Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

E agora?

.

O “Cheiroapólvora” leva vinte e seis dias de existência e quase trinta mil entradas. Foi o blogue mais procurado logo no primeiro dia, o mesmo acontecendo na maioria dos restantes em que permaneci no Iraque. Chegou a ter mais de duas mil visitas. Nunca imaginei que tal acontecesse.

 

Tentei corresponder ao vosso crescente interesse. Fiz reportagens por vós sugeridas e direccionei parte das minhas intervenções em directo de Bagdade para as dúvidas que sentia existirem através das mensagens que me iam deixando; pude interagir convosco, dando um pouco mais do que os dois ou três minutos que as reportagens me permitiam; respondi a todos os comentários onde expressei quase sempre frustração e revolta, mas também esperança; percebi o que vos ia na alma e de que forma o meu discurso estava ou não a ser compreendido; publiquei imagens que guardei na retina e nas lentes das câmaras de filmar e fotográfica.

 

Esta experiência foi muito importante para mim, uma vez que nós, jornalistas de televisão, estamos habituados a falar e não a ouvir. Eu escutei-vos. Já sabia que existia um mundo para além do nosso - aquele para quem nós trabalhamos - ávido de informação, mas nunca pensei estabelecer convosco uma ligação tão forte. E agora, o que fazer com este blogue?

 

Tenho ideias: posso verter aqui o que foram as minhas experiências nas dezassete guerras por onde andei e sobre a tragédia de Vargas, na Venezuela; posso levá-lo para assuntos actuais relacionados com a temática; posso abrir espaço de debate para assuntos quentes dos nossos dias, sejam as guerras de lá ou as guerras de cá; posso até optar por uma mistura de tudo isto. As expectativas estão muito altas e temo não conseguir corresponder ao que esperam de mim. Preciso que me ajudem a encontrar o caminho, até porque este blogue já não me pertence. É de todos vós.

 

Muito obrigado a todos. Vocês são o melhor dos públicos!

 

Luís Castro

Repórter de Guerra e Coordenador do Telejornal da RTP

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publicado por Luís Castro às 13:00
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74 comentários:
De Maria Elisa a 14 de Abril de 2008 às 13:44
Seria um «crime» fechar este cantinho: Acho que deve continuar, a mostrar outros conflitos, de loge e de perto, alguns que, certamente, nem nos passam pela cabeça.
Os seus textos têm a particularidade de serem bem escritos e numa prosa compreensível pelo comuns dos mortais.
Que tal falar da esperança que haverá ( há?) depois da saída dos militares?
Obrigada por tudo o que nos (me) deu através do «cheiro a pólvora»
Um abraço de uma «tia velha» a viver em Gaia ; é assim que carinhosamente os meus sobrinhos me tratam...e eu gosto!!

Maria Elisa
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:12
Visto.
Obg.
LC
De Raquel Silva a 14 de Abril de 2008 às 13:53
Luís,
É bom saber que, para além de ser importante para nós, também nos considera importantes. É verdade, este blog é de todos, porque muitas vezes os comentários e as suas respostas complementaram os posts e constituiram novos diálogos e sugestões.
Não tema desiludir-nos. Isso é impossível, depois do que já fez aqui. Já conquistou este público e, quer queira quer não, ele estará sempre aqui para si. Penso que falo por todos... As expectativas foram altas, e isso foi provocado por nós, leitores e comentadores, que não lhe demos descanso enquanto esteve no Iraque. Agora, chega a hora de retribuirmos. Com sugestões e de modo a ajudar-mos a manter o blog como site de passagem obrigatória.
Sugiro uma mistura de tudo um pouco: temas variados; debates acerca do mundo que nos rodeia; sugestões para reportagens, entrevistas, etc; no fundo, para manter este elo de ligação, que é o mais importante.
Bjs
Raquel
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:13
Visto.
Obg.
LC
De alex a 14 de Abril de 2008 às 14:11
ola luis

mais do k a um conflito armado em que corajosamente esteve presente, este foi um cantinho a que me habituei a vir porque se por um lado me ajudava a compreender o que via nas suas reportagens ( nós ao contrario de voces jornalistas estamos mais habituados a ver e ouvir do que a falar ou escrever), por outro este com maior importancia para mim, me deu a conhecer o lado humano de kem faz reportagens de guerra!
já lho disse admiro-o pela coragem mas ainda mais pelo seu lado humano... e isso viu-se sempre em cada post que saia o numero enorme de amigos seus e ate familia proxima k aparecia a elogia-lo e sobretudo a dar-lhe coragem!
isso é para mim o k mais me toca... sabe k por dever profissional posso ter que um dia destes lidar com jornalistas, mas espero nunca o ter que o fazer pois isso implicaria que um desastre enorme teria acontecido... nessa altura e se o tiver que o fazer kero sempre lembrar-me k há jornalistas como o luis que não procuram uma manchete pela tragedia, mas pela noticia e k são frontais sensiveis e corajosos!

