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“Hillary e Obama vão desfazer-se um ao outro. E ainda bem, porque McCainn será o melhor presidente para a América!” Este oficial do exército (de quem oculto a identidade por razões óbvias) está convencido do que diz. Para ele, uma vitória dos Democratas seria um desastre para o Iraque: “tanto um como outro já anunciaram que retiram daqui, mais cedo ou mais tarde”. E pergunta-me o que acho dos três candidatos. Respondo-lhe que McCainn dificilmente será o vencedor, que Obama não me parece preparado para liderar os Estados Unidos e que gostaria de ver Hillary como Presidente, até porque assim a América ganharia dois Clinton: “Quem votar nela, leva-o a ele também. E mais: seria engraçado ver Bill como Primeira-Dama”. O tenente-coronel não pode estar mais em desacordo comigo e tem uma teoria para o facto de nós, europeus, gostarmos de Bill Clinton: “Como vocês têm muitos governos socialistas, é por isso que gostaram dele enquanto esteve na Casa Branca. Foi uma governação do tipo trabalhista. Escreva o que lhe digo: McCainn vai vencer!”, remata oficial americano.


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A conversa aconteceu dois dias antes de eu sair do Iraque. E, na realidade, o tenente-coronel não deixa de ter alguma razão. O que acontecerá ao Iraque se os cento e cinquenta mil soldados regressarem a casa? De uma coisa tenho a certeza: poderá ser benéfico para o Ocidente mas será uma desgraça para esta gente. As palavras do oficial ecoam-me na cabeça enquanto faço as malas no hotel Palestina. Por cima de mim, lá no topo do décimo oitavo piso, ainda está o desejo de feliz 2004. O Iraque parou naquele ano de 2003.

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O próprio hotel, outrora centro do mundo com centenas de jornalistas correndo dentro e fora; os corredores apinhados de gente e de cabos; os quartos repletos de computadores e de fumo de cigarros; as varandas com tripés e câmaras de filmar; os terraços tomados por geradores e antenas parabólicas; o hall com guias, tradutores e motoristas esperando pelos repórteres e as salas com conferências de imprensa dos novos senhores de Bagdade - daqui se mostrava ao mundo o que acontecia ao segundo -, agora, cinco anos depois, os empregados são os mesmos mas o Palestina parece um fantasma. Sinto uma tristeza enorme.

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Bassim tem insistido para que contratemos uma empresa de segurança. Está desconfiado. “A vossa presença já se tornou muito notada e temo que alguma coisa nos possa acontecer no caminho para o aeroporto”, diz-me o meu guia e amigo sunita. Acho que ele tem razão. Pedimos preços e assusto-me. Vinte e cinco mil dólares foi quanto cobraram aos jornalistas da televisão austríaca à chegada. Uma loucura por trinta quilómetros de deslocação. Mais: os três seguranças que os acompanham para todo o lado cobram duzentos dólares por dia, o guia trezentos e o motorista cem. Acrescente-se o aluguer do carro e quatro quartos para que eles possam pernoitar no hotel. Peço ao Bassim que lhes diga que somos portugueses e que já só nos sobra cerca de quatro mil dólares. Deste dinheiro ainda há que pagar os excessos de bagagem de Bagdade para Amã e de Amã para Lisboa. Teremos que ir por nossa conta e risco.


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Tomamos um caminho diferente. Seguimos em direcção à Green Zone, mas nota-se que a viatura vai muito carregada e somos mandados parar em todos os checkpoints. Temem que o carro vá carregado com explosivos. Logo à saída do Palestina, um soldado vasculha o velhinho Pontiac. Mesmo assim continua desconfiado. Para ele todas aquelas caixas com o material de televisão podem não o ser. Olha os nossos passaportes e diz em árabe para o guia: “Não percebo nada disto. Podem até ser falsos que eu não o vou descobrir, por isso, se são terroristas suicidas, façam-me um favor: arranquem já e façam-se explodir longe daqui! Ah, e não matem ninguém!” Já dentro do carro, Bassim traduz divertido o medo que viu nos olhos daquele soldado. Seguimos para o aeroporto e, felizmente, nada nos acontece. Poupámos vinte e cinco mil dólares aos contribuintes.
