Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

"Sim, aceito!"

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A pedido do Luís Castro, venho aqui relatar um pouco desta experiência vivida no Iraque. Embora o prefira fazer através da objectiva da câmara, não posso deixar de dar um pequeno contributo a este Blog que tanto sucesso tem feito.

Depois de Israel (Faixa de Gaza) em 2005 e Kosovo em 2007, este foi sem dúvida o local mais complicado onde efectuei reportagem ao serviço da RTP.

Quando me fizeram o convite, não pensei duas vezes. “ Sim, aceito!", respondi de imediato. Falaram-me da situação complicada no país, do perigo na realização do trabalho, mas este é o tipo de reportagem que eu gosto. As Reportagens de Guerra sempre foram um objectivo no meu horizonte profissional, também pelo serviço militar cumprido no Regimento de Comandos  que me deixou boas recordações.

Além de ser gratificante para qualquer jornalista poder trabalhar num local onde a história mundial acontece diariamente, é fantástico saber que será através objectiva da nossa câmara que milhões de pessoas vão receber as noticias do que se passa no Iraque. Infelizmente foram mais as más do que as boas. Mas o estarmos lá, o sermos nós a contar, foi muito bom.

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O perigo e o risco existem e são bem reais, mas acho que pensamos mais nisso antes de lá chegarmos e talvez agora que nos encontramos no sossego de  casa. Os dias no Iraque eram vividos de forma tão intensa que não tínhamos tempo para pensar nos possíveis riscos que estaríamos a correr. Quando nos esquecíamos, o amigo Bassim estava lá para nos lembrar. Desde os tempos de tropa que sempre soube que não existem heróis e nesta nossa deslocação, por vezes, arriscámos mas sempre de forma consciente, pois que adianta ter “o boneco” e depois não estarmos cá para poder o mostrar a todos?

O sabermos que as imagens por nós captadas em Sadr City estavam a ser emitidas para todo o mundo e pelas grandes cadeias de televisão compensou tudo.

Foi bom ver uns rasgos de felicidade no olhar daqueles jovens soldados americanos ao terem conhecimento de que talvez a família os pudessem ver na televisão. Um sorriso que, por breves instantes, quebrou a dureza dos dias de combate e o receio dos perigos constantes.

Foi bom ver que no meio daquela realidade, às vezes difícil de imaginar, ainda existem momentos de felicidade no sorriso, no olhar e nas brincadeiras das crianças. Elas fizeram-nos esquecer que estávamos num pais em guerra.

Foi bom ver que a Directora do Museu de Bagdade tem esperança na recuperação de muitas das quinze mil peças roubadas e que estão a trabalhar no restauro de outras para brevemente reabrirem ao público.

Resta partilhar a esperança de todos aqueles, em especial todos os amigos que por lá deixámos, possam também um dia ter a alegria e a oportunidade de saber o que é viver em paz.

Bassim, nunca te esqueças o que aquela jovem nos disse no parque infantil:  “As flores continuam a abrir todos os dias no Iraque “ . Força e obrigado por tudo!

 

Agradecimentos:

Este trabalho no Iraque, apesar de todo o risco que envolvia, foi bastante facilitado por estar na companhia de um jornalista com bastante experiência e profissionalismo nestes cenários de guerra.

Obrigado por tudo Luís.

Aproveito esta oportunidade para agradecer todas as mensagens de incentivo e apoio que foram deixando nestas páginas. 

Acreditem que foram importantes.

Um Abraço a todos.

Paulo José Oliveira ( repórter de imagem)

 

publicado por Luís Castro às 02:27
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53 comentários:
De Patti a 11 de Abril de 2008 às 08:37
Olá Paulo,

Várias vezes eu e todos os outros comentadores deste blog, fizemos referência ao teu nome.

O facto de estares 'escondido' atrás da câmera, não nos fez esquecer que sem ti, todas estas imagens que nos falas, não passariam pelas televisões do mundo.

E mais importante é o que se passa a seguir das reportagens.
Os laços de amizade, companheirismo e conivência que se criam entre os homens em cenários terríveis como o que se vive no Iraque, neste momento.

Aprende-se de uma forma mais dura a dar valor à pessoa que está ao nosso lado e nos acompanha para toda a parte, como fossemos ao mesmo tempo responsáveis pela protecção dela e vice-versa, dar valor aos outros que sofrem e não têm a sorte de voltar para casa ao fim de três semanas e principalmente à vida.

