Domingo, 10 de Maio de 2009

Fiquei confuso

Sócrates:

“Nos Estados democráticos não se ataca a polícia.”

 

Não podia estar mais de acordo.

Mas depois fiquei confuso confuso:

ouvi o primeiro-ministro dizer que a “a segurança é a primeira das prioridades” e o ministro Rui Pereira dizer que “o Estado não dialoga com criminosos”.

Só que o Ministério Público mandou libertar os três indivíduos que a polícia deteve durante a noite. Em que ficamos?

 

 

Gostei de ouvir Paulo Portas reafirmar a necessidade de julgamentos em 48 horas para os criminosos apanhados em flagrante e Paulo Rangel a exigir que a criminalidade urbana entre na agenda europeia.

 

Não gostei de ouvir Francisco Louçã lembrar apenas os que “foram enfiados em barracas de cimento”.

Então e a Polícia?

E todos nós que respeitamos a lei e a ordem?

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 20:29
link do post | comentar
42 comentários:
De df a 10 de Maio de 2009 às 22:34
O PP devia ter vergonha de abrir a boca! Já se esqueceu do seu 'Ensaio sobre a arte de ser Ministro' no tempo em que os policias morriam que nem tordos à mão dos criminosos! Coitado sempre teve memória curta! Realmente é péssimo o comportamento nos Tribunais mas...são os mesmos filhos das falsas liberdades os julgados e os que julgam!
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:14
Também falta memória no Parlamento.
A todos!!!
Ab.
LC
De Cláudia a 10 de Maio de 2009 às 22:50
Ser agente de autoridade neste país deve ser de uma frustração inexplicável. Arriscar a integridade física e depois ver os criminosos cá fora passadas umas horas, provavelmente a reincidirem, tem sido comum. Felizmente não tenho gente próxima nas forças de autoridade. Se tivesse, andaria sempre com o coração nas mãos.
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:15
Gostei do juiz que há uns tempos libertou um ladrão e ele, logo que saiu do tribunal, assltou o carro do juiz...
Bj
LC
De Cláudia a 13 de Maio de 2009 às 19:54
Essa é brilhante! LOL
Grande ladrão! :-)
Abraços!
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 21:13
Pois...
LC
De Cláudia a 13 de Maio de 2009 às 21:18
Se houvesse mais ladrões assim com sentido de humor e pontaria, talvez algumas decisões fossem diferentes... ;-)
Um beijinho.
De Luís Castro a 14 de Maio de 2009 às 20:41
Também acredito que sim.
Bj
LC
De maria a 10 de Maio de 2009 às 23:15
Se fosse o policia que tivesse morrido as televisoes nao lhe dava tanto tempo de atena . Nao nos podemos esquecer que uma grande parte do bairro vive do rendimento minino é polos a limpar matas que vem ai os incendios
fazer trabalho comunitario á muita gente de idade a precisar de ajuda assim estavam ocupados nao davam tanto trabalho á policia
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:16
Maria,
por mim ninguém receberia subsídios sem prestar um serviço à comunidade.
Bj
LC
De Pedro Mota a 10 de Maio de 2009 às 23:37
Quanto à abordagem da comunicação social ou dos governantes a esta situação em particular não tenho grande coisa a dizer pois, sinceramente, não tenho estado suficientemente atento nos últimos dias. Ainda assim acho que é de salientar que estes problemas não são de agora e não há partes com mais ou menos razão.

Importa perceber o que está por trás de todos estes conflitos. A mim parece-me que a "filosofia do gueto" é um dos grandes problemas. Não quero com isto culpar ninguém em particular mas sim todos em geral. O assunto é muito mais profundo do que uns tiros e umas pedras. A solução: uma "acção social radical organizada". Não são polícias de um lado e criminosos do outro, não são cidadãos do gueto de um lado e cidadãos de fora do gueto do outro.

Deixo algumas perguntas (se encontrar respostas aviso):

O que é uma "acção social radical organizada"? Será que pode melhorar a vida de cada um e de todos? Como se põe em prática?


... Ainda há um longo caminho até podermos dizer que somos uma sociedade civilizada.
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:18
É tudo verdade.
mas, aqui, o problema é de criminalidade.
Depois, serão a falta de referências, falta de esperança, etc.
Mas não nos podemos esquecer de todos os outros (grande maioria do bairro) que vive em conformidade com a sociedade que os rodeia.
Ab.
LC

De Jorge Soares a 10 de Maio de 2009 às 23:38
Luis

A justiça e as leis em Portugal são aquilo que sabemos, mas haveria que perguntar muitas coisas, como por exemplo, eles foram presos porquê? Havia um motivo válido para os prender?

