Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Brilhante !

 

Acabo de assistir na SIC Notícias a uma intervenção brilhante do juiz desembargador Eurico Reis, com um não menos brilhante entrevistador, o Mário Crespo.

 

Eurico Reis começou por afirmar que o Bastonário da Ordem dos Advogados diz algumas mentiras mas também diz muitas verdades; o problema está na forma como Marinho Pinto comunica, o que faz com que nos percamos com o mensageiro e esqueçamos a mensagem.

 

Sobre o modo como as investigações são conduzidas e a forma como o Ministério Público está estruturado, o juiz é extremamente crítico. Ele diz que há muitos investigadores da PJ que nunca puseram os pés numa audiência e, por tal, não sabem como se desenrolam as audiências. Assim, continua Eurico Reis, as acusações são mal feitas e quando a acusação é confrontada com o princípio do contraditório realizado pela defesa, é o que se vê.

 

Quando questionado sobre as fugas de informação para a imprensa, o magistrado é ainda mais crítico. O juiz do tribunal da Relação não tem qualquer dúvida: as fugas pretendem condicionar o juiz na decisão que terá de tomar. Perante isto, pergunto eu: não é da PJ e do MP que vêm as tais fugas de informação? 

 

Por último, Eurico Reis diz que a justiça que temos continua eivada de muitos resquícios que vêm ainda dos tempos da ditadura, defendendo uma urgentíssima reforma da justiça e dá alguns exemplos: um processo em investigação deveria ter segredo total – deixando a investigação para quem investiga –, e na acusação publicidade total, ou seja, que os jornalistas exijam a possibilidade de levar a totalidade do que se passa na sala do tribunal até aos cidadãos, de forma a que a sociedade também possa “julgar” os juízes e perceber que eles só podem decidir pelo que é provado, ou não, durante o julgamento.

 

Juiz Eurico Reis, o que acaba de fazer é um serviço ao país, à cidadania e à justiça!

Depois das sentenças dos últimos dias, o senhor fez-me voltar a ter esperança.

Obrigado por aqueles 22 minutos!

 

E vocês, o que dizem?

 

Luís Castro

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publicado por Luís Castro às 22:56
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33 comentários:
De POESIA-NO-POPULAR a 28 de Março de 2009 às 01:03
Olá Luis
A nossa justiça, é uma grande injustiça, partindo do princípio em que um cidadão é chamado a depôr, a primeira coisa que diz é "só falo na presença do meu advogado", sem querer generalizar, os advogados governam a sua vida navegando nas fugas da lei, basta-nos ver, o que tem acontecido com os casos mais mediáticos - é uma vergonha, o sentido de impunidade está quase generalizado, este sistema está quase tão caduco como a anterior ditadura.
Penso que existem forças ocultas, a fomentarem o caos, através do crime organizado, enfim...não acredito que isto seja obra do acaso, o grande capital continua vivo, e actuando na sombra, como gosta, fazendo chover ou fazer sol, onde mais lhe convém.
Luís , este assunto dava "pano para mangas"
Abraço.
De Luís Castro a 28 de Março de 2009 às 12:09
Se dava!
Entendo por forças ocultas (que refere no seu comentário) os poderes que se desenvolvem quando não há autoridade ou a Justiça não funciona, deixando-os à solta.
E anda por aí muita gente à solta que devia estar lá dentro!!!
Ab.
LC
De Anónimo a 28 de Março de 2009 às 09:18
eu digo que o telejornal de ontem foi uma bela operação de lavagem da imagem do primeiro-ministro.
Dez minutos de entrevista com o louco do Marinho Pinto que publicou um artigo onde não há factos novos?
Tanto tempo de antena para quê?
De Luís Castro a 28 de Março de 2009 às 12:21
Caro anónimo/a,
vou responder ao seu comentário porque, na verdade, a coluna da direita do do blogue já está desactualizada, o que leva a que julguem que tenho uma responsabilidade que afinal não tenho.
Confesso, tem faltado tempo para mudar a cara do blogue e, por tal, peço desculpa a todos os que o têm frequentado.
Meu amigo/a, já não sou o coordenador do Telejornal. Só posso responder editorialmente pelos Telejornais até Agosto do ano passado, antes de ir para Angola. Depois disso passei a ser Editor Executivo da informação da RTP, sendo que - para que perceba - a linha editorial do Telejornal é da responsabilidade da direcção de informação e do coordenador. Eu estou noutro patamar, manter a coerência editorial de todos os espaços informativos da RTPe da RTPN.
Assim sendo, se o Telejornal deu 10 ou 20 minutos, se abriu ou bfechou com determinada notícia, a decisão raramente terá sido minha.
Espero que tenha ficado esclarecido.
Luís Castro
De MC a 28 de Março de 2009 às 12:10
Eu vi a entrevista e gostei do que ouvi.
Relativamente ao Mário Crespo, só me parece é que opina muito quando devia questionar mais, pois é essa a função do jornalista. O Juiz foi muito natural e real no que se passa com algum jornalista português, que faz notícias sobre rumores, esquecendo-se frequentemente dos factos. Não deixa de ser extremamente anormal uma reunião entre um deputado do PSD e chefe de gabinete do entãa PM Santana Lopes, um "denunciante" e a PJ. Reunião muito estranha, digo eu!!!
De Luís Castro a 28 de Março de 2009 às 12:22
Mais:
nem fui eu a convidar o Bastonário para ir ao Telejornal.
LC
De Luís Castro a 28 de Março de 2009 às 12:42
Muito estranha mesmo...
Sobre o Crespo, é um estilo.
Eu gosto e tenho por ele grande admiração profissional, sendo que nunca trabalhámos juntos nem nunca nos crizámos sequer pessoalmente.
Bom fds.
LC
De Anónimo a 30 de Março de 2009 às 09:18
porque é que é estranha?
a unica coisa que interessa à polícia judiciária é se há crime ou não! aos inspectores não lhes interessa se a coisa foi montada, se as provas foram reunidos para tramar alguém, ou se houve uma cabala. Se há crime há crime. é o único que interessa!
o argumento de que foi tudo montado e de que foi feito via carta anónima tb foi utilizado, entre outros, por fátima felgueiras. acabou condenada por e crimes apesar de ter dito sempre que estava inocente.
De Luís Castro a 30 de Março de 2009 às 19:55
Caro anónimo/a,
sé for verdade que a carta foi forjada e que tem a cumplicidade da PJ, isso não o incomoda?
LC
De ricardo nunes a 28 de Março de 2009 às 13:44
boas a todos,

