Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Impressionado mas não arrependido

“Eu julguei em função do que era a minha consciência”, acaba de confessar o juiz-relator do caso da menina russa de Barcelos.

 

Garantindo nunca ter sofrido pressões políticas, o magistrado do Tribunal da Relação de Guimarães reconhece que a mãe não tinha condições para receber a filha em Portugal, mas que os relatórios vindos da Rússia o fizeram mudar de opinião.

 

Ao Expresso, refere ainda que “No processo, a criança já se queixava de algumas agressões físicas da mãe. Mas esse não é o motivo para eu separar a mãe de uma filha”. Gouveia de Barros arrepende-se por algum excesso de linguagem utilizado no acórdão quando refere que a mãe de acolhimento é movida por um sentido de “maternidade serôdia” e pela opinião que erradamente formou sobre ela.

 

Agora, o juiz desculpa-se dizendo que “não há pais perfeitos”.

Pois não senhor doutor juiz, também não há juízes perfeitos.

Mas dizer que está perturbado e surpreendido com as imagens de televisão,

é muito pouco.

 

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 14:35
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20 comentários:
De Ana Francisco a 28 de Maio de 2009 às 15:00
Mau feitio de quem, Luís?

Indignarmo-nos com o que está mal feito, mão é mau feitio...

O sr. juiz devia era estar caladinho... arrependido ou não, agora, de nada adianta.

Kisses
De Luís Castro a 28 de Maio de 2009 às 22:13
Quando perguntaram a um juiz se não temia ir para o inferno pelas más decisões que tomou,
o juiz respondeu:
Não. Se for para o inferno será como testemunha.

LC
De José Fernandes a 28 de Maio de 2009 às 15:34
Avaliação de desempenho para os juízes já !

Ab
JF
De Luís Castro a 28 de Maio de 2009 às 22:15
Nada tenho contra eles,
mas é uma da classe repleta de intocáveis.
Ou estarei errado?
Ab.
LC
De Alberto Fernandes a 28 de Maio de 2009 às 19:26
Olá Luís!

A única palavra que me ocorre é VERGONHA!
Que nos desculpe a todos a menina...

Abraço,
Alberto
De Luís Castro a 28 de Maio de 2009 às 22:27
Isso mesmo: com letra maúscula!
Ab.
LC
De maria çlara a 28 de Maio de 2009 às 22:44
Boa noite
Só uma vez contactei este blog,mas vejo-o muitas vezes porque é muito humano.
Este caso,como outros que infelizmente ocorreram em portugal,é uma lástima !!!É que é uma situação tão perigosa para a evolução da criança,que espanta como a grande inteligência dos teóricos da pedopedagogia,não enxergaram!!Lindo..entregaram-na a uma mãe alcoólIca!!!!Cambada de teóricos!!! E agora quem poderá acudir à pobre menina numa situação extrema que venha a acontecer?POBRE MENINA!!!! ESTÁ PRIVADA DE TODA A SEGURANÇA..QUE RAIVA!
De Luís Castro a 30 de Maio de 2009 às 12:03
Maria,
gostava de ouvir as técnicas da segurança social que suportaram a decisão do juiz com os seus pareceres!
Essas continuam sem abrir a boca.
Bj
LC
De Carla Cruz a 29 de Maio de 2009 às 10:54
Olá Luís!
O problema é quando os nossos juízes decidem "em consciência" que, enquanto factor de subjectividade, nada tem a ver com a Lei, mas com o caracter e crenças que possuem. O triste é verificar como alguém, algures a milhares de quilómetros, viu a sua vida ser-lhe rasgada devido à (má) consciência de um desconhecido! E vai ter de viver com isso o resto da sua vida!!!
Hoje que tanto se fala em avaliação de desempenhos em todas as profissões, porque será que há uns que estão acima de qualquer indagação?! Hoje vi nos jornais que o Juíz em causa vai ter um processo por ter falado no caso, sendo isso proibido! Achei piada pelo facto da abertura do inquerito ter sido por ter falado e não por ter julgado mal o caso!
Que nunca precisemos deles para decidir as nossas vidas... pois, pelos vistos, mesmo que haja alguma coisa para além da morte e eles forem para o inferno, mesmo aí não serão julgados. Até perante o diabo serão apenas testemunhas!!!
É caso para dizer: Vão de retro...
Beijinhos,

