Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Intolerável! Isto é terrorismo!

Ontem, num telefonema para Cabinda, um amigo que lá deixei dizia-me que é muito difícil acabar com uma guerrilha, mais ainda quando se trata da FLEC. Com grande tristeza, confidenciava-me a vergonha que sentia pela tragédia que acabara de acontecer.

 

 

Hoje, pelo que soube junto de fontes muito bem informadas, o grupo da FLEC-FAC que atacou a selecção do Togo é liderado por alguém jovem que pretendia chamar a atenção da comunidade internacional. O objectivo foi conseguido, mas as consequências serão desastrosas.

 

 

O triste acontecimento da fronteira com o Congo (onde estive há menos de meio ano), trouxe-me à memória uma longa conversa que mantive na floresta do Maiombe com os guerrilheiros da FLEC, no ano de 2001, quando se dedicavam a raptar portugueses que trabalhavam no enclave e que relato no meu livro “Repórter de Guerra”.

 

No final da entrevista, já de microfone desligado, alerto-os para as consequências dos raptos na opinião pública de um povo de quem eles se dizem amigos. Mais: nenhum governo poderá ceder à chantagem de um grupo armado que rapta cidadãos do seu país. «Os que fazem isso, agora chamam-se «terroristas» e já não há tolerância para eles.» Concordam com o que lhes digo, mas não garantem que não o voltem a fazer.

   - Só voltam a lembrar-se de nós quando raptamos mais alguém!

 

 

 

Ontem foram mais longe. Numa acção espectacular, feriram de morte o grande acontecimento desportivo africano, a Taça das Nações. O ataque ao autocarro que transportava a selecção do Togo deu-lhes o que queriam: ser falados em todo o mundo, mas esgotaram os já poucos apoios que mantinham fora do enclave de Cabinda.

 

Depois de ter andado com as duas FLEC (a FLEC-FAC e a FLEC-Renovada) na densa floresta do Maiombe, quando voltei a Portugal mantive contactos com os guerrilheiros por algum tempo, mas acabei por me afastar. Não tanto pelos homens que lutavam na mata, mas pelos políticos de Cabinda que teimavam em não perceber que estavam a levar os guerrilheiros para uma solução sem saída.

 

 

 

A luta pela independência é irrealista. Disse-lhes isso mesmo quando estive com eles. Rejeitaram por absoluto a hipótese de lutarem politicamente por uma autonomia. Ontem traçaram o seu destino. Acredito que as Forças Armadas Angolanas não vão descansar enquanto não eliminarem de vez a FLEC.

 

Saber mais sobre a FLEC e sobre as reportagens que fiz com eles:

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/tag/rep%C3%B3rter+de+guerra+-+cabinda

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 20:04
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- 8 anos em Rádio:
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Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
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- Colaborações Imprensa:
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Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
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