Amanhã voltarei com mais.
Luís Castro
De pedro oliveira a 6 de Abril de 2008 às 00:04
Depois de umas semanas de actividade intensa, o que se sente quando se está no Minho, a apreciar uma bela paisagem, uma boa mesa e uma tranquilidade que essa também região dá?
os pormenores da vida ganham outra dimensão?
um abraço de Porto de Mós
pedro oliveira
PS.Bom regresso ao trabalho e continue a escrever, mesmo depois de nos ter contato tudo sobre o Iraque.
Pedro,
percebemos como é bom e belo o nosso país.
Mesmo com todas as dificuldades, há paz. Isso é o mais importante.
As coisas mais simples passam a ser as mais importantes e a hierarquia dos nossos problemas muda radicalmente.
Abraço
LC
De pedro oliveira a 6 de Abril de 2008 às 00:05
" que essa região também dá"
Vou continuar.
Prometo.
Abraço
LC
De abilio a 6 de Abril de 2008 às 01:15
bem, vindo companheiro.
almoçamos?
tal como te disse no primeiro post de todos neste blog "grande blog"
parabens e obrigado pelo que nos deste a conhecer e o olhar limpo como nos contas as coisas.
abraço
AM
Amigo,
tudo começou contigo. Depois tentei dar o meu melhor. Roubei muitas horas ao sono, mas não estou arrependido.
Esta expereiência permitiu-me crescer um pouco mais, pessoal e profissionalmente.
Estou pelo Minho e amanhã regresso a Lisboa e ao trabalho.
Estarei por aí durante os próximos dias.
Marca.
Abraço
LC
De
jmack a 6 de Abril de 2008 às 04:00
é bom que continues por aqui ...
obrigado pelo magnifico trabalho que tens feito
um abraço
jmack
Obrigado, jmack.
Estou mas não estarei por muito tempo, espero.
Já não vou ao Afeganistão há dois anos...
Abraço
LC
De
jmack a 6 de Abril de 2008 às 14:21
vê lá se convidas ... hehe
jmack
Boas Luís, quando é que poderemos ver todas as imagens que fizeste de uma só vez?
Haverá um especial 'Em Reportagem' ou um programa especial?
Francico,
já fiz um especial a 19 de Março que assinalava o 5º aniversário da guerra. Ou melhor, os cinco anos de guerra.
Agora estas serão imagens para arquivar e utilizar sempre que forem necessárias.
Abraço
LC
De Francisco Santos a 6 de Abril de 2008 às 14:35
Exacto vi esse especial dos 5 anos, pensei que houvesse outro com estas reportagens.
Obrigado
Francisco,
o material conseguido foi editado em duas reportagens (6 minutos no total).para o Telejornal.
Não há muito mais.
É muito difícil filmar naquelas condições.
Abraço
LC
De Diogo Rodrigues a 6 de Abril de 2008 às 14:44
Existe alguma forma de ver esse especial dos 5 anos ? visto que nesse dia não consegui ver a grande reportagem,
abraço
diogo
Diogo,
Pode ler um artigo escrito pelo Luís em http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=334311&visual=26&tema=2
A reportagem "Guerra sem Fim", sobre os 5 anos da guerra no Iraque, pode acompanhar em http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=334504&tema=31
Raquel Silva
Tu és o máximo, Raquel!
Sempre atenta.
Já visitei o teu blog. Vou ler com calma um destes dias.
Bjs
LC
Obrigada...
Estava a passar pelo blog e decidi responder, mas é mais simples como o Luís disse, através do blog. Se os posts aparecessem todos era mais fácil de lá chegar...
Bjs
Raquel
Obrigada.
Estava a passar pelo blog e decidi responder ao Diogo, mas é mais fácil como o Luís disse, através das tags. Seria ainda melhor se aparecessem todos os posts na página principal...
Bjs
P.S. - Amanhã já regressa ao trabalho?
Raquel
Sim, Raquel.