"PJ e do MP que vêm as tais fugas de informação? "

e porque razão não poderão também vir da defesa?

basta aliás observar o que se passou com o caso casa pia para perceber que a defesa teria todo o interesse em fugas de informação, como ficou bem demonstrado com a palhaçada a que assistimos na AR aquando da libertação de Paulo Pedroso, um dos casos paradigmáticos desse famoso processo que ainda hoje não chegou a lado nenhum.

ab
De Luís Castro a 28 de Março de 2009 às 14:25
Ricardo,
também é verdade, mas a maioria não vem da defesa, até porque durante uma grande parte, a defesa não tem acesso ao processo.
E, sem qualquer arrogância, sei de onde vêm essas fontes.
Ab.
LC
De ricardo nunes a 28 de Março de 2009 às 19:56
boas,

acredito que o LC e outros jornalistas conheçam as fontes, aliás são quem divulga o que estas transmitem, certo?

agora existe é um problema, saber se as fontes são credíveis, se não foram manipuladas e como tal se não existem outros interesses por trás dessas supostas fontes.
algo que creio que muitas das vezes os jornalistas não fazem a minima ideia, até pq para mal deles e especialmente dos seus receptores, cada vez mais opinam em vez de se restringirem a factos, factos esses que não obtém pq não fazem investigação.

é a pescadinha de rabo na boca.