Alguém diz que 90% do bairro vive do rendimento mínimo... alguém que de certeza nunca lá foi, O bairro da Belavista é o resultado da politica errada de realojamento que existe em Portugal, é um bairro com 30 ou 40 anos, onde foram colocadas numa especie de guetto todas as famílias carenciadas que há altura existiam na cidade, é claro que em 30 ou 40 anos criam-se muitos tipos de problemas sociais, não fosse o bairro uma espécie de pequena cidade.

Não é muito comum, mas hoje estou de acordo com o Marcelo, o que se passa na Belavista é um caso de policia, e quem tenta ver ali uma fogueira social, está a tentar fazer aproveitamento politico. Setúbal não é Paris nem Atenas, os portugueses não são os franceses nem a situação social de Portugal é a da Grécia.

Tentar ver um levantamento social nos desacatos provocados por uma mão cheia de delinquentes é tentar atirar areia para os nossos olhos....além disso, o bairro já lá estava e já era assim quando o CDS e o PSD foram governo.

Abraço e boa semana
Jorge

De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:19
É verdade:
É um caso de polícia!
Andam por aí algumas pessoas a "cavalgar a onda"...
Ab.
LC
De TELMO BÉRTOLO a 10 de Maio de 2009 às 23:41
Luís,
Não era isto que o PS esperava, quando resolveu 'facilitar' a vida daqueles que prevaricam? Quando se atribuem mais direitos aos patifes do que às vítimas, as coisas só podem dar mau resultado. Aberta a Caixa de Pandora, esperemos os resultados... O desrespeito pelas forças de segurança é só o começo!
Um abraço,
TB
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:21
Falta respeito!!!
E não é só em relação à polícia.
Até na sala de aulas, certo?
Ab.
LC
De beijaflor1951 a 11 de Maio de 2009 às 02:43
Só confuso, oh Luís???Quem é que entende estes tipos que se dizem políticos? O Louçã tem um problema qualquer com a polícia que ainda ninguém entendeu...mas francamente, o tipo rouba, é mandado parar, espeta-se e mata-se e a polícia é que tem culpa!!!!Este País está é com uma falta de educação e valores gritante!!!
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:22
Beijaflor,
quando os políticos não dão o exemplo...
Totalmente de acordo:
faltam respeito, valores, referências, etc.
Bj
LC
De António Mateus a 11 de Maio de 2009 às 14:05
O Prémio Nobel da Economia meteu na sexta-feira o dedo em muitas feridas durante a sua intervenção nos Encontros do Estoril. Este teu exemplo como a crise económica global radicam nos mesmos paradoxos; hipocrisia e perda de valores.
Stiglitz afirmou que quando os agentes económicos responsabilizam os reguladores por "falta de vigilância" nos buracos por eles criados, é a mesma coisa que um assaltante de banco atribuir à polícia um roubo por ele cometido durante o render da guarda.
Num país onde se diz que a prioridade deve ser legalizar emigrantes ilegais (cujos países de origem correm a pontapé qualquer um de nós que lá esteja sem papeis legais...e mesmo, muitas vezes, quando os temos) em vez de defender a lei e a integridade do Estado como um pilar de referência, Portugal só pode ser este "sítio" há muito descrito magistralmente por Eça de Queirós.
Valha-nos a "consolação" de que se sobrevivemos como país ao bacanal em que mergulhamos cada vez mais, desde os tempos de Eça, pode ser que os nossos filhos ainda tenham um lodaçal para chafurdar e poderem secar com o talento que obviamente falta para isso às gerações de 30, 40 e 50 anos, actualmente "à frente" da nossa sociedade.


De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:30
António,
bem observado!
Parcebem, quando falo na necessidade de ter memória?
E, já agora, alguma cultura também não faz mal a ninguém
Abraço, amigo.
LC
De Isabel Silva a 11 de Maio de 2009 às 14:58
Caro Luís,

Com todo o respeito às opiniões lançadas, mais tolerantes que a minha…
Já não posso ouvir falar de complacência com criminosos. É porque “coitadinhos” são excluídos da sociedade porque são de cor e a sociedade é racista e não lhes dá emprego, é porque vivem em bairros problemáticos e não conheceram outras realidades, é porque não tem as mesmas oportunidades que todos nós…
Se não são capazes de viverem à luz da lei ocidental, cadeia com eles. Que lei é esta que não protege as policias e liberta criminosos que riem para as câmaras empunhados de armas, imunes a tudo?
Que a lei se faça cumprir para bem do ocidente. A permissão ensinou-me que é pior que a tolerância.
O problema não é cultural ou económico. É politico. Alterem-se as leis, aumentem os orçamentos para a justiça e defesa.
A festa já vai no adro e, assim, não estou a ver quem pare