Amanhã regresso ao trabalho.
Não é que esteja com muita vontade, mas enfim...
Preferia estar no Iraque...
Bjs
LC
Luís,
Desculpe, mas o comentário saiu duas vezes...
Calculo que preferisse estar no Iraque, mas ao menos cá em Portugal as coisas estão mais calmas.
Tenho de lhe dizer que me fez muito bem conhecê-lo. A sério... Foi uma sorte. Para mim, o jornalismo era como um conto de fadas, onde podia escrever a toda a hora sobre tudo o que quisesse, no conforto de uma cadeira de escritório. O Luís fez-me estar mais atenta às notícias, ao mundo, e fez-me ver que o jornalismo é muito mais do que isso; muito mais complexo, muito mais difícil... E ainda bem que o é. É isso que o torna interesante. Mudou a minha ideia de jornalismo, e fez-me apreciá-lo mais e melhor. Para além disso, se não o conhecesse, provavelmente nem saberia da existêcia deste blog, e não viria aqui todos os dias ver, comentar e ler os outros comentários... E isso também nos enriquece como pessoas.
Amanhã às 20h, lá estarei a ver a RTP...
Bjs
Raquel
Raquel,
o que acabas de escrever é de uma enorme responsabilidade para mim.
Um dia olharei para a jornalista Raquel e saberei que fui importante na decisão do seu futuro.
Os teus pais têm muito orgulho em ti.
Que tenhas toda a sorte do mundo, porque será a sorte de todos nós.
Bjs
LC
Obrigada, mais uma vez. Por tudo...
Bjs
Raquel
Diogo,
está na tag que se chama "guerra sem fim".
Esta na coluna do lado direito, basta clicar e aparece o texto com o vídeo.
Abraço
LC
De Rui Germano a 6 de Abril de 2008 às 19:22
Como diz um velho ditado...
Não há fartura que dê em fome e não há fome que não dê em fartura...
Agora tudo é uma questão de tempo, é o que nos diz a história onde têm acontecido com todas as guerras.
Elas existem quando há interesses económicos... petróleo ou diamantes - um dia será a guerra pela luta da água... cada vez mais os desertos aumentam...
Porque será que os EUA estão por detrás das guerras?
Onde há uma, lá estão eles...
Um Abraço Amigo,
cuida de ti.
Rui Germano
Rui,
é verdade: o tempo é o melhor juiz.
O problema é que por vezes parece que nunca mais chega aou acaba...
Para uma nação ter bons soldados tem que estar sempre em guerra... Eu diria mais para ter bom equipamento militar, porque quanto a soldados, nós, portugueses, não lhes ficamos nada a dever.
Abraço
LC
De Diogo Rodrigues a 6 de Abril de 2008 às 23:11
Obrigado raquel
A Raquel está sempre atenta...
De Diogo Rodrigues a 6 de Abril de 2008 às 23:26
é quase uma assistente (sem ofensa claro)
Estou a visualizar a reportagem dos 5 anos(quando tinha 12 anos) lembro.me muito bem de ouvir o jornalista a dizer estão a tocar sirenes em Bagdad
Luís vi que ia a guiar, os iraquianos sabem andar de carro ou são do tipo chega para la?
abraço
Diogo,
guiam como nós... bem, não são tão doidos, mas o trânsito , por vezes, é caótico.
Abraço
LC
Não ofendes nada, pelo contrário, para mim é uma honra que assim seja... :D
Deves ter mais ou menos a minha idade, eu tenho 16... e também estou em Humaniades, a pensar seguir Jornalismo...
Continua a vir aqui deixar os teus comentários.
Bjs
Raquel
Vocês são dos meus leitores mais assíduos.
Obrigado aos dois.
LC
Nunca sabemos quem são os leitores mais assíduos.
Sabemos quem são os comentadores mais prolíferos, mas nisto dos Blogs, os mais assíduos fazem habitualmente parte de uma maioria silenciosa. A maioria das pessoas visita, mas não comenta.
:)
Jonasnuts,
captei...
Obrigado
Bjs
LC
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