crianças é saber que o estado não pactua com o tráfico de menores. E saber que irão crescer num estado de direito em que as leis são respeitadas por todos os cidadãos e, nos casos em que o não forem, que os tribunais e as forças da ordem têm o poder necessário para as fazer cumprir.
De Carla a 21 de Dezembro de 2008 às 01:04
A questão, neste caso em particular, é achar-se que o Direito Paternal é mais importante que o Direito Filial"! A menina tem o direito de ser Filha de quem ela toma por Pais. E estes pais não fizeram qualquer tipo de tráfico como induz no seu comentário. Eles limitaram-se a aceitar uma criança dos braços de uma mãe biológica que não tendo meios para a criar - e sem qualquer apoio do homem que deu um espermatozóide - teve o amor suficiente de a entregar a quem lhe podia garantir a sobrevivência. Se estes senhores não existissem, se calhar a Esmeralda não teria durado 6 anos, pois a dependência da criança no início da sua vida a adultos responsáveis é total.
Vamos ver - e sinceramente espero que seja eu a errar - se o desejo deste pai em ter a menina irá continuar depois de esgotar as possibilidades de indemnizações por parte de quem lhe educou a criança que diz tanto querer como filha. Eu no caso dele estaria eternamente grato a este casal e manteria o relacionamento que a menina quisesse. Ele esquece-se é que a Esmeralda pode preferir a curto prazo continuar a ser Ana Filipa e acusá-lo de lhe ter raptado os afectos primários que qualquer ser humano desenvolve - o AMOR PELOS PAIS.
E quer queira quer não, para a menina a FAMÍLIA dela é o casal Gomes, mesmo que o Tribunal lhe determine a Família Nunes...
E o triste é terem escolhido as vésperas do Natal para fazerem a "troca de pais"... uma época em que a Família é tão importante. Infelizmente para esta menina o Amor não é passado hereditariamente! Muito mais importante que a componente biológica é a social no desenvolvimento humano. Já reza a sabedoria popular: Parir é dor; Criar é Amor! E esse senhor Baltazar Nunes nem a dor teve.
Um pai verdadeiro, perante os gritos da filha, teria tido o AMOR ALTRUÍSTA de a deixar escolher com quem queria passar o Natal. Mas não, pois isso poderia pôr em risco o dinheiro que ainda tem na expectativa de receber... SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER!!!
De António Manuel Dias a 21 de Dezembro de 2008 às 01:20
Ninguém pode aceitar uma criança das mãos de outra pessoa. Este casal sabia isso muito bem, mas preferiu ignorá-lo. Tudo o que a criança está a passar neste momento é culpa exclusivamente sua. Só não vê quem não quer.

PS: eu também sou a favor do que chamas "direito filial".
De Carla a 21 de Dezembro de 2008 às 01:33
Hum... é por isso que aparecem mochilas abandonadas com crianças recém-nascidas lá dentro... E é sempre a mãe a acusada. Mas, na generalidade destes casos, os pais já abandonaram os filhos logo no início da gestação! Foi o caso do senhor Baltazar Nunes, que só se lembrou que era pai - na minha perspectiva - tarde de mais.
Mas, como disse no comentário anterior, espero que sejas tu a ter razão. Neste caso ficaria mesmo feliz...
E para bem da menina espero que tenha um Natal como o Sr. Nunes preconiza. Espero que não seja só ele a ter o melhor natal de sempre. Se calhar está a ponderar comprar com prendas o amor roubado nas vésperas desta quadra. Mas eu já não acredito no Pai Natal!!!
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 14:58
Visto.
LC
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 14:55
Visto.
LC
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 14:42
Leis cegas, nos dois sentidos da palavra.
E aqui a lei não pode ser cega, deve ver a CRIANÇA em primeiro lugar.
E, já agora, que a Justiça seja séria e decida quando o deve fazer.
Ab.
LC
De Luís Castro a 21 de Dezembro de 2008 às 14:38
Por tudo isto, eu falo:
NO SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA!
Os adultos já fizeram asneiras a mais.
Todos!
Bjs
LC

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Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
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Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
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Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
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