Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Cigano é...?

Dois ciganos condenados por uma juíza do Tribunal de Felgueiras, em Julho do ano passado, numa sentença polémica pelos termos usados, processaram a magistrada por difamação e eventual discriminação racial. Há mais queixas na calha.

(…)

Em causa está uma sentença que condenou cinco homens de etnia cigana a penas que oscilaram entre o pagamento de multas e um ano e meio de prisão efectiva, por agressão a elementos da GNR que pretendiam pôr termo a uma "festa com tiros", num bairro social da cidade de Felgueiras.

 

Mas foram as expressões usadas pela magistrada no texto da sentença, referindo-se aos condenados, que causaram mais controvérsia. Por exemplo, entre várias outras: "(...) são pessoas malvistas, socialmente marginais, traiçoeiras, integralmente subsídio-dependentes de um Estado (ao nível do RSI, da habitação social e dos subsídios às extensas proles) e a quem 'pagam' desobedecendo e atentando contra a integridade física e moral dos seus agentes e obstaculizando às suas acções em prol da ordem, sossego e tranquilidade públicas".

 

Adolfo Monteiro, um dos visados, disse ao JN que está "disposto a ir até onde for preciso para obter Justiça". "Fiquei muito chocado e ofendido", adianta.

A magistrada nunca se pronunciou sobre o caso mas, na altura, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses veio a público referir que as expressões em causa tinham sido "descontextualizadas" e que não eram da autoria da juíza, "mas apenas reprodução de depoimentos de testemunhas e de relatórios sociais do processo".

(…)

                                                                                Jornal de Notícias

 

Sabendo que o código interno dos ciganos condena quem:

 

1. Não ajudar outro cigano

2. Violar os direitos de outro cigano

3. Faltar com o respeito para com os mais velhos

4. Faltar à palavra dada entre ciganos

5. Abandonar os filhos

6. A separação conjugal por traição

7. A maternidade antes do matrimónio

8. A falta de pudor no vestir e os modos de comportar-se

9. Furtar num lugar sagrado

10. Ofender a memória dos mortos.

 

Pergunto eu:

E respeitar a sociedade que vos acolhe?

E sujeitarem-se às suas leis?

 

Aos que o façam, eu serei o primeiro defendê-los.

Sempre!

E então poderão gritar bem alto:

 

Não devemos deixar de ser cigano...

 

Porque somos primitivos;

Porque somos lendários;

Porque somos limpos, em nossos costumes;

Porque somos folclóricos;

Porque somos místicos;

Porque somos os desertos e os campos;

Porque somos de cor bonita;

Porque temos vestes alegres;

Porque somos sábios;’

Porque somos ricos de dons dados por Deus;

Porque somos símbolos da liberdade;

Porque somos indomáveis;

Porque sem nós, algo faltaria na terra.

 

(In A Bíblia dos ciganos de Hugo Caldeira)

 

 Luís Castro

publicado por Luís Castro às 02:57
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25 comentários:
De vonecafm@sapo.pt a 18 de Maio de 2009 às 08:30
Recupero aqui uma opinião que deixei há uns dias a propósito da reacção dos partidos à criminalidade, o encaixe não podia ser melhor:

Caro Luís,

Com todo o respeito às opiniões lançadas, mais tolerantes que a minha…
Já não posso ouvir falar de complacência com criminosos. É porque “coitadinhos” são excluídos da sociedade porque são de cor e a sociedade é racista e não lhes dá emprego, é porque vivem em bairros problemáticos e não conheceram outras realidades, é porque não tem as mesmas oportunidades que todos nós…
Se não são capazes de viverem à luz da lei ocidental, cadeia com eles. Que lei é esta que não protege as policias e liberta criminosos que riem para as câmaras empunhados de armas, imunes a tudo?
Que a lei se faça cumprir para bem do ocidente. A permissão ensinou-me que é pior que a intolerância.
O problema não é cultural ou económico. É politico. Alterem-se as leis, aumentem os orçamentos para a justiça e defesa.
A festa já vai no adro e, assim, não estou a ver quem a pare!

Cumprimentos,

Isabel Silva
De Luís Castro a 18 de Maio de 2009 às 23:57
Temos uma cultura de tolerância e de perdão.
O problema é que nem todos são merecedores.
A esses, reservar-lhes-ia a pontapé no rabo ou a cadeia.
LC
De Pedro Oliveira a 18 de Maio de 2009 às 09:09
Faço minhas as tuas perguntas.
Por exemplo na Marinha Grande sei que está ser elaborado um projecto de integração qque conta com a envolvência da comunidade cigana local.Mas primeiro têm de respeitar quem os quer integrar e ajudar,ie, têm de querer ser integrados,armarem-se em coitadinhos não resolve nada,antes pelo contrário.
boa semana
De Ana Francisco a 18 de Maio de 2009 às 11:36
Eu dei aulas em Escolas Primárias na Marinha-Grande. E, principalmente na Ordem e em Casal do Malta, esta disparidade é gritante.