abç
De Luís Castro a 30 de Março de 2009 às 19:46
Sim, Ricardo.
Acontece que só em situações muitos especiais admito questionar a possibilidade de quebrar o segredo de justiça.
O problema é outro, é que basta dar a "fuga" para um órgão de comunicação social para que todos os outros fiquem condicionados.
Depois, se alguém á, quebra; se não dá, é porque está ao serviço de uma das partes.
Ab.
LC
De Márcia a 28 de Março de 2009 às 23:59
A nossa justiça é eficiente…quando quer apanhar o cidadão comum por algo tão ridículo como uma hipotética divida de 3 cêntimos…Acho que a nossa justiça tem resquícios da Ditadura e da Inquisição… Nisto sou particularmente crítica, não percebo como os casos chegam à praça pública, a verdade é que cada vez mais parece que reeditamos as velhas fogueiras para queimar “bruxas” em praça pública, sendo que alguns jornalistas não representam parte pequena no atear da labareda…mas não só…aqui não há “papões” e muitos outros se aproveitam da natural necessidade jornalística de “notícias” para espalhar o que lhe convém. E quanto a isto tínhamos discussão para não acabar! Pior é que muitas vezes temos a sensação que os “grandes escândalos” e julgamentos em praça pública nos são apresentados tipo o “pão e circo”, vamos lá entreter e espalhar informação e contra-informação para gerar confusão. Problemático é que com tanto “diz que disse” tudo é posto em causa…até a veracidade de eventuais crimes cometidos, a quem interessa isto, não sei, apenas suspeito… a quem quer verdadeiramente escapar à justiça. É que na praça pública podemos todos julgar, mas a efectividade dessa justiça é praticamente nula…afinal tirando a “vergonha social”, que normalmente até é pouca, abunda é o descaramento, as consequências práticas são os criminosos não pagarem verdadeiramente pelo crime (vá… não é possível colocá-los na cadeia de “pá e picareta” dar no duro :)).
Bom fim de semana .
De Luís Castro a 30 de Março de 2009 às 19:49
Márcia,
como alguém dizia há pouco aqui na redacção, este é um país onde há corruptos mas ninguém é corruptor.
E é isso mesmo: reeditaram-se as fogueiras na praça pública!
Bjs
LC
De Pedro Fontela a 29 de Março de 2009 às 22:10
Talvez o mais estranho e surreal da conversa seja que face a um sistema legal que só funciona a nivel formal (que me adianta as criticas do magistrado se ele pensa que as provas é que se têm que ajustar ao procedimento e não o contrário??) não haja ninguém com suficiente senso comum para dizer que isto não é justiça. É uma dança de palavras que perderam significado real há anos.
De Luís Castro a 30 de Março de 2009 às 19:53
Pedro,
mas os procedimentos não podem andar à solta e invadir a vida privada de quem, como ele dizia, entrou no banco na mesma altura dos assaltantes.
Só por isso essa pessoa não pode ser acusada de autora ou de cumplicidade.
Ab.
LC
De Rafael Marcelino a 30 de Março de 2009 às 01:53
Caro Luis
O mal da Justiça em Portugal é uma mistura de mal-feitores que se tem apoderado do Estado da Nação. Este é um problema velho, crónico sem fim à vista.Acusam-se uns aos outros como que a passar a bola, mas em resultados práticos, isto é, fica tudo a ZERO.Como se costuma dizer; cantam muito mas não me alegram. Deveriam seguir outros exemplos de Justiça. Afinal quem faz e promulga as Leis de Justiça são os que falam e se criticam-se uns aos outros.
Querem ver que sou eu ou o Povo anónimo.
Para terminar, sabe que uma profissão em risco (Pouco-Trabalho) é ser Advogado no Canada?! percebe porquê?!, né?!
Estamos conversados.
Um grande Abraço
De Luís Castro a 30 de Março de 2009 às 19:54
Tafael,
percebo e gostava que por cá também fosse assim.
Ab.
LC
De filha do administrador a 30 de Março de 2009 às 09:55
realmente , parece que podemos ter um bocadinho de esperança
eu cada vez gosto mais dos que têm coragem de abanar, denunciar, fazer barulho, e que não são politicos ou diplomáticos na forma de o fazer.
De Luís Castro a 30 de Março de 2009 às 20:01
Mas ficam imediatamente debaixo de olho.
Olhe que eu já tenho alguns à perna, mas não me assustam nada!!!
E alguns até v~em espreitar ao blogue...
Bj
LC
De Pedro Oliveira a 30 de Março de 2009 às 10:53
Depois de umas mini-férias da blogosfera cá estou de regresso e a tentar colocar a leitura em dia na vizinhança.
um abraço e boa semana para todos.
De Luís Castro a 30 de Março de 2009 às 20:02
Grande abraço!!!
LC
De Helder Pereira a 30 de Março de 2009 às 11:26
Olá Luís. Sobre isto só me apetece dizer o seguinte:
Sobre a nossa justiça não comento porque penso que simplesmente não existe, quando um Juiz sentencia um actor de corrupção a multa de 5 mil euros (valor de um almocito para o réu) num caso que não existia a menor duvida da acção de corrupção executada... que mais posso dizer dessa justiça... Mas gostava de te dizer que se algum dia tiveres poderes para "ir buscar reforços" para a RTP, vai buscar o Mário Crespo. É, para mim, sem a menor dúvida o MELHOR jornalista português, não te desfazendo a ti que te tenho em muito alta consideração, e não o sendo em todas as facetas de um jornalista é garantidamente o melhor entrevistador, sem medo, sem receio e a perguntar aquilo que realmente deve ser perguntado numa entrevista e não as entrevista que infelizmente vemos acontecer no resto dos canais, inclusive o canal onde ele trabalha que também tem outras pessoas mas não lhe chegam aos calcanhares. Há políticos que nem sequer querem ouvir ser convidados para o programa dele, porque será ...

Um abraço!
De Luís Castro a 30 de Março de 2009 às 20:05
Sabes, Helder,
O Mário já cá esteve. De resto, a vida dele foi feita cá.
Depois foi para a prateleira.
Foi considerado velho por alguns que agora têm a idade que ele tinha na altura...
Ab.
LC
De Helder Pereira a 31 de Março de 2009 às 10:05
Luís eu sei. Sou novo mas ainda me lembro de ser miúdo e o ver no Telejornal da RTP. E isso ainda me deixa mais triste, porque apesar de falarem muito da RTP estar a ser instrumentalizada e de ser usada pelo Governo, eu sou da opinião que vocês são os que têm mais qualidade na informação e deixam os outros canais muito longe! O topo para mim é o Jornal da 2 logo seguido pelo Telejornal.

Um abraço!

P.S.: Ter estado não significa que não possa voltar ;)
De Luís Castro a 31 de Março de 2009 às 19:43
Grande abraço!
LC

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Reportagem Angola - 1999



Reportagem Iraque - 2005


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Livros

"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


Sugestões para reportagem



Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
"10 Anos de Microcrédito" - colaboração

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