Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Crivado de balas

Nino Vieira foi assassinado eram 5h30 da manhã.

 

Abraço entre Nino e Tgama (2005).

Defrontaram-se e estão os dois mortos.

 

Conheço muito bem a realidade da Guiné-Bissau e os seus jogos de poder.

Acompanhei a guerra civil de 1998/1999, eleições, golpes de Estado, estive preso, fui interrogado de arma apontada à cabeça, fui sentenciado de morte e tive de fugir resgatado pelos fuzileiros portugueses.

 

O que aconteceu ontem e hoje não foi novidade para mim. De resto, há muito que o esperava. O confronto entre o Presidente Nino Vieira e o chefe de Estado maior, não é de agora. Recordo que Tagma Na Waie era infértil devido aos choques eléctricos a que foi sujeito nos testículos (disse-me em entrevista ) pelos homens de Nino e combateu-o ferozmente durante a guerra.

 

Mais tarde, apesar de o ter ajudado a regressar à Guiné e ao poder, Tagma voltou a afastar-se de Nino.

Tudo se agravou ainda mais quando o Presidente tentou que o programa do governo de Carlos Gomes Júnior fosse chumbado. O chefe de Estado maior pôs-se ao lado do PM, dizendo que o governo fora eleito e, como tal, deveria governar.

 

Era previsível que um deles iria morrer.

Era Nino ou Tgama.

Morerarm os dois.

 

Luís Castro

 

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/tag/rep%C3%B3rter+de+guerra+-+guin%C3%A9

publicado por Luís Castro às 09:33
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50 comentários:
De Pedro Oliveira a 2 de Março de 2009 às 10:12
Que comece nova vida para o povo da Guiné, a reportagem da Catarina Furtado mostrou a miséria de um povo que merece ter uma vida digna.
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:12
Sou tentado a dizer que este foi o fim da guerra civil iniciada em 1998.
LC
De bluewater68 a 2 de Março de 2009 às 10:20
Luis Castro,
e a pergunta de quem desconhece a realidade da Guiné-Bissau "E agora? A força das armas pode contentar-se com a vingança efectuada, ou irá mais longe? Há esperança para a Guiné-Bissau?"
Abraço
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:13
Cabe à Comunidade Internacional e à CPLP assumirem tb as suas responsabilidade.
Enquanto o poder estiver nas armas, o cenário não é animador.
LC
De (c) PNN Portuguese News Network a 2 de Março de 2009 às 12:22
Bissau – O Chefe de Estado-maior das forças armadas guineenses, General Batista Tagmé Na Way, morreu este domingo num atentado à bomba que ocorreu no bairro do QG onde se encontra o edifício do Estado-maior General.

Este domingo, por volta das 20h00 uma importante explosão ocorreu nos escritórios do Estado-maior General das forças armadas, no bairro do QG em Bissau, provocando a destruição parcial do edifício.

As primeiras informações indicavam que o hospital recebera quatro feridos e no meio dos escombros do edifício estaria o corpo sem vida de Batista Tagmé Na Way, informação que se confirmou mais tarde. O corpo de Batista Tagmé Na Way foi entretanto transferido para as instalações da Força Aérea.

Apesar da situação em Bissau permanecer calma, todas as artérias que dão acesso ao quartel-general foram fechadas. As rádios e a televisão nacional foram «intimadas» a suspender as suas emissões.

A 05 de Janeiro Batista Tagmé Na Way, exigiu o desarmamento da milícia fiel a «Nino» Vieira «aguentas» mobilizada para garantir a segurança do chefe de Estado após a tentativa de assassinato do mesmo.

O desarmamento coercivo dos «aguentas», fieis ao Presidente da Republica desde a guerra de 7 de Junho de 1998, foi interpretado por alguns analistas guineenses como revelador da força que ainda gozava o Batista Tagmé Na Way no seio da classe castrense. Mas outros consideram que a mobilização dos «aguentas» poderia ser encarado também como uma estratégia de «Nino» Vieira para fragilizar Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, que já não lhe inspirava muita confiança, para depois o afastar das funções.

Os militares guineenses têm sido acusados de interferir sistematicamente nos assuntos políticos do país, nomeadamente nas demissões e nomeações de titulares dos órgãos públicos. A interferência dos militares nos assuntos públicos tornou-se mais visível após a guerra de 7 de Junho em 1998. A partir daí, foram muitos casos protagonizados pelos militares, desde golpes de Estado até aos assassinatos, resultantes de sublevações.

