Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Maddie, onde estás?

Esta semana, numa das televisões colocava-se a pergunta:

O que falta descobrir no caso Maddie?

Eu respondo:

Falta descobrir a Maddie!!!

 

Passados dois anos, recorro a algumas passagens do livro Porque Adoptámos Maddie? que escrevi com diversos olhares sobre o caso.

 

Adelino Gomes, jornalista do Público:

«Imaginemos o que teria sido esse período (PREC) com três televisões a transmitirem em directo. Não sei se o PREC teria acabado ainda hoje…»

 

Alípio Ribeiro, Director Nacional da PJ:

«Quando se fizer a revisitação dos jornais que se publicaram durante estes meses, perceber-se-á que tudo isto foi muito pobre. Será um fait-diver com pouca importância e milhares de quilos de inutilidades.»

 

Paquete de Oliveira, Provedor da RTP:

«Os jornalista hão-de reconhecer que em muitos casos foram enganados».

 

Escrevi eu:

«E porque razão lhe passámos a chamar “Maddie“, quando os pais e os familiares nunca o fizeram? Sempre os ouvimos tratar a menina por Madeleine. Na verdade, (nós, os jornalistas) procurámos uma marca; uma designação que exprimisse a diminuição do tamanho do ser, que adoçou, que encurtou a distância e criou laços emotivos e de familiaridade.»

(…)

«Para os jornalistas, os meios justificaram os fins; para os pais, os fins justificaram os meios. Ou terá sido ao contrário? Ou terão sido as duas coisas? Os jornalistas quiseram contar uma história com final feliz e usaram os pais; os pais desejaram encontrar a filha e usaram os jornalistas. Depois zangaram-se mas continuaram a usar-se. A importância dos fins levou-os a escolher o mesmo meio. Contraditório? Não. É um confronto entre os valores e a necessidade; onde a ética individual nem sempre está de acordo com a colectiva.»

 

D. Januário sobre os jornalistas:

«Se os ouvisse em confissão não lhes reservava qualquer penitência, mas a alguns mandava-os para casa com um conselho: Vão e não tornem a pecar!»

 

Luís Castro

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publicado por Luís Castro às 10:32
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48 comentários:
De Ana Francisco a 4 de Maio de 2009 às 11:29
Pois...

Olho para os pais da Maddie e lembro-me da Leonor Cipriano. Também ela enganou os jornalistas. Foi para os programas da manhã com a foto da Joana, a chorar... o que ela chorou...

O que me parece é que a Leonor Cipriano nunca enganou a polícia e os pais da Maddie enganaram. Tempo demais.

O papel dos jornalistas é fundamental e é necessário que não se esqueçam disso e que não se deixem embarcar em histórias. O papel dos jornalistas é questionar. Têm de pensar e questionar. E, neste caso, as perguntas certas foram feitas tarde demais.