Bom trabalho, Paulo. De certeza que com companhia as coisas foram mais fáceis.
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 13:40
Olá Patti .
Obrigado pelos comentários que aqui tem deixado.
Sem dúvida que nestes cenários é muito importante funcionar em perfeita sintonia.
Uma das coisas boas que aprendi no serviço Militar nos Comandos, é que quando funcionamos em equipa, jamais podemos abandonar ou deixar de pensar em quem nos acompanha.
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Olá Patti . <BR>Obrigado pelos comentários que aqui tem deixado. <BR>Sem dúvida que nestes cenários é muito importante funcionar em perfeita sintonia. <BR>Uma das coisas boas que aprendi no serviço Militar nos Comandos, é que quando funcionamos em equipa, jamais podemos abandonar ou deixar de pensar em quem nos acompanha. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Tambem</A> no Iraque, o trabalho foi pensado como equipa e não de forma isolado, por isso correu bem. <BR>Um beijo <BR>Paulo
De Phil a 11 de Abril de 2008 às 09:21
Bom...perante o excelente trabalho realizado pelos dois...resta-me dizer simplesmente..."Foram Grandes! Obrigado."
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 13:45
Phil
O vosso reconhecimento ao trabalho por nós realizado é o melhor agradecimento que podemos ter.
Um abraço.
Obrigado
Paulo
De PJ a 11 de Abril de 2008 às 09:24
"eu sei que tu sabes" o que quero dizer com estas palavras:
És um profissional como poucos, de uma estirpe em que se contam pelos dedos das mãos a nível mundial. A tua humildade, verdadeira amizade e respeito pelos outros fazem de ti a pessoa e o colega em quem se tem plena confiança...
Deves isso à tua família, ao teu esforço e empenho... Podias estar a trabalhar noutro local mas o teu apelo a Coimbra fala sempre mais alto...
Sei que esta experiência te marcou, que te vai fazer querer mais, é natural!
O Luís foi muito bem acompanhado e ele sabe isso... Quando me perguntou como eras, eu respondi: "The Best ", agora ele também tem a certeza...
Obrigado por permitires que diga que sou teu amigo. Um abraço,
PJ
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 13:57
Olá PJ.
Não tenho palavras para agradecer esses teus elogios.
Sabes que desde sempre, este tipo de trabalhos, foi um objectivo por mim perseguido.
É desta adrenalina que eu gosto.
Neste trabalho tive a sorte de ser acompanhado por um exclente profissional e tambem amigo. O Luis foi excepcional. Também tu PJ és um bom amigo e , sabes que podes contar comigo. Um Abraço.
Paulo
De Ana Cristina Brizida a 11 de Abril de 2008 às 09:58
Olá Paulo,

Obrigada pelo seu depoimento no Blog do Luís.

Pois é... uma vez um familiar disse-me "once a comando, always a comando". É um sentimento muito forte que não se consegue explicar e que fica para o resto da vida.

Depois de Gaza, Kosovo e Iraque é evidente que o Paulo já foi contaminado pelo mesmo bichinho que o Luís... é a adrenalina total LOL. E por este andar vai ascender rapidamente ao estatuto de GANDA MALUCO!

Espero que no futuro façam muitos trabalhos juntos com a excelente qualidade deste último, não é só o pessoal das estações americanas e inglesas que é bom... têem é mais meios.

Desejo-lhe muitos sucessos profissionais, especialmente na companhia do Luís Castro, que considero um excelente profissional a todos os níveis e um ser humano fantástico e muito bem formado (espécie em vias de extinção).

Este Blog tornou-se num vício diário.

Bjs

Cris
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 14:08
Olá Cris.
Esse seu familiar têm toda a razão.
"Uma vez Comando, Comando para sempre".
O Sentimento fica cá dentro, talvez por tudo aquilo que vivemos durante o serviço militar.
Quando ao ascender rápidamente ao estatuto de "GANDA MALUCO", acredite que não me importo nada, pois é uma maluquice saudável e também seria sinal que mais trabalhos deste tipo estariam no meu percurso profissional.
Partillho totalmente da sua opinião em relação ao Luís.
Beijos.
Paulo
De alex a 11 de Abril de 2008 às 10:05
paulo

