Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

foi há um ano...

«Não sei se lhe salvei a vida. Talvez. Mas não é o mais importante.

Dele pouco sei, apenas que se chama António e que não é de Lisboa.

 

O acidente aconteceu à minha frente, pelo que fui o primeiro a sair do carro e a prestar os primeiros socorros. Quem ia parando no IC 2 tinha dificuldade em se aproximar. É das imagens que nunca mais esquecemos: alguém com a garganta aberta e a jorrar sangue.

 

Ao fim de 19 guerras, aquele momento não me impressionou. Encher as mãos de sangue para lhe estancar a hemorragia foi um impulso natural. Enquanto esperava pela chegada da ambulância, agarrei-o nos meus braços e temi perdê-lo antes da chegada do INEM. Dei por mim a reviver uma situação semelhante há dez anos, em Angola, durante os combates no planalto central. A sirene trouxe-me de volta.

 

Quando o António foi levado para o Hospital S. José, entrei no meu carro a pensar nas pessoas à minha volta que deviam passar por um momento destes. Sentir o que é estar na fronteira entre a vida e a morte.

Talvez se apercebessem de como são frágeis as suas vidas.

Talvez percebessem como está errado o ranking das suas prioridades.

Talvez perdessem muita da sua arrogância.»

 

 

 

 

 

 

 

 

«NÃO SOU HERÓI

 

Ontem fui visitar o António ao S. José.

Só me reconheceu pela voz. Recorda-se de me ouvir falar, mas não guarda imagens do momento. Estava em estado de choque.

 

Foi operado e saiu dos cuidados intensivos. Não fala, mas há-de recuperar a voz. Reconstituíram as vias danificadas e nos próximos tempos o organismo terá de regenerar, só então lhe retiram o tubo. Ficará internado mais dez a quinze dias.

 

Durante os trinta minutos que estive com ele, o António fez um desenho dos cortes que tinha no pescoço. Arrepiou-se enquanto riscava no papel.

Felizmente não guardará a imagem de como estava quando cheguei ao pé dele.»

 

 

 

 

 

 

 

 

«A SEGUNDA VIDA DO ANTÓNIO

 

Recordam-se do condutor que socorri após um acidente no IC2,

no final do ano passado?

 

 

Pois bem, fui convidado a ir à Guarda pela família Amaro.

Quiseram recordar o que aconteceu naquela tarde de 30 de Novembro.»

 

 

 

 

Ver textos e comentários em:

 

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/tag/entre+a+vida+e+a+morte

 

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/tag/n%C3%A3o+sou+her%C3%B3i

 

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/118652.html

 

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/106770.html

 

Luís Castro

 

 

publicado por Luís Castro às 11:30
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Domingo, 14 de Março de 2010

A segunda vida do António

Recordam-se do condutor que socorri após um acidente no IC2,

no final do ano passado?

 

 

Pois bem, fui convidado a ir à Guarda pela família Amaro.

Quiseram recordar o que aconteceu naquela tarde de 30 de Novembro.

 

 

O António fez 60 anos, ou como disse a sobrinha:

"Este foi o primeiro aniversário da sua segunda vida".

 

 

 Pedi ao António que aproveite bem esta segunda oportunidade que a vida lhe deu. 

 

 

Conhecer a história do acidente do António Amaro em:

 

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/tag/entre+a+vida+e+a+morte 

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/tag/n%C3%A3o+sou+her%C3%B3i

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 21:28
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Não sou herói

Não, não sou.

Apenas alguém que ia a passar nesse momento e que mais não fez do que a sua obrigação: tentar salvar uma vida.

Heróis são os médicos, os bombeiros e os polícias. Esses sim.

Eles são os nossos “cuidadores”.

 

Quanto muito, um bom samaritano.

E aquilo que o director adjunto do jornal "24 Horas" diz:

“evitou que mais um homem se tornasse mais uma vítima das nossas estradas.”

 

 

No entanto, reconheço dois aspectos importantes:

1 – Ao contrário de todos os dias, na segunda fui trabalhar mais tarde.

      Só por isso passei naquele local àquela hora.

2 – É preciso ter algum “sangue-frio” para enfrentar o momento.

      É algo que ganhei pelas experiências a que tenho sido sujeito

      De resto, nada que bombeiros, médicos e enfermeiros não vivam quase diariamente.

 

 

Ontem fui visitar o António ao S. José.

Só me reconheceu pela voz. Recorda-se de me ouvir falar, mas não guarda imagens do momento. Estava em estado de choque.

 

Foi operado e saiu dos cuidados intensivos. Não fala, mas há-de recuperar a voz. Reconstituíram as vias danificadas e nos próximos tempos o organismo terá de regenerar, só então lhe retiram o tubo. Ficará internado mais dez a quinze dias.

 

Durante os trinta minutos que estive com ele, o António fez um desenho dos cortes que tinha no pescoço. Arrepiou-se enquanto riscava no papel.

Felizmente não guardará a imagem de como estava quando cheguei ao pé dele.

 

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 01:58
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Entre a vida e a morte

Não sei se lhe salvei a vida. Talvez. Mas não é o mais importante.

Dele pouco sei, apenas que se chama António e que não é de Lisboa.

 

O acidente aconteceu à minha frente, pelo que fui o primeiro a sair do carro e a prestar os primeiros socorros. Quem ia parando no IC 2 tinha dificuldade em se aproximar. É das imagens que nunca mais esquecemos: alguém com a garganta aberta e a jorrar sangue.

 

Ao fim de 19 guerras, aquele momento não me impressionou. Encher as mãos de sangue para lhe estancar a hemorragia foi um impulso natural. Enquanto esperava pela chegada da ambulância, agarrei-o nos meus braços e temi perdê-lo antes da chegada do INEM. Dei por mim a reviver uma situação semelhante há dez anos, em Angola, durante os combates no planalto central. A sirene trouxe-me de volta.

 

Quando o António foi levado para o Hospital S. José, entrei no meu carro a pensar nas pessoas à minha volta que deviam passar por um momento destes. Sentir o que é estar na fronteira entre a vida e a morte.

Talvez se apercebessem de como são frágeis as suas vidas.

Talvez percebessem como está errado o ranking das suas prioridades.

Talvez perdessem muita da sua arrogância.

 

 

publicado por Luís Castro às 04:24
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Sábado, 28 de Novembro de 2009

Imagens do acidente em Lisboa

Vídeo imediatamente após o embate.

 

"Estava a fumar um cigarro quando tudo aconteceu... ainda se vê Mário Mendes a ser retirado do carro."

                                                            Autor das imagens  

 

 

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 13:21
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Reportagem Angola - 1999



Reportagem Iraque - 2005


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Guiné - 2008


Reportagem Afeganistão - 2010

Livros

"Repórter de Guerra" relata alguns dos conflitos por onde andei. Iraque, Afeganistão, Angola, Cabinda, Guiné-Bissau e Timor-Leste. [Comprar]



"Por que Adoptámos Maddie" aborda o fenómeno mediático gerado à volta do desaparecimento de Madeleine McCann. [Comprar]


Sugestões para reportagem



Milhão e meio de portugueses elegem diariamente o Telejornal da RTP.
E porque o fazemos para vós, quero lançar-vos um desafio: proponho que usem o meu blogue para deixarem as vossas sugestões de reportagem.

Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
"10 Anos de Microcrédito" - colaboração

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