Tive miúdos com 12 anos que não sabiam ler nem escrever. Que apareciam na escola à hora que bem entendiam e apenas e só porque se faltassem os pais perderiam o rendimento mínimo. Sem material. E cometi o erro de uma vez lhes dar material comprado por mim e que nunca mais apareceu. Crianças que se eu lhes botasse a mão em cima... era sabão e esfregão de arame! Não vos passa o cheiro... não vos passa o surro naquelas peles. Não vos passa a camada de porcaria que tinham aqueles dentes.

E depois vamos ao supermercado e vemos as crianças que estavam na nossa sala de aula no chão a pedir trocos. E vamos à feira semanal e vemos uma mãe de 15 anos a prometer à filha que quando receber o rendimento mínimo lhe compra a boneca xpto.

Acho que este país tem graves problemas estruturais e que não soube receber o fluxo migratório dos PALOPs depois do 25 de Abril. Eu vivi na Amadora e dei lá aulas e aquilo é sufocante. Eu a querer alugar um campo (a pagar!) para os miúdos irem brincar e nada! Só consegui em Queluz. Fazem parques bonitos, mas onde as crianças não podem brincar com uma bola. Mesmo quando supervisionadas por adultos. íamos eu e outra professora com 7 crianças. Levámos 1 bola e estávamos todos a brincar de forma ordenada, professores incluídos. E o senhor vigilante foi lá ameaçar que chamava a polícia! Aquelas cidades são sufocantes e marginalizantes!

Não podemos pôr estes problemas, das cidades satélite de Lisboa, no mesmo pacote dos dos ciganos. Pelo menos os que conheço não querem mesmo integrar-se. Só querem os direitos e esquecem-se que num Estado de Direito também têm deveres!

Desculpa o desabafo, mas cada vez que penso em ciganos só me lembro daqueles miúdos e arrepio-me...

Kisses
De Luís Castro a 19 de Maio de 2009 às 00:01
Compreendo-a muito bem.
Bj
LC
De Luís Castro a 18 de Maio de 2009 às 23:58
Se eu não tenho o costume de por os pés em cima da mesa,
quem vem a minha casa também não tem o direito de o fazer.
Ab.
LC
De Sócrates a 18 de Maio de 2009 às 12:46
Não podia deixar de concordar contigo Luís. Todos têm direito à sua cultura e tradições, desde que estas não violem as Leis da República Portuguesa.

Quem está mal das duas uma, ou tenta mudar a Lei ou muda ou muda-se.

Ainda estou para ver em que dará este caso, pois não vi nada nas palavras da juíza que me fizessem desconfiar que fosse mentira nesse caso (e também em muitos outros com pessoas não ciganas). Insulto é que se dizem mentiras, o que ela disse é bem provável que seja verdade (não sei se é visto não conhecer a fundo o caso).
De Luís Castro a 19 de Maio de 2009 às 00:03
Para sermos respeitados, primeiro temos de respeitar.
Para ter direitos, há que cumprir os deveres.
Só assim se poderá respeitar a diferença e a cultura de cada um.
Ab.
LC
De Ana a 18 de Maio de 2009 às 22:24
Olá Luis!
Assino por baixo de tudo quanto a juíza disse,afinal alguém com coragem .O senhor ficou chocado e ofendido? Temos pena. Ainda há pouco tempo num curso, a psicóloga dizia que eles eram marginalizados, que ninguém lhes dá trabalho , e eu perguntei-lhe, desde quando é que eles o procuravam? toda a vida viveram de expedientes,têm casas que nem os tristes 2 e 3 euros de renda pagam, têm carros à porta que não custam meia dúzia de euros e são pagos em dinheiro vivo.Marginalizados somos nós que temos que pagar tudo e ainda lhes pagamos a eles ,que têm de RSI, 700, 800 e mais euros como eu já os vi receber nos Correios. Esta gente faz-me azia
bjs.
De Luís Castro a 19 de Maio de 2009 às 00:17
Também há os que se integraram em pleno.
Tenho alguns como como vizinhos.
Pena que seja tão poucos.
Bj
LC
De Diogo Rodrigues a 19 de Maio de 2009 às 15:50
Eles devem ser mágicos, não trabalham e tem carros topo de gama.