Todas estas situações, aconteceram em momentos que estavam em curso processos da reforma no sector da defesa e segurança, impulsionado depois da revolta militar de 2004, a qual resultou no assassinato de Veríssimo Correia Seabra, antigo Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas. Depois de muitas campanhas de sensibilização, o complexo processo, ganhou a consistência no meio dos militares, que temiam serem afastados das fileiras e posteriormente «retalhados» ou julgados pelos actos que teriam cometido, tanto assim que exigiram a controversa Lei de Amnistia.

LC/RN

(c) PNN Portuguese News Network
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:14
Visto.
LC
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:21
Visto.
LC
De teresa nicolau a 2 de Março de 2009 às 14:58
A Guiné Bissau é um país de um povo forte e seguro, crente na sua indentidade e dignidade.
O resultado desta disputa antiga, como dizes, era de esperar. A bem do povo tão lutador, a bem da Liberdade, que a concórdia regresse ao seu horizonte. Um abraço africanista,
Teresa Nic
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:15
Infelizmente, esta Guiné é um Estado falhado!
Bjs
LC
De filha do administrador a 2 de Março de 2009 às 15:22
e agora sem chefe previsto, vamos ver se conseguem passar o teste de se manterem em paz, mesmo que com pequenos sustos , que vão existir de certeza.
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:16
Pode ser que esteja a nascer uma terceira via.
Acredito.
LC
De Peace_Terrorist a 2 de Março de 2009 às 16:06
O que diria Amilcar Cabral após 35 anos de violência no país que sonhou ser melhor?
Numa coisa estava ele certo "Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios." é so trocar o PAIGC pela Guiné Bissau e a historia repete-se.
Abraço
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:16
Palavras sábias!
LC
De Rafael Marcelino a 2 de Março de 2009 às 19:09
Sendo um País aonde mais prolifera o tráfico de droga no Continente Africano (Sejamos claros) e não andarmos de roda para dizer as verdades. Acho que nestas coisas tratam-se de ajustes de contas e o resto é tretas.Era boa ideia a agora mandar o ex-Consul da Guiné (Reformado pelo estado Guineense) e sua Filha actual Consul no Porto; Valentim Loureiro. Chegava lá agora e perguntava logo; Quantos são?..Quantos são?!, era uma figura ideal para tomar conta da sua (Pátria) querida. tenho dito. Ups...
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:19
E está dito!
Ab.
LC
De Sónia Pessoa a 2 de Março de 2009 às 20:30
Que das cinzas possa renascer a esperança de um futuro melhor.
Que tudo corra bem amanhã! beijinhos
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:19
Obrigado.
Bjs
LC
De Ana Paula Albuquerque Almeida a 2 de Março de 2009 às 22:11
Boa noite Luís,

O que aconteceu a Nino Vieira não foi novidade e diria até que é para admirar não ter acontecido mais cedo.
A questão que coloco é se este desfecho terá sido apenas consequência da rivalidade entre Nino e Tagma Na Waie. Não tendo sido um golpe de Estado terá sido pura vingança? Há também afirmações que referem tráfico de armas na Guiné, tendo-se tornado também num "importante ponto de passagem da droga da América Latina para a Europa". A serem afirmações fundamentadas poderá haver alguma relação com os acontecimentos?
Independentemente das motivações que levaram ao assassinato de ambos, faço votos para que o povo não venha a sofrer mais por isso. Já sofrem muito e há muitos anos...

Bjs
De Cor Bukul a 8 de Julho de 2009 às 15:36
Olha Ana Paula nao sei se tu conheces bem a realidade da guiné e,se tens a prova da dita rivalidade,mais nao vou por isso. So vou te dizer que nada justifique a morte.
De Ana Paula Albuquerque Almeida a 8 de Julho de 2009 às 16:49
Não escrevi em lado nenhum que alguma coisa justifica a morte, seja de quem for. Só para ficar bem claro, sou até contra a pena de morte.
No caso de Nino Vieira, apenas disse que me admirava não ter acontecido mais cedo por tudo quanto se estava a passar na Guiné há já algum tempo e sabendo nós que este tipo de ajuste de contas era perfeitamente possível. Se sou a favor? Claro que não.

Cumprimentos,
De Luís Castro a 8 de Julho de 2009 às 22:23
Visto.
LC
De Luís Castro a 8 de Julho de 2009 às 22:22
Visto.
LC
De Luis Melo a 3 de Março de 2009 às 19:58
Luis, qual o futuro desta África? Existe solução, sem a intervenção dos outros continentes?
De Luís Castro a 3 de Março de 2009 às 22:23
Consciência política, menos corrupção e mais honestidade da Comunidade Internacional.
LC

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Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
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Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
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RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
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"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
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