conte-nos mais... de outras guerras, das proximas de si... mas não deixe de contar...
o luis deve ter historias magnificas... mesmo k mais antigas... partilhe-as... diga-nos (se não foi pedir muito) k memorias delas guarda... mas não deixe de contar
tenho uma filha que começa agora com quase 7 anos a perceber que o nosso mundo não é perfeito e k existem guerras e conflitos e a sua visão já me tem ajudado a tentar explicar-lhe o inesplicável...

por isso e por tudo mais k não disse, não se atreva a deixar de blogar conosco......pode ser?
bjs
alex
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:13
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Obg.
LC
De Afonso Reis Cabral a 14 de Abril de 2008 às 14:53
Penso que seria essencial manter a troca de experiências de guerra, quanto mais não seja passando para o blog relatos anteriormente escritos em “Repórter de Guerra.” Quanto à organização destes relatos, seria interessante marcar, por exemplo, dois dias por semana para o efeito. Assim, os outros dias estariam disponíveis para “as guerras de cá”: a variedade de temas é muito apelativa.
De resto, continuar com o mesmo nível de dedicação ao blog e aos seus leitores! Força!
Abraço
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:14
Visto.
Obg.
LC
De Patti a 14 de Abril de 2008 às 14:54
Olá Luís

Confesso que ontem fiquei um pouco apreensiva.
Será que ficamos por aqui até à próxima guerra?

Este é o local onde um jornalista, que apesar de nunca deixar de o ser porque é um profissional competente, se "confessa".

Estamos todos um pouco fartos da notícias só pela notícia, lida de maneira formal, como se a morte de uma senhora que foi levada pelas chuvas e que ainda não foi encontrada, seja exactamente a mesma coisa que um resultado de um jogo de futebol.

Falta sentimento, alma, personalidade, carácter, intuição, experiência própria, vivência nas notícias deste país.

E isso foi completamente conseguido com este blog e com as tuas palavras diárias.

Sabemos as notícias por quem na realidade as viveu e não por uma agência Lusa qualquer.

Para nós é excelente porque podemos participar de tudo e entender os dois lados e muitas das vezes mudarmos de opinião que já tínhamos formada porque só nos chegava um parte da notícia.

E devias continuar com todos esses relatos e fotos que falas das tantas guerras, vidas, experiências, episódios cómicos, tragédias, gentes, hábitos etc que só um homem que esteve nesses locais o pode fazer.

Ficamos todos à espera.

De certeza!

Bjs.

Patti
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:14
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Obg.
LC
De * * Grilinha * * a 14 de Abril de 2008 às 16:24
A troca de experiências serão por certo a alimentação deste blog.

Quem o conhece já não passa sem cá voltar.

Como já disse noutro comentário, as intervenções no telejornal e em programas informativos sabem sempre a pouco e fica tanto por dizer.

Este espaço será uma continuação mesmo com histórias antigas que por certo nos passaram despercebidas ou apenas em imagens relâmpago nos noticiários.

A partir de agora é imporssivel deixares de blogar pois estaremos sempre aqui á tua ..... á vossa espera.

Um beijinho
Fernanda Grilo (Grilinha)
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:15
Visto.
Obg.
LC
De Sandra Claudino a 14 de Abril de 2008 às 16:37
E agora ? Agora continuas !
Escreve da guerra que te apetecer, mas não acabes com o blog. Fazem falta espaços como este. Sabes disso.
bjos
Sandra Claudino
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:15
Visto.
Obg.
LC
De Raquel a 14 de Abril de 2008 às 17:49
Eu apostava numa grande mistura de temas. Partilhe connosco as experiências que passou em outras guerras, os temas mais quentes da actualidade, ou seja, tudo o que achar mais pertinente.
Não se preocupe com as expectativas, elas só aumentaram bastante devido à franqueza e verdade com que nos relatou tudo o que se passava durante a guerra no Iraque. O que importa realmente é não perder esta proximidade que tem com os leitores e com os que o seguem atentamente.
Bjs.
Raquel
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:16
Visto.
Obg.
LC
De Raquel Silva a 14 de Abril de 2008 às 18:48
Ah, esqueci-me de uma coisa.
Obrigada pelo comentário. É importante para mim saber que aprecia o meu trabalho...
Bjs
Raquel
(tenho de me identificar, agora que há outra Raquel :D)
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:16
Visto.
Obg.
LC
De Daniel Marques a 14 de Abril de 2008 às 19:13
Luís, com o risco deste blog se tornar num blog militar, sempre podes puxar assunto para tudo o quanto meta pólvora, seja no Iraque, na Bósnia, no Afeganistão ou em Timor. Actualidade não te faltará, e quem melhor que tu (permite-me que te trate assim) com a experiência que adquiriste, para nos dares umas luzes e nos encaminhares para uma realidade que inicialmente nos parece distante, mas afinal é já aqui à porta.

Um abraço
De Luís Castro a 16 de Abril de 2008 às 02:17
Visto.
Obg.
LC

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Livros

"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


Sugestões para reportagem



Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
"10 Anos de Microcrédito" - colaboração

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