Cumprimentos,

Isabel Silva

De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:32
Que fazem corridas à frente das esquadras em protesto por alguém que roubava violentamente, bateia na mulher e que tentou alvejar a polícia...
Bj
LC
De Márcia a 11 de Maio de 2009 às 16:21
Em alguns aspectos não poderia estar mais de acordo com a Isabel. Já não se consegue ouvir desculpabilizar os criminosos como se faz. Há alguns anos fui professora, profissão que já não exerço, numa escola do interior norte de Portugal. Num daqueles cantos esquecidos do país, onde não há médicos de família, grupos de acompanhamento de famílias em dificuldade, não há centros de ocupação de tempos livres, apoio aos carenciados, estradas em condições, habitação social...nada!Aí vi daquela pobreza que não sabia existir.Tive alunos que nem dinheiro para comprar um caderno de folhas tinham, cujo pequeno-almoço, quando existia, não incluía leite, bolos ou pão fresco, mas era simplesmente “sopas de vinho”, as refeições faziam-se quando havia, ou na cantina da escola para os mais afortunados.Os subsídios escolares não eram atribuídos a todos os que necessitavam e os professores que como eu, lá iam parar deslocados das nossas cidades, sentiam-se impotentes para os ajudar como eles mereciam .Apesar de toda a pobreza eram, regra geral, bons seres humanos, dos alunos mais simples e educados que conheci e a quem tive o privilégio de dar aulas. Não foram os que obtiveram melhor aproveitamento, mas foram dos que mais me ensinaram no exercício da actividade profissional. Vi os pais de alguns destes meninos a fazerem esforços desumanos para os manterem na escola e ajudar nas dificuldades escolares. Não utilizavam a pobreza e a falta de condições como desculpa, apesar de não as terem. Sempre que eram chamados à escola correspondiam e faziam o que podiam para tentar resolver os problemas. Não digo com isto que as pessoas se devam "conformar" a viver mal, antes pelo contrário devem reivindicar condições, mas acho que a falta dessas condições não serve de desculpa para tornar alguém num criminoso…Quando pessoas como o Sr. Louça utilizam a falta de condições como justificação para os criminosos, apenas abrem caminho a quem mais e mais crimes aconteçam. Não vejo inconvenientes em reclamar condições de vida mais dignas para essas pessoas, agora misturar as coisas e transformar o crime uma consequência lógica das crise económico-social apenas abre caminho para sociedades cada vez mais violentas.
De CN a 11 de Maio de 2009 às 17:25
Concordo consigo.
Pessoas como o Louçã revelam-se "parasitas" da sociedade. São pessoas que se podem classificar de virus ou bactérias que vão minando a nossa sociedade, em nome da democracia, igualdade e etc.
A vida em sociedade exige que as pessoas obedeçam a regras. Quem não quer obedecer, independentemente da razão, não pode estar livre e fazer o que bem entende. Esses criminosos não gostariam de ver as mães e irmãs violadas; os seus carros e motas roubados ou destruídos e o seu "cabedal" amassado.
Quem prevarica tem que ser PUNIDO, encarcerado, etc.
Os "Louçãs" utópicos e ridículos, deviam sentir na pele o sabor frio de uma arma apontado à sua barriga ou garganta; deveriam passar por provações que muitas pessoas neste país já passaram. Deviam sentir para o resto da vida o pÂnico que muita gente sente após uma experiência de roubo ou violação.
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:35
Quando passmos por elas,
passamos a pensar de forma diferente.
Ab.
LC
De Luís Castro a 13 de Maio de 2009 às 14:33
Só admito quem rouba para comer ou para alimentar os filhos.
Bj
LC

Comentar post

Reportagem Angola - 1999



Reportagem Iraque - 2005


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Afeganistão - 2010

Livros

"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


Sugestões para reportagem



Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
"10 Anos de Microcrédito" - colaboração

Pesquisar blog

Arquivos

Abril 2016

Janeiro 2016

Outubro 2015

Junho 2015

Maio 2015

Fevereiro 2013

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Agosto 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Categorias

política

economia

angola 2008

iraque 2008

sexo

afeganistão 2010

mau feitio

televisão

eua

mundo

amigo iraquiano

futebol

curiosidades

telejornal

saúde

iraque

missão infinita

religião

repórter de guerra - iraque

euro2008

guiné

humor

repórter de guerra - cabinda

acidentes

criminalidade

jornalismo

polícia

segurança

solidariedade

rtp

sociedade

terrorismo

afeganistão

caso maddie

crianças talibés

desporto

diversos

férias

futuro

justiça

todas as tags

subscrever feeds