Kisses
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:13
Ninguém quis fazer essas perguntas na altura porque olhavam os pais como vítimas.
Bjs
LC
De JP a 5 de Maio de 2009 às 19:26
Leonor Cipriano nunca me enganou! Desde o 1º segundo que disse em voz alta (lá em casa estavam só os meus paizinhos, mas de certo servem de testemunhas) que aquela senhora estava a mentir.
Quanto aos McCann tenho a dizer que não enganaram. Eles não mataram a miuda, creio. Foi apenas homicidio por negligência o que em termos psicológicos e comportamentais permite um maior indice de erros de avaliação e julgamento.
Os jornalistas comeram a papa que lhe deram. As chefias é que erraram ao permitir isso.
De Luís Castro a 5 de Maio de 2009 às 20:27
A culpa não foi apenas dos jornalistas destacados para a Praia da Luz, mas, em muitos casos, da pressão que lhes era imposta pelas redacções.
Ab.
LC
De Cláudia a 4 de Maio de 2009 às 11:45
Tenho a plena noção de que nesta altura do campeonato não serei, certamente, imparcial. Mas essa pergunta, penso que só os pais poderão responder. Essa e outras, já que a mãe da criança desaparecido se recusou a responder a 48 questões colocadas pela Polícia. Porquê, só ela saberá.
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:13
Só quem lá estava sabe que perguntas estariam a ser feitas.
Bjs
LC
De Cláudia a 4 de Maio de 2009 às 21:52
É um caso complicadíssimo.
As 48 perguntas não respondidas estão no processo e são 'públicas'. As respostas, talvez um dia, quem sabe. O tempo por vezes desata os nós mais complicados. :-)
Um abraço!
De Luís Castro a 5 de Maio de 2009 às 20:01
O tempo é o melhor juiz!
Bjs
LC
De Ilda a 4 de Maio de 2009 às 12:11
Olá Luís!
Tudo bem?
O que vou escrever a seguir pode parecer um lugar comum perante tanta notícia sobre a menina, mas foi o meu comentário em casa no dia a seguir a Madeleine ter desaparecido: "a menina está morta e a mãe sabe mais do que aquilo que está a dizer". Infelizmente, passados dois anos, a minha percepção do caso parece ter cada vez mais fundamento. Porque tive esse "feeling" não sei muito bem. Não foi por a mãe não chorar, ou fazer uma grande algazarra o que seria absolutamente natural perante uma situação tão horrorosa como esta, mas houve qualquer coisa no olhar e na postura que me fez ter esta opinião.
Só peço a Deus uma coisa: que eu esteja redondamente enganada e que a Madie apareça. Se Ele me está a ouvir que faça luz e a encontrem rapidamente e viva porque é ao lado dos pais e dos irmãos que é o lugar dela.
Bjs
Ilda
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:15
Ilda,
contrariamente ao que foi dito na altura, a mãe chorou logo nos primeiros dias.
Se eram verdadeiras, isso só ela saberá.
Bjs
LC
De Gloria a 10 de Maio de 2009 às 13:55
Lagrimas de crocodilo que chorou a MacKaine, eu tou convicta e desde o primeiro dia que foi a mae que matou a filha Maddie, talvez por accidente mas foi ela que matou, e o marido sabe disso mas tornou-se cumplice va-se la saber porquê!
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:10
Só eles saberão se assim foi.
Por mim, prefiro não tirar conclusões.
E faço-o por questões profissionais.
Se tivesse outra profissão qualquer, talvez tivesse também uma teoria sobre o que se terá passado naquela noite.
Bjs
LC
De Jorge Soares a 4 de Maio de 2009 às 14:04
Olá Luis

É claro que como todos os portugueses tenho a minha opinião sobre o que aconteceu, não o vou referir aqui porque as opiniões pessoais não passam disso...e também não é esse o interesse do post.

O papel dos jornalistas e dos meios de comunicação na sociedade actual é muito importante e muito poderoso. Há casos em que a comunicação social tem um papel tão importante que sem ela não haveria caso (ver caso Esmeralda Porto).

Há muito que se ultrapassou a fronteira entre o que é informar, o que é especular e o que é alimentar a sede de informação, é claro que neste caso houve de tudo um pouco, por vezes ficamos com a sensação de que vale tudo.. mas depois vamos sabendo que afinal havia mais para dizer.. e ficamos na duvida.. e não dizem porquê?

Este caso não foi mais que o espelho da sociedade actual em que vivemos.. .de quem é a culpa?.... de quem informa ou de quem está do outro lado dos meios de comunicação sempre à espera da noticia e dos casos bombásticos seguintes?

No fim todos estamos dispostos a criticar.. mas na hora da verdade, quantos apagamos o televisor ou simplesmente mudamos de canal porque aquilo já era demais?

