Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

O direito ao "Foda-se!"

Por Millôr Fernandes

(Com pequenas adaptações minhas)

 

Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”?

 

O “foda-se” aumenta a minha auto-estima, torna-me uma pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Liberta-me.

 

“Não queres fazer?! – Então, foda-se!”

“Queres fazer tudo sozinho? – Então, foda-se!”

 

O direito ao "foda-se" devia estar consagrado na Constituição.

 

Os palavrões não nascem por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário  de expressões que traduzem  com a maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o português a fazer a sua língua

 

“Comó caralho!”, por exemplo. Que expressão traduz melhor a ideia de muita e quantidade que “comó caralho!”? Tende para o infinito, é quase uma expressão matemática.

 

“Eu gosto do meu clube comó caralho!”

“O sol está quente comó caralho!”

“O gajo é parvo comó caralho!”

 

E o “nem que te fodas!”?

Expressa a mais absoluta negação.

O “nem que te fodas!” é irretorquível e liquida o assunto.

Quando lhe pedirem dinheiro, mate o assunto:

“Ó meu caro, não te empresto, nem que te fodas!”

 

Há outros palavrões igualmente clássicos:

Pensa na sonoridade de um “Puta que pariu!”,

ou o seu correlativo “Pu-ta-que-o-pa-riu!”

Diante uma notícia irritante, qualquer “pu-ta-que-o-pariu!”, dito assim, põe-te outra vezes nos eixos.

 

E o que dizer do nosso famoso “vai levar no cu!”?

E a sua maravilhosa e reforçada derivação “vai levar no olho do cú!”?

Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha do seu interlocutor e solta:

“Chega! Ó meu, vai levar no olho do cu!”?

Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida e da tua auto-estima.

Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso  de vitória.

 

E seria tremendamente  injusto não registar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu-se!”

E a sua derivação, mais avassaladora ainda: “Já se fodeu!”.

Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação.

Quando ouves uma sirene da polícia atrás de ti a mandar-te parar,

o que dizes? “Já me fodi!”.

 

E quando te apercebes que és de um país em que quase nada funciona; o desemprego não baixa; os impostos são altos; a saúde, a educação e a justiça são de baixa qualidade,

Agora digo eu:

Foda-se! Pu-ta-que-pa-riu este país!

E se alguém - no genérico! - entra no teu bolso:

Já me fodi! Estes gajos roubam comó caralho!

E a algumas pessoas apetece mesmo dizer:

“Vão levar no cu!

 

Mas não desesperemos!

Portugal ainda vai ser um país do caralho!!!

 

Só não sei quando…

 

Luís Castro

publicado por Luís Castro às 20:38
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Luís Castro
Editor Executivo
Informação - RTP

E-mail: cheiroapolvora@sapo.pt

Perfil

Jornalista desde 1988
- 8 anos em Rádio:
Rádio Lajes (Açores)
Rádio Nova (Porto)
Rádio Renascença
RDP/Antena 1

- Colaborações em Rádio:
Voz da América
Voz da Alemanha
BBC Rádio
Rádio Caracol (Colômbia)
Diversas - Brasil e na Argentina

- Colaborações Imprensa:
Expresso
Agência Lusa
Revistas diversas
Artigos de Opinião

RTP:
Editor de Política, Economia e Internacional na RTP-Porto (2001/2002)
Coordenador do "Bom-Dia Portugal" (2002/2004)
Coordenador do "Telejornal" (2004/2008)
Editor Executivo de Informação (2008/2010)

Enviado especial:
20 guerras/situações de conflito

Outras:
Formador em cursos relacionados com jornalismo de guerra e com forças especiais
Protagonista do documentário "Em nome de Allah", da televisão Iraniana
ONG "Missão Infinita" - Presidente

Obras publicadas:
"Repórter de Guerra" - autor
"Por que Adoptámos Maddie" - autor
"Curtas Letragens" - co-autor
"Os Dias de Bagdade" - colaboração
"Sonhos Que o Vento Levou" - colaboração
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