Carla

PS: Quando for aí almoçar com a Natália e Elsa aviso-te e juntas-te a nós. Se tiveres disponibilidade para ires ao ISCSP, tenho muito gosto em oferecer-te um almoço no restaurante da Reitoria que é muito simpático e tem uma vista deslumbrante sobre o Tejo. Fico à espera!
De Luís Castro a 1 de Junho de 2009 às 08:25
Ok.
Já sabes que será com todo o gosto.
tenho andado apertado com o mestrado, mas sempre se arranja tempo para quem merece!
Ligo um destes dias.
Bj
LC
De RUI FERREIRA a 29 de Maio de 2009 às 11:26
É REPUGNANTE TODO O PROCESSO INCLUINDO, A SENTENÇA.
ISTO FAZ DOER A ALMA, E O CORAÇÃO...
É SEMELHANTE AO PERÍODO DA "ESCRAVATURA".
ESSE DITO "JUIZ", DEVIA SER BANIDO DO CARGO.
ALGUMAS PESSOAS COMPETENTES SÃO COMPULSIVAMENTE AFASTADAS DO CARGO, ESTE ASSUNTO GRAVE QUE É GRAVE, NINGUÉM TOMA DECISÕES???
De Luís Castro a 1 de Junho de 2009 às 08:34
Processo disciplinar porque falou.
Ora aí está uma decisão...
Ab.
LC
De Ilda a 29 de Maio de 2009 às 11:53
Olá Luís!
Pois é "Sr.Dr Juiz" não há pais perfeitos mas que eu saiba não há nenhuma escola onde se aprenda a ser pai ou mãe mas há escolas para se aprender a ser juiz. Pelos vistos o senhor não atinou com a morada da mesma e fez o que fez!
Tenha VERGONHA E CALE-SE, quanto a mim já fez porcaria demais!!!
Agora poderá ser punido por falar com os media?! E pela decisão que tomou completamente irresponsável tendo como argumentos de que "fiz uma avaliação errada da mãe afectiva" isto admite-se de um juiz? Devia ser punido pela ligeireza com que avaliou a situação, isso sim.
Agora é tarde muito tarde para a Alexandra, infelizmente. Só nos resta a indignação e nada mais. Há decisões que não têm volta e esta é uma delas.
Bom fds.
Bjs
Ilda
De ordralfabetix a 29 de Maio de 2009 às 21:53
http://cus-judas.blogspot.com/2009/05/sombras-de-luanda.html

Vi este belo texto num blog de um português em Angola. Penso que pode interessar o LC.
De Luís Castro a 2 de Junho de 2009 às 14:05
Ok.
vou ver.
Obg.
LC
De Filipa Jardim a 30 de Maio de 2009 às 09:16
Luís,

Acho que não se deve julgar toda uma classe.
Há bons juízes e não é facil ser-se juiz.
Sou familiar de um juiz que o foi das últimas instâncias, do supremo, e acompanhei algumas vezes os processos decisórios dele, mergulhado até à exaustão nos processos, recolhido dias e dias a fio no seu escritório.
Nunca lhe ouvi uma palavra sobre nenhum dos processos(nem ninguém ouviu) mas era fácil adivinhar da profundidade, da responsabilidade e da delicadeza do seu trabalho.
São pessoas que estão neste dificilimo papel de poder mudar a vida dos outros com a plena consciência disso.
Acho que foi um gesto humano, o de um juiz que diz que pode não ter julgado da melhor forma.
Para isso existem as várias instâncias, para permitir que se recorra da sentença e, que um outro colega com mais experiencia e igual empenho, possa de novo rever todo o processo.
Este caso, por se tratar de um caso de uma menina estrangeira não tem agora solução em Portugal. É uma infelicidade.E, imagino que uma maior infelicidade para quem achou que estava a fazer o seu melhor como juiz.
Acho que para já, temos que acreditar que assim é.

A culpa não é só do juíz, é de toda uma equipa que teria que lhe facultar posivelmente mais dados.

Mas discordo totalmente que tenhamos maus profissionais como juízes em Portugal.
E ,não pactuo com esta ideia de se condenar na praça pública uma classe que tem certamente um dos papeis mais dificeis na nossa sociedade.
Você gostava de ser juiz? Gostava de ter essa responsabilidade sobre os seus ombros?
Eu não.
Por isso o meu apoio e o meu respeito por todos os juízes que, diariamente em Portugal, desempenham o seu dificil papel com consciência, coragem e empenho.

A Unicef pronunciou-se sobre este caso...tehamos esperança que na terra da Alexandra, os profissionais estejam mais atentos e possam agir em conformidade.


Bjs,

Filipa



De Nuno a 31 de Maio de 2009 às 22:06
Mais um caso...
Acabei de ver o comentário semanal feito pelo Professor Marcelo, nem sabia desta notícia... é o que digo e repito: é o nosso país.

Ainda teve a lata de assumir que errou.
PS: E que grande consciência a dele... sem dúvida.

Abraço
De Carla a 1 de Junho de 2009 às 12:30
Eu também vi o "comentário" do Sr. Sabe Tudo, e também reparei como fugiu rapidamente do assunto!
É como diz: É o país que temos... O pior é que são esses senhores os supostos Opinion makers!
De Luís Castro a 2 de Junho de 2009 às 15:27
Visto.
LC
De Luís Castro a 2 de Junho de 2009 às 15:24
Bom seria que se aprendesse com os erros.
Mas parece que a memória é curta.
LC

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Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
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