é uma facto k kem aki vem a este blog não se eskeçe k o luis não esteve sozinho

ate ontem era um nome uma imagem imaginada por cada um nós... agora sabemos um pouco mais.. o mais importante, o seu lado humano, a sua visão um tempo que para vos e por varias razões (nem todas boas) não irão eskecer...
e graças a vocês, nós tambem não!
obrigada! de facto as flores ainda abrem e as crianças ainda brincam... e enkuanto assim for ainda há lugar à esperança!
obrigada
alex
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 14:17
Olá Alex .
Obrigado pelas mensagens que aqui tem deixado.
Depois de tudo o que vimos e sentimos durante a estadia no Iraque resta-nos a esperança, ainda que por mais pequena que ela seja, que aquele povo possa um dia saber o que é viver em paz.
Um abraço.
Paulo
De Antonio Sarmento a 11 de Abril de 2008 às 11:41
Caro Paulo,
Muitos parabéns pelo seu trabalho no Iraque e ainda bem que deixou aqui o seu testemunho sobre o que viu. Afinal de contas, o "olhar" do operador de câmara é tão importante como o "olhar" do repórter.
Um abraço,
António Sarmento
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 14:25
Olá António.
O Luís lançou-me este desafio e acima de tudo, mais do que poder deixar aqui o meu testemunho, foi tambem a oportunidade de agradecer a todos vós as mensagens que nos deixaram enquanto estivemos por terras Iraquianas.
Um abraço
Paulo
De pedro oliveira a 11 de Abril de 2008 às 11:53
Parabéns e obrigado pelo trabalho realizado:"era os nossos olhos no Iraque".

É normal vermos (quando possivel filmado por outros colegas), os repórteres de imagem SEMPRE com a câmara ao ombro ligada, mesmo quando a bala está ali, ao lado. Como é possivel e capaz? não tem a tal "cagufa"? como se controla a "coisa"?


Um abraço de Porto de Mós(vilaforte)

pedro oliveira
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 14:38
Olá Pedro.
Como disse no Post que escrevi, não existem heróis e não esta falando verdade, quem disser que não tem medo.
Mas acredite, durante o trabalho é algo em que não pensamos. O perigo dos Snipers, dos carros Bomba é real, mas se vamos estar a pensar nisso, o trabalho por nós realizado sai prejudicado.
A melhor forma de controlar é não pensar nessas situações.
Um Abraço para Porto de Mós.
Paulo
De Raquel Silva a 11 de Abril de 2008 às 14:31
Paulo,
Sem as suas imagens, o trabalho no Iraque não teria tido o impacto que teve, e o facto de o Paulo e o Luís partilharem a vontade de "estar lá quando acontecer" foi fundamental para o que chegou até nós.
O facto de as vossas reportagens e imagens terem passado um pouco por todo o mundo também deve ter sido gratificante. Agradecemos a sua presença lá para acompanhar o que muitos consideram a maluquice do Luís...
E obrigada, também, por ter vindo aqui deixar o seu testemunho. É importante darmos conta de que o jornalista não está sozinho, e que o repórter de imagem partilha de tanta ou mais responsabilidade.
Bjs
Raquel
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 14:51
Olá Raquel.
Obrigado pelas suas palavras.
Esta é uma Maluquice saudável, que nos deixa realizados profissionalmente.
Por mim e estou certo que pelo Luís também, podem vir mais maluquices destas.
Beijos
Paulo
De * * Grilinha * * a 11 de Abril de 2008 às 14:35
Obrigada Paulo Oliveira pela reportagem.

É bom saber que continua a haver esperança no futuro do Iraque e que as flores continuem a florir por lá.

Um beijinho
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 16:35
Olá Grilinha.
Tal como no Poema "Pedra Filosofal", de António Gedeão, onde se diz que... "...o sonho comanda a vida...", espero que o sonho de todos aqueles que anseiam viver num Iraque em paz, um dia se possa tornar realidade.
Beijinhos
Paulo
De Tânia Sousa a 15 de Outubro de 2008 às 15:50
Querido Paulo,

este blogue é de tal forma rico em experiências que ainda não tinha tido tempo para te deixar aqui o meu comentário!

Sei que és um Homem de coragem que ama a profissão que tem!...

Confias muito em ti e sabes que isso é a peça chave para que todos os trabalhos que realizes saiam na perfeição! É também com estas experiências e riscos que consegues encarar o medo, dar sempre um próximo passo... e fazer sempre o melhor!!!

UM GRANDE BEIJO da Cartaxinha " que te guardará SEMPRE no coração! :)
De Luís Castro a 15 de Outubro de 2008 às 18:08
Obrigado pelas tuas palavras Cartaxinha.
Nunca deixes de lutar pelos teus objectivos, mesmo que alguem te diga.... não.
Tu mereces e estou certo que os vais alcançar.
Beijinho
De Carla Soares a 11 de Abril de 2008 às 15:41
Paulinho, deixa-me primeiro dizer-te que fizeste um trabalho excelente.... Depois disso, só posso acrescencentar que a vossa "dupla" não tem igual! Parabéns!
De Luís Castro a 11 de Abril de 2008 às 16:14
Olá Carlinha.
Espero que estejas bem.
Obrigado pelo teu comentário.
Beijinhos

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"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


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Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
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