Concordo inteiramente com a juíza, não sou racista mas o que a juíza disse é basicamente uma constatação de factos. Vivem da droga que traficam e sabe-se la mais o que .

Claro que existem excepções(poucas)

abraço []
De Luís Castro a 20 de Maio de 2009 às 02:30
Poucas, é verdade,
mas que deveriam servir de exemplo para o resto da comunidade.
Ab.
LC
De Sónia Pessoa a 19 de Maio de 2009 às 20:35
Uma das histórias que escrevi para crianças é sobre uma menina cigana, serve a história para ensinar os mais pequenos a respeitar as diferenças e a aprender com elas... mas muitas vezes tenho essa mesma sensação de que falas, de que são os ciganos muitas vezes a desrespeitar o próximo... pescadinha de rabo na boca?... bjo
De Luís Castro a 20 de Maio de 2009 às 02:42
Liga-me amanhã.
Bj
LC
De kruzeskanhoto a 19 de Maio de 2009 às 22:50
Essa malta é lixada. Vejo-os montados em brutas bombas mas nunca vi nenhum a tirar a carta de condução...
De Luís Castro a 20 de Maio de 2009 às 02:51
rs...
LC
De José Manuel da Cruz vaz Jacinto a 26 de Maio de 2009 às 17:35


CIGANOS

Ciganos, gente sofrida,
Mas que tem sempre a mão estendida,
Mais, se for para os Seus,
Pois também acredita em Deus,
Aceita mas desconfia dos Meus
E vice versa,
Entre eles há pouca conversa.
E ainda bem que se mantem nessa
Especial forma de vida!

E dentro da liberdade
Em que está preso
Desde a antiguidade,
O Cigano “trabalha” na feira
E nunca está indefeso,
Tem sempre uma caçadeira
Para defender a Comunidade
E às vezes vai preso
De verdade.

Em Carcavelos ou Azeitão,
Vende contrafecção,
E anda de aldeia em cidade,
Na voz eleva o pregão,
apenas não vende o furgão,
um Ford de provecta idade.

Tem familiares na prisão
E não aceita a verdade,
Que se ensina na Escola, aos Meus,
Pois as lições que lá se dão
Não têm qualquer utilidade
Para a Venda, onde andam os Seus.













Mas não interessa,
O que importa,
É que mesmo sem porta
Na tenda,
Nunca deixem de ser o que são,
Orgulhosamente, Ciganos,
Na música, gitanos,
sagradas famílias, com muitos manos,
às vezes, em guerras que duram anos.

Ciganos eternamente,
Ciganos que dolorosamente,
andam desde antigamente,
em agreste senda
e contínua peregrinação.
Mas teimosamente,
Seguindo em frente,
iguais a toda a gente,
Mesmo que voltem à mesma região,
Gente Independente
Gente contente,
Gente que diz :
Então!!1
“Samos Ciganoooos!
Nunca enganamooooos
Nem temos Amoooos,
Só um enorme Coração!

Aiii, Sr. Juiiiiiz,
não não fui eu que fiiiiíz!
Aiií, não fui, nãoooo!
Eu até nem quiiis!
Aquilo é que me saltou p’rá mãooo!


Aíii, eu também sou teu Irmãooo!
Atão n’é o que Bíblia diiiz?

Tens razão! Cigano Irmão!
Aperta aí a mão!
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii!


José Manuel da Cruz Vaz Jacinto
De Luís Castro a 28 de Maio de 2009 às 18:32
"Ciganos, gente sofrida,
Mas que tem sempre a mão estendida"
Pois...
Ab.
LC
De Jorge a 25 de Agosto de 2009 às 12:49
Apoiar ciganos??

Esses aldrabões que tem uma profissão de luxo ou seja, roubam , drogam-se e ate os putos de 6 ate aos10 anos fumam.. e ainda por cima cada puto recebe 525€ de rendimento mensal de abono familiar??? , a marinha grande cada vez ta uma pouca vergonha... é pena não ter um hugo chavez ou alberto joão jardim ra governar a marinha...
De antonio silva a 23 de Novembro de 2009 às 20:46
Depois de uma volta pela internet. comentários contra os ciganos. É de facto de uma hipocrisia e estupidez sem igual. quem mandou fugir a Fátima Felgueiras ...e os colarinhos brancos...os tubarões, os pedófilos, as offeshores , e tantos outros que a justiça protege. E vem vos cabeças duras obscurecidas, racistas e xenófobos . falara contra os ciganos, como se fossem eruditos da moral, e pessoas de bem...o que os ciganos, mais estão é a borrar para vossos comentários. a fraqueza e a estupidez é vossa...
De Luís Castro a 28 de Novembro de 2009 às 19:15
Visto.
LC

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Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
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