Abraço
Jorge
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:16
A culpa é de todos.
Os jornalistas também são o reflexo dos seus públicos e não podem ser insensíveis ao que eles querem.
Ab.
LC
De Andesman a 4 de Maio de 2009 às 14:58
Este caso não cheirará a pólvora mas sempre me cheirou a esturro.
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:18
Um comentador de um jornal inglês disse na altura:
"Os jornalistas cozinharam tanto o caso que ele acabou queimado!"
Lapidar.
Ab.
LC
De Márcia a 4 de Maio de 2009 às 15:31
Realmente...falta-nos saber o principal em toda esta história...onde está a menina? Enfim...muito triste tudo isto, eu como muitos tenho uma opinião, só que neste caso não faço a minima ideia se fundamentada, ou melhor, com a quantidade de "historinhas" que se contaram sei perfeitamente que não sou capaz de olhar o caso com imparcialidade. Assusta-me é pensar a facilidade com que se destrói a credibilidade de qualquer pessoa em segundos, veja-se o caso do "suspeito" Murat...do Russo cujo nome já não sei escrever, etc...é isto natural? São isto contigências normais da actividade dos jornalistas?Ou simplesmente mau profissionalismo?Quem se serviu de quem...quem usou quem nesta história, quem enganou quem? Acho simplesmente que nos enganamos todos se calhar... e acho que a maioria de nós pensa que a menina já não vive...mas gostavamos de nos enganar mais uma vez!
Espero que esteja tudo bem, apesar de continuar a ser visita assídua do blog não tenho conseguido comentar, às vezes a vida decide surpreender-nos de tal forma que quase não dá sequer espaço para respirar, quanto mais para formar opinião sobre o que quer que seja... Quanto a mim estou num desses momentos, há notícias que ninguém está preparado para receber,quando tal acontece parecemos incapazes de pensar o que quer que seja.
Bjinhos
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:20
Márcia,
também só agora estou a responder a todos os comentários.
O tempo não estica.
Bjs
LC
De Ana Paula Albuquerque Almeida a 4 de Maio de 2009 às 16:43
Olá Luís,

Desde sempre achei este caso muito estranho no que respeita ao comportamento dos pais de Madeleine. Obviamente que seria injusta imputar culpas ao casal e acusar os amigos de conivência sem provas para isso mas, ainda hoje, continuo a achar que eles não contaram tudo. Também penso que as investigações não foram até onde poderiam ter ido mas não por falta de meios.
Quanto aos jornalistas, acho que fizeram um bom trabalho mas "pecaram", quanto a mim, claro, quando se aperceberam que o casal, através da comunicação social, estava a manipular a opinião pública e não travaram essa manipulação. Se tal tivesse acontecido, talvez tivesse havido menos pressão sobre as investigações e mais espaço para que fossem bem conduzidas. Já bastava a pressão vinda do Reino Unido, quanto mais a pressão vinda da opinião pública.

Bjs
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:21
Ana,
todos manipularam e se deixaram manipular.
Bjs
LC
De Sónia Pessoa a 4 de Maio de 2009 às 16:54
Antes de mais deixo um elogio... hoje de manhã estavas um borracho!rsss... recompunhamo-nos agora, que este é um blog sério, tu és um pai e eu uma mãe de família!!!!!!! Mas que gostei , gostei... adiante... em relação a Maddie acho que sinto o que a maioria dos portugueses sente, uma enorme confusão, dúvida... se por um lado estranho certas atitudes dos pais, por outro não quero acreditar que sejam responsáveis pela morte da menina. De facto o que fica é o circo mediático, os jogos de interesses e a falta de Maddie... bjo
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:21
São os teus olhos!!!
Bj
LC
De Isabel Silva a 4 de Maio de 2009 às 17:06
Caro Luís Castro;
Não foram os jornalistas que fizeram desaparecer a menina.
O que aconteceu foi fruto de uma conjuntura onde policias, pais e jornalistas montaram um circo e não souberam sair dele, porque simplesmente a menina não apareceu e não há culpados.
Concordo com reflexão que propôs, até porque é nos rescaldos que se encontra o sentido, mas não foram os jornalistas que fizeram desaparecer a menina, portanto que não se faça da C.S todo o mal deste caso.

O seu blogue é pertinente… vou acompanhando

Isabel Silva
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:22
Isabel,
como disse Felisbela Lopes, foi uma novela em que as pessoas quando voltaram de férias continuaram a seguir.
Bj
LC
De José Fernandes a 4 de Maio de 2009 às 20:47
Luís,

Os jornalistas fizeram o que deviam, que era informar as pessoas que estava uma criança desaparecida e quanto mais se falasse no assunto melhor.
Se houve exageros ? Claro que sim. Mas é o que o povo gosta, cá ou noutro país qualquer.
Não foram os jornalistas que fizeram desaparecer a menina e não foi por causa destes que ela ainda não apareceu.

Acabei de ver a peça no telejornal, o pai de Maddie continua a criticar os jornalistas... incrível

Ab
JF
De Luís Castro a 4 de Maio de 2009 às 21:24
Já te respondi pelo novo nome que tens no twitter.
Ab.
LC

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"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


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Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
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