Fiz amizade com ele quando era tradutor de Bobby Robson, no FC Porto.
Depois a vida separou-nos: eu vim para Lisboa, ele foi para Barcelona.
Mais tarde fui a Camp Nou assistir a um jogo do FCP e fiquei no mesmo hotel onde estava a equipa do Barcelona.
Quando entrei no hall do hotel, vi o Zé com os jogadores ao fundo mas não fui ter com ele, veio ele ter comigo de braços abertos:
"És maluco! Andas sempre nas guerras e eu fico aqui a rezar por ti!"
"Tens bilhete? Queres ficar lá em casa?"
Afinal o Zé não mudara, nem esquecera os amigos.
Voltámos a não nos cruzar até que um dia, na estação de Campanhã, vejo que alguém parara à minha frente. Levanto os olhos e lá estava o Zé, sorridente com o filho ao colo, preparado para me dar um abraço.
Voltara para treinar o FC do Porto e continuava o mesmo.
Desde essa altura que mantivemos contacto, embora espaçado.
Há uns anos, o meu filho quis mandar-lhe um mail no dia em que o Zé fazia anos.
Escreveu o Pedro:
Senhor José Mourinho,
chamo-me Luís Pedro (sou filho do Luís Castro)
e quero desejar-lhe os parabéns pelo seu aniversário.
Que tenha muitos sucessos, pessoais e profissionais.
O meu pai está a trabalhar em Lisboa e também lhe manda um abraço.
Sou seu fã e gostava, um dia, ser como o senhor.
Respondeu-lhe o Zé:
Pedro,
grande abraço e deves querer ser como o teu pai, grande homem.
Se gostas do futebol, tudo bem, mas ele tem que ser a tua referência.
Parabéns Zé!
És grande!!!
Andam por aí algumas vozes que te criticam sem te conhecer.
Inveja e maledicência tão típica dos portugueses!
E como alguém disse um dia:
"Nunca se ergueu uma estátua a um crítico!"
Abraço, amigo
Luís Castro