Sábado, 22 de Março de 2008

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Não é normal o meu guia atrasar-se. Hoje, Bassim chegou quase duas horas para lá do combinado. Estava a ficar preocupado, até porque esta madrugada houve muita actividade militar e combates algures nos arredores de Bagdade. Entrou há minutos no meu quarto do Hotel Palestina, esbaforido e nervoso. Alguém foi dizer aos militares que ele levara estrangeiros a sua casa. Aconteceu há três dias. Esta manhã revistaram-lhe a residência e o carro à procura de armas e explosivos. A mulher e os filhos estão assustados. Tal como Bassim me dizia na altura: “Não se pode confiar em ninguém. Nem nos vizinhos!”
Caro amigo,
1º Como é possível o senhor divulgar isto tudo para todo o mundo sem ser maltratado?
2º Os Iraquianos tem acesso à internet? Ou é só os jornalistas no hotel?
3º Estas reportagens são óptimas, em tempo real, mas não têm receio do que lhe possa vir a acontecer?
4º Nas datas lembradas, como as que estamos atravessando, não fazem um momento de descanso das armas? Ou guerra é guerra e querem lá saber de parar essa maldita coisa.
É só isto.
Um abraço e aqui na ilha Terceira, onde estou, está tudo a torcer para um dia sair daí com vida e saúde.
Meu caro,
vou tentar responder às suas perguntas:
1 - já estive preso por 4 vezes, uma das quais no Iraque. Curiosamente pelos americanos, em 2003, durante a ofensiva militar. Fui agredido, algemado, levado para um campo de prisioneiros e expulso do Iraque.
Na Guiné, em 1998, fui interrogado de arma apontada à cabeça e tive que fugir depois da fragata portuguesa ter interceptado uma mensagem onde era data ordem para me abater,
2 - Há acesso à internet, embora nem todos possam dispor desse luxo.
3 - Depois do que já passei, já estou preparado para o pior. Embora saiba que tenho mulher e dois filhos à minha espera, se assim não fosse não tinha saído de Portugal.
4 - Como disse, guerra é guerra...
Abraço
LC
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